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Estado de Minas OPINIÃO SEM MEDO

Ao inocentar Lula, Fachin agrada menos e desagrada mais

O STF se tornou uma casa política. Os ministros preferem o jogo de xadrez à Constituição


09/03/2021 07:17

"Nomeado por Dilma Rousseff, Edson Fachin sempre foi próximo a Lula e às esquerdas" (foto: wikimedia commons)


Pois é. Lula não é mais considerado culpado. Ao menos enquanto valer a decisão proferida por Edson Fachin que anulou os seus processos na Lava-jato de Curitiba. Contudo, isso não significa que é inocente. Ao contrário! Mas sabemos como a banda toca nas esferas judiciais de Brasília. Provavelmente, o petista jamais assistirá a uma condenação outra vez. Ou seja, na própria lápide, ele poderá escrever: “a alma mais honesta deste País”.

O PT, petistas e seus satélites, costumeiramente mentem sobre fatos incontestáveis a fim de emplacarem suas narrativas sempre distorcidas da realidade e da história. Com uma decisão judicial dessas, então, aí é que irão "deitar e rolar" em torno da falácia sobre a inocência do líder do maior bando de assalto aos cofres de um país, em todo o mundo e em toda a história ocidental. Lula será declarado um mártir, e Moro, um déspota da lei.

Ministro Fachin  


Nomeado por Dilma Rousseff, Edson Fachin sempre foi próximo a Lula e às esquerdas, mas igualmente um ferrenho defensor da Lava-jato. Sua decisão poderá favorecer todos os lados, inclusive Moro. Mas não é razoável considerar que um juiz federal de primeira instância, três desembargadores de segunda instância e cinco ministros do STJ tenham se enganado tanto. Fachin ignorou solenemente todos os seus colegas e decisões anteriores.

Porém, há sempre que se olhar “o todo”, sobretudo nas questões envolvendo a politicagem que rola solta, há tempos, na Suprema Corte. O ministro até poderá não ser reconhecido por isso, mas que parece que está mirando a proteção da Lava-jato e, no limite, a reputação de Moro, isso parece. E mais: talvez esteja atirando no que viu (a elegibilidade e até mesmo a inocência de Lula), mas igualmente acertou no que (também) viu.

STF e Bolsonaro

É público e notório, que a dupla Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, com auxílio do novo ministro Kássio Nunes Marques, indicado pelo verdugo do Planalto, Jair Bolsonaro, iria lograr êxito em não só declarar Sergio Moro suspeito como em abrir caminho para as anulações de centenas de decisões proferidas, não só contra Lula, mas também contra figurões do mundo político e empresarial, muitos deles amigos da Corte, fisgados na Lava-jato.

Estava em curso, portanto, o assassinato oficial, e judicial, da reputação de Sergio Moro. A partir do momento em que se tornou desafeto do amigão do Queiroz, o ex-ministro da Justiça assistiu à aposentadoria do decano Celso de Mello se tornar a porta que o levaria ao inferno, quando Bolsonaro nomeou mais um ministro anti-Lava-jato para o Supremo. A ideia sempre foi emplacar um “voto de minerva” no eterno 2x2 da segunda turma do STF.

Sergio Moro


Após sair do governo, pelas razões que cada vez mais conhecemos, e uma certa mansão de seis milhões de reais está aí para comprovar, Moro se tornou, além de inimigo número 1 do bolsonarismo - já que, hoje em dia, Lula é um aliado -, um forte possível rival político-eleitoral do devoto da cloroquina. É, segundo diversas pesquisas, o único dos atuais pré-candidatos capaz de bater o maníaco do tratamento precoce nas eleições de 2022.

Por isso, aniquilar a imagem de “algoz da corrupção”, que Sergio Moro tem, era fundamental para as pretensões político-eleitorais do marido da receptora de cheques de milicianos, bem como para as pretensões libertárias dos apaniguados de toga dos super mafiosos brasileiros. Quando essa turma se junta, é para valer. As expressões “o sistema é foda” e “o mecanismo é bruto” não surgiram por acaso. O Brasil, como se diz, não é para amadores.

Eleição presidencial 


Se de bunda de neném e de cabeça de ministro, ops!, de juiz, ninguém sabe o que esperar, das urnas muito menos. As eleições de 22 estão próximas, sim, mas infinitamente distantes, já que vivemos tempos de indefinições tão graves quanto a própria relação entre a vida e a morte. A pandemia, sobretudo no Brasil, com tantas consequências sanitárias e econômicas, será determinante para qualquer cenário eleitoral que se pretenda.

Particularmente, creio que o sonhado embate entre a cleptocracia lulopetista e o nazifascimo homicida bolsonarista não está assim tão garantido. A despeito da enorme “força eleitoral” de ambos os lados, o que é terrível para o País, não descartaria uma espécie de insurgência da parte que presta - e que pensa com mais de dois neurônios - do eleitorado nacional, que é a ampla maioria, inclusive. Algo como 60% da população apta a votar.

Finalmente encerro 

Moro, Huck, Mandetta e outros nomes de centro poderão, sim, ser beneficiados de alguma forma com essa bandalheira toda. Não será pouca a indignação da população com mais um caso de impunidade extrema, e é muito pouco crível que Jair Bolsonaro, ao lado do Centrão, consiga enganar novamente o eleitor com o papinho de que é contra a corrupção. Quem tem Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro tem um telhado de vidro enorme. 

Acredito tanto, infelizmente, que o País estará tão “lascado” em 2022, que há uma chance relativamente boa de o “tiro” do Fachin sair pela culatra. Com Bolsonaro desgastado e Lula odiado, os eleitores poderão - e assim espero!! - migrar para uma outra via eleitoral, fora dos extremos nefastos, e fazer uma escolha não baseada em ódio e idolatria, mas em um mínimo de racionalidade e bom juízo. Só espero que Deus também pense assim. O STF, eu tenho certeza que não.

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