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Estado de Minas

Parece mas não é

PRODUTOS DIVULGADOS E VENDIDOS COMO SAUDÁVEIS PODEM FAZER MAL À SAÚDE. LER ATENTAMENTE O RÓTULO É UMA DAS SAÍDAS PARA VOCÊ SABER O QUE ESTÁ COMENDO


postado em 04/08/2019 04:06

A estudante de nutrição Adma Maciel verifica barra de cereal no laboratório da Escola de Enfermagem da UFMG(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
A estudante de nutrição Adma Maciel verifica barra de cereal no laboratório da Escola de Enfermagem da UFMG (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)






Eles parecem inocentes. Só parecem! A diversidade de produtos no mercado vendidos como saudáveis e nutritivos é para deixar qualquer um, no mínimo, confuso diante de tanta opção. Mas será que esses alimentos são mesmo tão saudáveis quanto se apresentam? Hoje, o Bem Viver leva aos leitores um diagnóstico de especialistas da área de saúde, que alertam sobre o risco de acreditar na embalagem e acabar levando para casa gato por lebre.
O lema “descasque mais e desembale menos” já é de domínio da maioria. No entanto, a oferta de produtos industrializados, exibidos de forma sedutora, faz, de muitos, presas fáceis. O poder da publicidade e da propaganda, campanhas de marketing e mesmo indicações de influenciadores, famosos e subcelebridades são uma força-tarefa quase impossível de ignorar. Difícil desconfiar de uma lasanha integral de creme de espinafre (prato pronto e congelado)? Da onipresente barrinha de cereal? E o que falar de um iogurte integral de mel? A princípio, são escolhas saudáveis e acertadas, não é mesmo?

Aí é que está o “x” da questão. Esses produtos só parecem benéficos à saúde. Conhecer os ingredientes de cada um é a única escolha segura para consumir alimentos de qualidade. O ideal é sempre investir em alimentos frescos, in natura. Quando não for possível escapar do industrializado, opte por aqueles minimamente processados. Ou seja, com baixa dose de sal, açúcar e gordura. Fuja sempre daqueles com conservantes, estabilizantes, corantes, edulcorantes e aromatizantes.

A saída para não acreditar em produtos ditos “mágicos” é criar o hábito de ler o rótulo. Solução segura ao alcance de todos. A regra é simples: os primeiros ingredientes listados estão presentes em maior quantidade. A “inocente” bolacha integral tem, em sua receita, nesta ordem: farinha de trigo, farinha de trigo integral, gordura vegetal, açúcar, açúcar invertido, sal, fermentos químicos, emulsificantes e aromatizantes. Fique atento. O fato de a farinha de trigo aparecer em primeiro lugar, antes mesmo da integral, já indica algo estranho. Sem falar que contém açúcar invertido, que é um xarope quimicamente produzido a partir do açúcar comum, a sacarose, e de um dissacarídeo, formado por dois açúcares simples. Enfim, é uma espécie de xarope produzido a partir do açúcar. Não tem cara de saudável, tem?

O peito de peru tão consumido, principalmente, em sanduíches “naturais” e por quem está de dieta ou numa onda fitness, na realidade é um risco. Analisando o rótulo, você vai encontrar como ingredientes: peito de peru, água, sal, açúcares, proteína vegetal de soja, regulador de acidez, estabilizantes, espessantes, antioxidantes, realçador de sabor glutamato monossódico, aromas naturais e/ou artificiais, conservante nitrito de sódio e corantes. Dos 13 ingredientes descritos, apenas cinco não são artificiais. Gastar alguns minutos do seu tempo para ler o rótulo e, assim, melhorar e cuidar do que vai comer é o mínimo que você pode fazer por você mesmo.

OBESIDADE 

Quem pode escolher não deve deixar que o outro faça por ele. O problema é quem não tem esse privilégio. Grande parte da população brasileira é obrigada a escolher alimentos mais acessíveis economicamente. Ou seja, os ultraprocessados, o que quer dizer: os mais baratos, sem valor nutritivo, com alto teor de açúcar, ricos em sal e gordura e com muitos ingredientes químicos. Uma das consequências é o fato de o Brasil ter se tornado um país que tem de lidar com a epidemia da obesidade e da desnutrição ao mesmo tempo. Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, do Ministério da Saúde, mostra que a prevalência da obesidade voltou a crescer no país. Houve aumento de 67,8% nos últimos 13 anos, saindo de 11,8% em 2006 para 19,8% em 2018. O crescimento maior foi entre os adultos de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos, com 84,2% e 81,1%, respectivamente. A pesquisa registrou, ainda, crescimento considerável de excesso de peso entre os brasileiros – mais da metade da população, 55,7%. Um aumento de 30,8%, quando comparado com percentual de 42,6% no ano de 2006.

Em julho, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e outras quatro agências da Organização das Nações Unidas (ONU) – Fida, PMA, OMS e Unicef – lançaram dados globais sobre a fome e outras formas de má nutrição. Os números do relatório impressionam em cada um dos extremos: enquanto cerca de 820 milhões de pessoas sofreram de fome no mundo em 2018, o número de pessoas obesas é de 830 milhões.

É fato que nem sempre as pessoas consomem só o que é saudável. Para equilibrar aceitáveis deslizes – ninguém é de ferro, não é mesmo? –, a busca do equilíbrio tem de ser uma constante. Assim, o Guia alimentar para a população brasileira, de 2014, propõe três regras básicas: a primeira, opte por água, leite e frutas no lugar de refrigerantes, bebidas lácteas e biscoitos recheados; a segunda, não troque comida feita na hora (caldos, sopas, saladas, molhos, arroz e feijão, macarronada, refogados de legumes e verduras, farofas, tortas) por produtos que dispensam preparação culinária (sopas “de pacote”, macarrão “instantâneo”, pratos congelados prontos para aquecer, sanduíches, frios e embutidos, maioneses e molhos industrializados, misturas prontas para tortas) e, por fim, a terceira, fique com sobremesas caseiras, dispensando as industrializadas. Aí, um dia ou outro, pode até petiscar um salaminho, se for algo insubstituível para você. Se não, vale trocar por um queijo artesanal. Fica a dica.



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