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Estado de Minas OPINIÃO SEM MEDO

Vacina clandestina: parte da nossa elite é pior que o vírus

Gente rica, estudada e privilegiada, em um País tão pobre, mostra-se mesquinha e imerecedora da sorte que tem


01/04/2021 16:58 - atualizado 02/04/2021 08:07

(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Toda generalização, mais do que burra, é injusta. Dizer que nossas elites empresarial, econômica, política, artística, jornalística e intelectual não prestam, é uma acusação injusta com tantos que, sim, prestam. E muito!

empresários e há empresários. Há Salim Mattar e Rubens Menin, para ficarmos com exemplos mineiros, e há os irmãos Lessa, responsáveis pela compra da vacina fake. 

Enquanto os primeiros, bilionários que são, dão exemplos de boas práticas e de cidadania todos os dias, os segundos, Rômulo e Robson, nos brindam com o que há de pior.

Mattar já tem idade para se vacinar e aguarda (ou aguardou e se vacinou) seu lugar na fila como qualquer brasileiro anônimo. Menin, com 65 anos, não se aproveitou de seu prestígio e fortuna para furar a fila, como fizeram os convidados da dupla de egoístas.

Me lembro sempre de Marcelo Odebrecht, um rapaz nascido e criado em berço de ouro, educado nas melhores escolas de administração do mundo e herdeiro do grupo que leva seu sobrenome.

Ao invés de usar toda a bênção que a vida lhe deu para o bem, e gerar emprego e renda de forma honesta, internacionalizando a empresa e divulgando o nome do Brasil no exterior, usou-a para o mal. Tudo o que aprendeu, empregou no aprimoramento do sistema de corrupção de sua empresa.

Há políticos e há políticos. Há Cristovam Buarque e Henrique Meirelles, e há Lula, Bolsonaro, Aécio, Lira, Calheiros, Collor, Jefferson, Pimentel, Sarney, Cabral… a lista é infinita!

Lula me lembra Marcelo, o Odebrecht. O ex-corrupto e ex-lavador de dinheiro tinha tudo - e mais um pouco - para ser o maior presidente do Brasil. Poderia ter se tornado um estadista de classe mundial, admirado e respeitado em todo o planeta. Mas, como o filho de Emílio, usou sua popularidade e trânsito político para o mal.

O petista poderia ter mudado o rumo do País, como fez FHC. Contava com apoio do Congresso, dos empresários e do povo. Poderia ter reformado a Previdência, as leis trabalhistas, o arcabouço tributário. Poderia ter privatizado todas as porcarias que só ele, com sua “divindade” messiânica, conseguiria privatizar, sem transformar o País em uma praça de guerra sindical.

Mas não. O meliante de São Bernardo preferiu o caminho do enriquecimento ilícito e da sede de poder eterna. Destruiu sua própria imagem e a economia do Brasil. Pior. Destruiu a fé e a esperança de muita gente nos políticos brasileiros, o que só contribuiu para o processo de despolitização do povo, porta de entrada para os Bolsonaros da vida.

Há banqueiros e há banqueiros. Há Guilherme Benchimol, da XP, e há Edemar Cid Ferreira, do falido Banco Santos. Assim como há jornalistas como Merval Pereira e, argh!, Paulo Henrique Amorim (que o capeta o tenha). Há o Samy Dana e há, novamente argh!, Rodrigo Constantino. E há intelectuais como Pondé, e há… Olavo de Carvalho. Ai!

O diabo é que, ainda que a parte podre das nossas elites seja minoria, essa gente, pela influência política e financeira que possui, e pela capacidade infinita de ser o traste que é, causa danos irreparáveis à sociedade e ao País, e acaba induzindo o pensamento generalizado. Não à toa, toda a imprensa, hoje em dia, ser alvo de ira. Como não à toa, todo empresário ser visto como corrupto, sonegador e explorador.

O Brasil é pródigo em muitas coisas; boas e ruins. Há muita gente por aqui dando muito duro, todos os dias, em busca de uma sociedade e de um país melhor. Não podemos permitir que os maus exemplos, que são muitos também, pareçam ser ainda maiores, ou pior, absolutos.

Se você leitor amigo, leitora amiga chegou até aqui, e já pedindo desculpas por ter me alongado bastante, me permita tomar mais alguns segundos da sua preciosa atenção e sugerir, ou quase implorar, para que leia, com bastante carinho, a letra da música “O que é, O que é?” do genial e saudoso Gonzaguinha. Ela resume, magistralmente, a forma como devemos tentar suportar estes dias e certas pessoas. Desfrutem!

“Eu fico com a pureza da resposta das crianças. É a vida, é bonita e é bonita. Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz. Ah meu Deus! Eu sei, eu sei, que a vida devia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita: É bonita, é bonita é bonita.

E a vida; e a vida o que é, diga lá, meu irmão? Ela é a batida de um coração? Ela é uma doce ilusão, êh, ôh? Mas e a vida… Ela é maravida ou é sofrimento? Ela é alegria ou lamento? O que é, o que é, meu irmão?

Há quem fale, que a vida da gente é um nada no mundo. É uma gota, é um tempo, que nem dá um segundo. Há quem fale, que é um divino mistério profundo, o sopro do criador numa atitude repleta de amor.

Você diz que é luta e prazer. Ele diz que a vida é viver. Ela diz que melhor é morrer, pois amada não é, e o verbo é sofrer. Eu só sei que confio na moça e na moça eu ponho a força da fé. Somos nós que fazemos a vida, como der, ou puder, ou quiser.

Sempre desejada, por mais que esteja errada. Ninguém quer a morte, só saúde e sorte. E a pergunta roda. E a cabeça agita. Eu fico com a pureza da resposta das crianças: É a vida, é bonita e é bonita.”

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