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Estado de Minas OPINIÃO SEM MEDO

A cultura e os neandertais do ódio nas redes sociais

Ninguém é obrigado a assistir ao que não quer. Que tal passar mais tempo apreciando o que gosta e menos (tempo) xingando o que não (gosta)?


postado em 17/01/2020 06:00

O Jesus retratado no Especial de humor do Porta dos Fundos desagradou muita gente(foto: Netflix/Divulgação)
O Jesus retratado no Especial de humor do Porta dos Fundos desagradou muita gente (foto: Netflix/Divulgação)

A penetração da internet, em absolutamente todos os estratos sociais, ainda que, obviamente, em maior ou menor grau, assim como a massificação das redes sociais e aplicativos de mensagens, deram forma e conteúdo a comportamentos individuais antes despercebidos.

O chamado ódio é o exemplo mais aparente destas idiossincrasias. Ódio, neste caso, não é aquele sentimento que nos faz enrubescer as bochechas, acelerar o coração, esbugalhar os olhos e sentir aquele desejo incontrolável de tascar um sopapo na fuça de alguém, mas um comportamento coletivo agressivo, sobretudo no ambiente virtual.

Recentemente, a cultura tem sido alvo frequente de ataques furiosos nas redes sociais. O privilégio da intolerância e da ira não é mais do futebol e da política. Que digam os filmes Democracia em vertigem e Especial de Natal: a primeira tentação de Cristo, e seus autores (Petra Costa e Porta dos Fundos), coincidentemente ou não, militantes de esquerda.

Em anos passados, boa parte do Brasil, que dispõe de tempo, mínima capacidade cognitiva e acesso às redes sociais, dedicou energia e meses ao debate da censura a exposições de arte ou peças teatrais, por apresentarem conteúdo sexual explícito e impropriedade de classificação etária. Hoje, a treta é por causa de religião e narrativa política.

Não é do meu gosto ‘encenação teatral’ onde ‘atores’ introduzem os dedos nos ânus uns dos outros. Por isso não vou e, consequentemente, não levo a minha filha de doze anos. Tampouco me aprazem filmes que debocham de religião ou carregam para as telas uma visão política falsa e dissonante da minha. Igualmente não os assisto, e assim não torro tempo e dinheiro me irritando.

Ato contínuo, como não vi e não me incomodei com o que não considero útil, não trago comigo o sentimento e o comportamento do ‘ódio’. Por isso, não inundo as redes sociais de comentários energúmenos e nem entulho o Poder Judiciário com ações mesquinhas para satisfação pessoal ou favorecimento político.
Democracia em vertigem, filme de cineasta mineira, está indicado ao Oscar 2020(foto: Netflix/Divulgação)
Democracia em vertigem, filme de cineasta mineira, está indicado ao Oscar 2020 (foto: Netflix/Divulgação)


Se eu tivesse o poder de influenciar alguém, o faria no sentido de mais tolerância e menos egocentrismo. Que cada um expresse sua ‘arte’ da forma que bem entender, desde que dentro das leis, claro, e que receba apenas o que merece de quem não gostar: o desprezo.

Xingamentos e pedidos de censura são expressões toscas desse tal ‘ódio’. Para mim, exercido por gente bocó, que emocionalmente ainda não saiu das cavernas. Que fiquem por lá e deixem o mundo civilizado (com todas as suas visões e narrativas) em paz.


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