Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

Desenhando o dólar alto

Por que a moeda brasileira vem perdendo tanto valor e quais os impactos dessa desvalorização


postado em 06/03/2020 19:15 / atualizado em 06/03/2020 20:29

Fato é que investir no Brasil não é mais atrativo para o capital externo(foto: Pixabay/Divulgação )
Fato é que investir no Brasil não é mais atrativo para o capital externo (foto: Pixabay/Divulgação )
Sempre que o mundo desenvolvido espirra, o Brasil fica gripado. Com o perdão do trocadilho em tempo de coronavírus, as turbulências internacionais têm afetado, sim, nosso câmbio, mas não é só isso.
 
Se você acredita que as declarações desastrosas e o papinho adolescente rebelde do presidente Bolsonaro são a causa, errou. Que não contribui positivamente, isso é certo, mas o comportamento de botequim do nosso presidente significa tanto para o movimento global de câmbio quanto sua própria relevância no debate, ou seja, nada. Fosse Bolsonaro um lorde inglês e o Dólar continuaria sua trajetória de Rocket Man.
 
JUROS
 
Finalmente deixamos de ser o paraíso mundial do rentismo fácil. Historicamente o Brasil pagava juros exorbitantes com riscos relativamente baixos. Considerados inflação, impostos e taxas de administração, a rentabilidade líquida de uma aplicação financeira em renda fixa, hoje, beira 2%. Se o seu dinheiro for muito bem administrado, 3%. Se não for, praticamente zero. 
 
Fato é que investir no Brasil não é mais atrativo para o capital externo. Convenhamos, o investidor comum brasileiro não tem muita escolha, mas o investidor institucional internacional, tem. Se não dá mais para ganhar rios de dinheiro por aqui, tentará ganhar acolá, ainda que sejam apenas córregos. Por quê?
 
CRESCIMENTO 
 
Ora, porque sabemos, desde criancinhas, quando nossas tias de geografia nos ensinaram, que “os rios correm para o mar”. O capital é como um glutão obeso, sempre guloso, atrás de mais calorias. Se não é mais possível ganhar dinheiro emprestando a juros fartos, é necessário colocar esse dinheiro para girar. Para isso, é necessária uma economia pujante.
 
Após a hecatombe financeira do lulopetismo, os governos Michel Temer e agora Jair Bolsonaro não conseguiram fazer o País retomar o crescimento sólido e vertiginoso. O PIB médio não ultrapassa a faixa do 1% de crescimento. O desemprego não arrefece e a renda continua em queda. Para piorar, o endividamento da população é alto e a capacidade de investimento do setor público baixa. 
 
Com tal cenário, ao menos em curto prazo, é muito pouco provável que o Brasil cresça a patamares que estimulem os investidores externos a retornarem seus preciosos dólares para o País. E você sabe, né? Dólar entrando, Real valorizado. Dólar saindo, adeus Disney. Mesmo que sua profissão não seja a de empregado doméstico, certo, Paulo Guedes?
 
RECESSÃO MUNDIAL
 
A ameaça de uma recessão econômica global vinha sendo adiada pelos bons resultados da economia americana. Porém, a proliferação do coronavírus derrubou de vez a locomotiva chinesa e abalou toda a cadeia produtiva ao redor do mundo.
 
O impacto no comércio exterior atinge o Brasil de forma ainda mais severa, pois dependemos muito das exportações agrícolas e de commodities, sobretudo para a China. Tudo isso somado desequilibra sobremaneira nossa balança comercial e interfere radicalmente no câmbio.
 
Como se não bastasse, a fim de evitar prejuízos ainda maiores, empresas exportadoras - ou que possuem dívidas externas - antecipam fechamentos cambiais, o que pressiona definitivamente o mercado de Dólar.
 
NÃO TÁ FÁCIL PRA NINGUÉM
 
Os prejuízos globais pelo coronavírus alcançam cifras dramáticas. Há previsões que giram em torno dos 150 bilhões de dólares. Diversos setores estão praticamente imobilizados por falta de matérias-primas. Outros, como o turismo, assistem, atônitos, a quedas jamais vistas. 
 
Companhias aéreas e de cruzeiros marítimos; parques de diversão e produtores de eventos, como turnês de bandas, fecham as portas e cancelam os shows. As bolsas de valores americanas ensaiaram quedas que não ocorriam desde a crise global de 2008. A fuga de ativos de risco cresce e fortalece o “porto seguro” mundial; o onipresente... Dólar.
 
BRASIL
 
Já falamos de juros e crescimento. E até de bananas - não a fruta; as do presidente Bolsonaro. Mas há o fator político. O congresso continua em sua trajetória de “cara de paisagem”. As reformas andam, quando andam, a passos de cágado. Não sem a devida responsabilidade do Executivo, igualmente ligeiro como Rubens Barrichello.
 
Dólar alto significa importações caras. E não. Não estou preocupado com o vinho francês ou o bacalhau português. O buraco é mais embaixo. Falo de trigo, por exemplo. Ou combustíveis. Ou quaisquer outros insumos que significam aumento de preços na cadeia produtiva. Mesmo o álcool, açúcar, soja, proteína animal, abundantes por aqui, sofrem com as oscilações cambiais, já que seus preços são referenciados pelo Dólar.
 
Como a atividade econômica anda fraca, e a produção acompanha a demanda, ainda não sentimos o efeito do câmbio nos preços do dia a dia. A inflação oficial continua sob controle e não há, até o momento, a preocupação de um grande salto. É o lado bom (se é possível usar este adjetivo) de uma economia estagnada como a nossa.
 
SEU BOLSO
 
Se você possui dívida em Dólar, sinto te contar, mas não há muito o que fazer no momento. Antecipar parcelas vindouras talvez seja uma solução, mas exige dinheiro em caixa. Já quem possui investimentos em moeda estrangeira, pode ser uma boa hora para realizar um bom lucro. E se subir mais? Bem, melhor um pássaro na mão, não é mesmo?
 
Para quem vai viajar e não comprou moeda, o momento não poderia ser pior. É o tal “se correr o bicho pega; se ficar o bicho come”. O Real já se desvalorizou demais e encareceu barbaramente sua viagem. Porém, nada indica que o ciclo de baixa terminou. Talvez a melhor decisão seja a de não viajar. Mas se for uma alternativa inviável, aceite a sugestão da ex-ministra Marta Suplicy: “relaxe e goze”. E abuse do ditado popular: “quem converte, não diverte’.
 
Filhos estudando no exterior? Minha solidariedade, mas a situação é a mesma de quem precisa viajar e comprar moeda estrangeira. Alternativamente, incentive o(a) pimpolho(a) a economizar em tudo o que puder e até mesmo buscar alguma fonte de renda nos horários livres. Tá cheio de bico pra fazer! Se não resolve, ao menos ajuda.
 
FUTURO
 
Bem… a Deus pertence! 
 
Se eu soubesse, estaria embarcando, neste momento, rumo a férias paradisíacas numa ilha do Pacífico Sul. Como não sei, vou de chopinho mesmo, ali no Boteco do Zé, que é bão dimais também. E aceita cartão, hehe.
 
Bora lá?

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade