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Estado de Minas O QUE O ESPELHO DIZ SOBRE VOCê?

A imagem pessoal pode revelar mais do que está por dentro de cada um

Pessoas que decidiram olhar para si mesmas em busca do resgate da autoestima contam a experiência de se (re)conhecerem


postado em 25/08/2019 07:00 / atualizado em 24/08/2019 23:20

"Estou me sentindo extremamente feliz e alegre, experimentando um bem-estar enorme. Todo mundo me acha mais bonita e mais jovem" - Lílian Drumond, advogada, recebendo os cuidados da visagista Wanúbia Sena (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Em tempos de superexposição e valorização da imagem, uma pergunta não quer calar: você se reconhece no espelho? Aquele reflexo diz sobre quem você é, revela seu perfil e os traços de sua verdadeira personalidade?
 
Especialistas em comportamento, consultoria de estilo e imagem pessoal, coach, visagismo e outras áreas relacionadas à estética e ao bem-estar concordam que, muitas vezes, a resposta para a pergunta é negativa.
 
Diante do espelho e do mundo, não raro a busca pelo encaixe nos padrões estéticos ditados pela moda, a preocupação em atender às expectativas alheias ou mesmo a rotina corrida distanciam o sujeito dele mesmo, gerando ruídos na comunicação e na percepção da própria imagem.
 
Nesta edição do Bem Viver, conversamos com profissionais e com pessoas que resolveram olhar para si mesmas em busca da própria imagem. Gente como Elizângela de Almeida Pires, que deixou para trás a síndrome de patinho feio para assumir a carreira de modelo plus size. E isso após os 40 anos. Ou a advogada Lílian Drumond. Frente ao desejo de mudar de área profissional, ela encontrou no visagismo muito mais que uma aparência mais leve e em sintonia com a nova profissão. “Estou me sentindo extremamente feliz e alegre, experimentando um bem-estar enorme.Todo mundo me acha mais bonita e mais jovem”, celebra.

REFLEXO
 
Psicanalista, consultora de estilo e imagem, Míriam Lima destaca que o espelho revela muito mais sobre o indivíduo do que imaginamos. E que nenhuma consultoria especializada ou banho de loja é capaz de responder aos anseios que o sujeito tem, de fato. Nesse sentido, a imagem pessoal pode revelar mais do que está por dentro de todos nós.
 
E você, está disposto a olhar para si mesmo? Gosta do reflexo que vê?

Bonito é quem se aceita
Projeto voluntário trabalha o resgate da autoestima em diversas comunidades. Participantes redescobrem o amor-próprio e o potencial para deixar as imagens distorcidas no passado


Consultora de imagem há 12 anos, Carol Meyer saiu incomodada de uma palestra depois de mais uma vez ouvir uma plateia aflita por se encaixar nos padrões estéticos vigentes. “Já percebia que muitas mulheres sofrem em busca da imagem perfeita, mas tive depoimentos tão fortes que me vi na obrigação de fazer algo de concreto. Pensei: 'Essa ditadura precisa acabar'.”

O gatilho resultou na criação do Projeto Autoestima, iniciativa que ganhou visibilidade nas redes sociais. Carol usou a própria rede de amigos para reunir profissionais de áreas distintas, como beleza, fotografia e psicologia, interessados em ajudar. E partiu para a ação em torno de comunidades diversas. O público masculino também é bem-vindo nas reuniões, que incluem muito bate-papo, serviços estéticos, sessões de fotos e terapia.

TRANSFORMAÇÃO

“O projeto é uma maneira de fazer com que as pessoas se vejam além das aparências, sem tanta exigência e pressão para ser perfeitas. Na minha trajetória, sempre incomodou o fato de indivíduos não se gostarem por completo. Defeitos praticamente imagináveis sempre foram descritos com muita dureza durante palestras e consultorias e fui percebendo que essa insatisfação não tinha a ver com beleza, mas com conhecimento pessoal.”

DESCOBERTA

Elizângela de Almeida Pires, de 45 anos, secretária, transformou a imagem que fazia de si mesma. “Sofri bullying na escola durante a adolescência devido ao biótipo 'gorda, negra e de cabelo bombril', como diziam na época. Sentia-me o patinho feio. Só comecei a valorizar minhas qualidades mais tarde, graças a um amigo, que elogiou meu sorriso e outros atributos, e pediu que eu passasse batom vermelho. Ali, vi que eu era bonita, que meu cabelo era bonito. Independentemente do que a sociedade impõe como padrão e se torna castigo para quem não se encaixa”, conta.

"Pra mim, a imagem é um reflexo do estado de espírito. Meu biótipo não vai mudar, mas posso gostar dele. Ser feliz, me aceitar, me amar. Por que não?" - Elizângela de Almeida Pires, de 45 anos, secretária (foto: Fabricio Viana/Divulgação )

Elizângela credita ao apoio do amigo à nova visão de si mesma. “Não era de fato o patinho feio que imaginava ser. Ao contrário, sempre fui rodeada de pessoas que se espelhavam em mim.”

Mas o passo final para deixar aquela experiência negativa no passado veio com a participação no Projeto Autoestima. “Já seguia a Carol e vi que ela fez a página no Facebook. Então, me inscrevi, participei, me reencontrei com o sonho de ser modelo plus size. Após a sessão de fotos, acabei 'descoberta' por uma agência, recebi convites para diversos trabalhos e estou mais feliz que nunca. Hoje, estou ajudando outras pessoas a se enxergar por dentro, pois é a beleza interior a que mais conta.”

PROCESSO


Também professora e escritora, autora do blog Dicas da Carol, a consultora de imagem Carol Meyer destaca que o Projeto Autoestima vem colhendo resultados. “Quando uma pessoa, homem ou mulher, se aceita e até gosta dos pequenos defeitos - afinal, todos nós os temos -, ela consegue atingir uma boa autoestima, o que se reflete em todas as situações e relações da sua vida. E é fundamental se sentir bem para experimentar a plenitude em todos os sentidos.”

Idealizadora do Autoestima, Carol Meyer (4a da esquerda para a direita), com o cabeleireiro Ramiro Cerqueira e participantes do projeto que busca resgatar a autoestima(foto: Ruy Viana/Divulgação )
Idealizadora do Autoestima, Carol Meyer (4a da esquerda para a direita), com o cabeleireiro Ramiro Cerqueira e participantes do projeto que busca resgatar a autoestima (foto: Ruy Viana/Divulgação )

O grupo, que objetiva facilitar o processo de confiança, segurança e aceitação entre os participantes, se reúne uma vez por mês, mantém uma conta no WhatsApp para troca de ideias e apoio mútuo e já fez ações pontuais em comunidades da cidade (com idosos na Igreja São Tarcísio, no Bairro Nova Cintra, e grupo de adolescentes grávidas no posto de saúde do mesmo bairro). Participam como parceiros voluntários o cabeleireiro Ramiro Cerqueira, a psicóloga Lílian Lima, fotógrafos e outros profissionais.

“É muito interessante perceber como a imagem pessoal influencia até o nosso humor. Quando uma pessoa se sente bem consigo mesma, nada lhe parece impossível e ela cultiva por si um grande respeito, reconhece o seu valor”, frisa Carol.

IMAGEM FAKE

A consultora ressalta que um simples corte de cabelo pode ser o gatilho para a redescoberta de si mesmo. “Um caso interessante foi de uma mulher, recém-saída de uma depressão pós-parto, que resolveu dar um basta no papel de vítima e deu a volta por cima. O primeiro passo para começar essa nova era foi cortar o cabelo, um marco. Apesar de o marido não gostar, ela disse que precisava recomeçar e viu que, o que realmente importava, naquele momento, era o que ela pensava sobre si mesma. Foi uma libertação”, conta.

Para a consultora, reconhecer e gostar da imagem que temos como um grande presente é um passo importante para cultivar e levantar o amor-próprio, a autoestima. “Não é uma gordurinha a mais, nem a cor da pele ou um nariz fora do 'padrão' que vai me reduzir ao que não sou. Em um mundo feito de aparências, é necessário mostrar o algo mais, que tem a ver com inteligência, talento, diversidade, simpatia, charme, elegância... É hora de valorizar o que temos de melhor e deixar essa imagem fake de lado. Somos mais do que isso.”

ESPELHO X FELICIDADE

A consultora de imagem lembra: “Não existe como você ser feliz sem se aceitar. E isso não quer dizer que você precisa se encaixar em alguma coisa, apenas valorizar o que tem. Vejo muitas mulheres deprimidas, exatamente por não se aceitarem. Ou por se preocuparem mais com a opinião do outro sobre si”. Carol reforça que a autoestima pode ser trabalhada e fortalecida. “É uma sementinha que precisa ser regada todos os dias. Claro que ela será abalada de várias formas, por meio de relacionamentos abusivos, distúrbios alimentares, chefes intolerantes, pais que cobram o que um filho não pode dar. E é por isso que ela precisa ser alimentada com gestos simples e apoio, muito apoio. Comece elogiando um amigo, incentivando uma criança, sendo amável com alguém. Tudo isso faz diferença”, finaliza.

SERVIÇO
Projeto Autoestima
Para participar, basta acessar o grupo https://chat.whatsapp.com/J0oX2uURw0NEI718fIM0Su ou mandar e-mail para carol@dicasdacarol.com.br.


(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
Entrevista

Lílian Lima - psicóloga clínica, terapeuta cognitivo comportamental

Amor-próprio em alta


1) De que forma a imagem do indivíduo permeia a psicologia?

Há diversas demandas relacionadas a tudo que envolve autoestima, autoimagem e autoconceito, pois o tema permeia emoções e sentimentos.

2) A questão visual/estética acaba extrapolando os limites da aparência por si só,certo?

Sim. Vivemos em um país em que a cultura do magro, do corpo escultural, o que comemos, a forma como nos vestimos e nos enquadramos moldam nosso comportamento. Com isso, nossos desejos acabam se anulando em função desse padrão considerado ideal. Muitas vezes, nem nos reconhecemos, por excesso de desejos e estímulos coletivos.

3) Como essas questões são trabalhadas no Projeto Autoestima?

No projeto, respeitamos cada indivíduo com o que ele tem de melhor, o que não está limitado à aparência, ou ao que fazem ou não. Estimulamos a autoestima e o amor-próprio.

4) Como podemos trabalhar a autoestima?

A autoestima vai muito além de se enquadrar em padrões. Está relacionada a como me vejo, me percebo, me sinto diante de diversos desafios do dia a dia e da vida. Quanto mais me conheço, mais desenvolvo minhas potencialidades e diferencio minha imagem individual da coletiva (a ideia de comparação). É importante ressaltar também que a autoestima não está ligada a cultura, questões financeiras, posses, bens e finanças. Pelo contrário, tem a ver com autoconhecimento: à medida que me conheço, mais valorizo minhas potencialidades.

5) Em que medida o autoconhecimento e a autoaceitação impactam na qualidade de vida do sujeito?

Como disse antes, conhecer-se é fundamental para ter autoestima: quanto mais me conheço, mais chances de conviver de forma harmônica com meus desejos e minhas limitações. Porque é importante pensar também que somos seres com potencialidades altas e baixas. Por exemplo, posso ser excelente psicóloga, mas um fracasso como jogadora de basquete. Isso não significa que minha autoestima estaria comprometida no todo. Quando me conheço, reconheço que tenho potencialidades para algumas questões e não para outras. E quanto mais estima tiver sobre mim, mais me sentirei feliz. É isso que buscamos trazer para o projeto e as pessoas envolvidas nele.

6) A beleza vai além da aparência, certo? Tem a ver com autocuidado, autocarinho?

Sim. Lembra-se da imagem do gatinho que se olha no espelho e vê um leão? Tem a ver como ele se vê, se sente, se idealiza. Não preciso me submeter a procedimentos para me tornar a Gisele Bündchen. Mas posso me sentir linda e poderosa como ela. Cuidar-me diariamente tem tudo a ver com carinho, e não estou falando de ter roupas caras ou de marca, mas sim de me vestir para me sentir feliz, realizada, confortável. E quando me conheço, tenho meu próprio estilo, me sinto bem com ele, tudo fica mais leve e gostoso.

A imagem reflete o interior
Comprar demais pode estar relacionado a insatisfações e até a distúrbios emocionais. Para psicanalista e consultora de estilo, autoconhecimento é a chave para um visual poderoso

"Cada vez mais, é necessário consumir de forma responsável. O que vale é mostrar personalidade por meio da roupa, do cabelo, da atitude" - Míriam Lima, psicanalista e consultora de imagem (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press )
O interesse de Míriam Lima pela moda nasceu na infância, na loja de tecidos do avô. Com o tempo, ela passou a criar e reformar as próprias roupas. Adulta, se tornou psicanalista e, mais tarde, consultora de imagem e estilo. Uniu o gosto pela estética ao estudo do comportamento humano. E é desse misto de experiência que crava uma máxima: “Imagem é percepção. Como percebo a mim e ao outro. Contudo, essa percepção é variável, pois a maneira como as pessoas se percebem é diferente. Tem a ver com a própria história de vida, com questões inconscientes e complexas. Valores”, destaca.

A consultoria proposta por Míriam não atende a clientes que querem apenas repaginar o visual exterior. Por isso, o trabalho em si é precedido de encontros e entrevistas, em que a profissional convida a mulher a falar sobre si mesma. “A ideia final é chegar a uma identidade visual coerente, genuína e em acordo com a personalidade e com quem ela é de fato. Não gosto de aplicar apenas a consultoria técnica, mas facilitar o processo de levar a cliente a se apropriar da própria história de vida, a entender por que está se comportando de um jeito ou outro – usando sempre o mesmo modelo ou comprando demais, por exemplo. E isso para que a mulher possa se conhecer mais. Meu trabalho é ajudá-la a entender o próprio estilo e abrir o leque de possibilidades de construir a imagem a partir dele.”

EXCESSOS


Míriam acredita que ninguém precisa de 500 roupas no armário e nem de comprar peças a cada lançamento para estar bem-vestida. Um visual coerente também não tem a ver com conta bancária ou roupas de grife. “Um armário com 50 modelos ou menos é mais que suficiente”, aponta. E frisa: “Cada vez mais, é necessário consumir de forma responsável. O que vale é mostrar personalidade por meio da roupa, do cabelo, da atitude”.

A consultora destaca o que considera excessos ou mesmo a presença de alguma questão psicológica que deve ser trabalhada por meio de terapia e não de uma consultoria de imagem.

“Uma pessoa que é escrava da imagem pessoal, que gasta muito tempo pensando na roupa que vai usar, que compra demais, busca tendências de forma insana, se compara com os outros o tempo todo... Essa insatisfação com a própria imagem pode indicar alguma dificuldade psíquica”, afirma.

Nesses casos, Míriam acredita que buscar o autoconhecimento é a chave para um visual poderoso e que deixe a pessoa mais feliz. “Cada caso é único. Muitas vezes, não conseguimos fazer mudanças só com as técnicas de imagem pessoal. Penso que é preciso entender a causa que faz o indivíduo se comportar daquela forma diante da própria imagem. Muitos se endividam para cumprir determinado papel. Ou apresentam insatisfação imaginária com o corpo. Não se enxergam da forma como realmente são. Então, a solução passa por questões internas e não apenas estéticas.”

REPAGINADA

Uma vez descoberta ou renovada, a imagem satisfatória faz um bem danado. É o que garante Lílian Drumond Corrêa, de 48 anos. Advogada há 25 anos, ela procurou a visagista e cabeleireira Wanúbia Sena durante o processo de transição de carreira, do direito para a área de gerenciamento de empresas e gestão de negócios. “O visual do advogado é muito formal. Com a mudança, quis ter uma aparência mais acessível, transmitir suavidade”, conta.

Com a ajuda da profissional, Lílian mudou a cor e o corte de cabelo, além de adotar dicas para a composição do guarda-roupa, usando peças mais alegres e que valorizam o tom de pele. O resultado, conta, foi espetacular. “Senti-me melhor no ato. Estou extremamente feliz, alegre, experimentando um bem-estar enorme. Antes, estava com o aspecto envelhecido, cansado. Agora, todo mundo me acha mais bonita, mais jovem. Já estava no processo de mudança há um tempo. Havia emagrecido, por questão de saúde, e o visagismo coroou essa mudança de postura mesmo, estou muito mais alegre”, celebra.

(foto: Leca Novo/Divulgação)
(foto: Leca Novo/Divulgação)
Personagem da notícia

Wesley Francisco Moraes da Silva, booker de agência de modelos

No universo das modelos


Booker de uma agência de modelos, Wesley Francisco Moraes da Silva lida o tempo todo com beldades de passarela e capas de revista. Revela que, em sua visão, imagem é tudo: o corpo, como a pessoa se veste, a forma como se comunica. Mas lembra que, neste século 21, a personalidade é mais valorizada que os padrões. “Formas perfeitas e corpos muito magros estão ficando de lado. O que mais está sendo observado é o que essas meninas fazem, o que elas representam, como se vestem, o que pensam. Beleza é importante, mas ter segurança e personalidade é fundamental”, analisa. Há pouco, foi o próprio Wesley quem decidiu dar um tapa no visual. O desejo, conta, surgiu após mais um exame de rotina, no qual o médico voltou a falar sobre os problemas de saúde relacionados ao excesso de peso. “Culpava os médicos, mas não fazia a minha parte.” Além dos treinos, ele passou a cuidar da alimentação. Com a nova rotina, fez as pazes com o espelho. “Quando você se sente bem, cada vez mais bonito e disposto, a relação consigo e com o mundo se transforma. Antes, me escondia em um personagem que não ligava muito para estética e saúde. Hoje, me olhando no espelho (leonino que sou) me amo. Ainda não cheguei aonde quero, mas já estou extremamente feliz por alcançar os resultados que tive.”

O que você expressa por meio da sua aparência?

“Visagismo é a arte de criar um visual personalizado, levando em conta características físicas e emocionais”, conceitua a cabeleireira e visagista Wanúbia Sena. Segundo a especialista, o visagismo se relaciona ao rosto e ao equilíbrio das formas, linhas, cores, volumes e texturas, que são a base da linguagem visual usada para construir toda e qualquer imagem que transmite uma intenção. Ela explica que o trabalho gira em torno da pergunta: o que você deseja expressar pela sua imagem? “No entanto, respondê-la não é tão fácil”, afirma. Ela justifica que a dificuldade gira em torno de questões que demandam reflexão sobre como você quer se sentir ou quem é você. “A inquietude das clientes sempre me incomodou: isso combina comigo? O que vai ficar bom? Formei-me em visagismo justamente para buscar essas respostas com mais assertividade. Hoje, a construção da imagem personalizada tem a ver com investigação. Por meio do temperamento, do gestual, do período de vida pelo qual a pessoa está passando.”

No espaço em que atende com hora marcada, o primeiro passo da profissional é avaliar o perfil e a expectativa de cada mulher. Ela comenta ainda que um trabalho de visagismo ideal envolve, além da análise de características físicas, as nuances psicológicas da pessoa, e objetiva a “harmonia da aparência física com a alma do ser”. No contexto, conhecer o temperamento do cliente facilita a comunicação. “É a coerência do conjunto que fortalece a imagem pessoal, intensificando, atenuando e harmonizando as características que a compõe.”

REPROGRAMAÇÃO DE CRENÇAS

Também no meio profissional a imagem externa reflete o interior do indivíduo. Júlia Lobo, publicitária, master coach e analista de perfil comportamental, diretora da Febracis-BH (escola de formação), afirma que o conceito de imagem pessoal está relacionado a todos os aspectos da vida. “A partir de uma perspectiva básica, a imagem pessoal é a forma como você se vê, sua percepção sobre si mesmo e como você se revela para o outro. E não envolve apenas o visual, englobando a forma como você se comunica verbalmente, por gestos, por meio de comportamentos e crenças.”

Não por acaso, gerenciar essa imagem é um processo que demanda autoconhecimento. “A forma como a pessoa se vê está ligada ao que ela aprendeu, desde a infância, sobre sua identidade.”

Segundo a coach, “o autoconhecimento traz à consciência as crenças limitantes e fortalecedoras de um indivíduo e a possibilidade de mudança. A autoestima pode ser desenvolvida com a consciência de quem você verdadeiramente é, e não sobre o que dizem sobre você”.

De bem com o espelho

Psicanalista e consultora de imagem, Míriam Lima aponta alguns sinais que indicam a insatisfação pessoal com a imagem. Se você se identifica com mais de um, ligue o alerta e faça uma autoavaliação.

» Dar muito valor para a imagem do outro em detrimento da sua (é o outro que é bonito). Veja: nem você é tão ruim e nem o outro é tão bom.

» Insatisfação constante: trocar muitas vezes de roupa antes de sair (insatisfação com as formas do corpo); Avalie: esse quadro não se resolverá com mais compras. Demanda uma investigação mais profunda.

» Lembre-se: pessoas que não se conhecem tendem a ser escravas da imagem e a se preocupar demais com a opinião dos outros sobre elas.

» Comparar-se com celebridades não leva ninguém a melhorar a autoestima; Perceba que aquela imagem é produzida e foge totalmente ao padrão comum.

» Comprar demais e, no entanto, usar sempre o mesmo padrão de roupa. Não há nada contra compras, mas lembra que o excesso e a necessidade de estar sempre usando a última tendência é um mau sinal.

Cinco dicas para ter um guarda-roupa sustentável

1)
Conheça seu estilo, seu tipo físico e as melhores cores para seu tom de pele, assim, aumentam-se as chances de ter peças que realmente vai usar.

2)
Procure usar a teoria do guarda-roupa cápsula, em que as possibilidades de combinações aumentam e você usa mais vezes o que já tem. Por exemplo: três partes de baixo (duas calças e uma saia), quatro partes de cima (blusas, camisas ou camisetas) e três terceiras peças (jaquetas, blazers, cardigans ou coletes), que tudo combine entre si. Dessa maneira, você terá até 48 looks. Acredite!

3)
Repita roupa! está na moda.

4)
Use a teoria dos 6Rs: Repensar, Reutilizar, Reparar, Reduzir, Reciclar e Recusar. Tente repensar em usar de maneira diferente o que já tem. Reaproveitar peças customizando ou consertando, reduzir as compras de peças novas, revender e até recusar aquilo que não tem a ver com seu estilo.

5)
Ao comprar algo novo, pesquise sobre a marca, se eles têm alguma preocupação com sustentabilidade em relação aos materiais utilizados, à mão-de-obra, economia circular etc. Frequente brechós ou lojas de revenda. Há várias peças maravilhosas por aí!

Fonte: Silvia Scigliano, vice-presidente da Associação Internacional dos Consultores de Imagem do Brasil (AICI)

Três perguntas para...

Júlia Lobo, analista de perfil comportamental e master coach

(foto: Leticia Almeida/Divulgação)
(foto: Leticia Almeida/Divulgação)
1) Há dicas e ou sinais de que o sujeito está com problemas para comunicar a própria imagem?

Quando a pessoa comunica algo que ela não é, quando não existe congruência, podemos considerar um problema para comunicar a própria imagem. Nesse caso, geralmente, as roupas, falas, comportamentos e resultados não têm uma ligação entre si.

2) Do ponto de vista do coach é possível trabalhar o resgate e ou a construção dessa imagem?

Sim, a partir da reprogramação de crenças. O coach Integral Sistêmico trabalha diretamente no fortalecimento da sua programação mental sobre sua identidade, capacidade e merecimento. Tudo começa pelo autoconhecimento sobre esses aprendizados, depois vem o impacto da autorresponsabilidade, e a possibilidade de mudar, seguida de ações que fortalecem as novas crenças e novos aprendizados.

3) De que forma a harmonia entre sujeito e imagem impacta a qualidade de vida?

Quando você associa os seus comportamentos, sentimentos e pensamentos sobre si mesmo de maneira fortalecedora e congruente, você muda os seus resultados. Você passa a ter inteligência emocional e sucesso em várias áreas da sua vida e do seu dia a dia, e isso passa a ser um estilo de vida.


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