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Estado de Minas BARBÁRIE

Caso Moïse Kabagambe expõe para o mundo a crueldade do racismo brasileiro

Não podemos aceitar, indiferentes, o que acontece do nosso lado, na nossa frente. Devemos ter medo de ser coniventes


06/02/2022 04:00 - atualizado 06/02/2022 03:34

Na Barra da Tijuca, cidadão faz selfie diante da barraca onde Moïse Kabagambe foi cruelmente assassinado
Cidadão faz selfie diante da barraca onde Moïse Kabagambe foi cruelmente assassinado, no Rio de Janeiro (foto: Mauro Pimentel/AFP)

Uma das notícias mais horríveis da semana que passou foi a do rapaz congolês espancado até a morte no Rio, na Barra da Tijuca. Moïse Kabagambe, de 24 anos, fugindo da guerra e da miséria no seu país, emigrou para o nosso.

Veio morrer em nossas praias, vítima de violência injustificável. Um ato de covardia de quatro pessoas contra ele. Só podemos entender que ali, pela agressividade do ataque e o ódio demonstrado, tratava-se do antigo e sempre negado racismo. E da pior espécie.

Um racismo estrutural inculcado e inconsciente, latente em nossa cultura que se diz tolerante, que vem do tempo das senzalas e, ainda hoje, habita o imaginário coletivo escravagista, patriarcal e preconceituoso.

Não podemos mais ser permissivos ou ignorar que a discriminação negada, quando escapa da censura, sai ainda mais descontrolada do que quando admitida. E continua provocando cenas como as exibidas na calçada de uma das mais belas cidades do mundo. E que, infelizmente, exibe a face horrenda no quesito violência, bandidagem, impunidade. Esperamos, mais uma vez, que tal impunidade não triunfe.

O racismo negado leva a atitudes assim por parte de pessoas que recalcaram valores contraculturais que, no entanto, permanecem fora da consciência, ignorados, mas podem ser ativados entrando em ação quando estimulados por alguma situação que os incite.

O ódio contra pretos, gays, transexuais, travestis, enfim LGBTQ+s e mulheres, mostra sua cara continuamente. Homens, brancos, machistas, patriarcais e que sempre se acharam donos do mundo continuam desejando manter seu poder intocado.

Ainda há quem se oriente por valores ultrapassados, em posições férreas, duras e dominadoras. Ainda há quem exerça a força para se sentir macho. O Brasil apresenta índices altíssimos de assassinatos praticados contra quem ousa ser diferente. Podemos citar várias outras vítimas dessa barbárie.

É incrível como a ignorância e o ódio andam à solta em nossas ruas, nos trazendo o desgosto e a indignação de ver tais cenas, quando tantas campanhas de protesto são feitas e divulgadas.

Esse ato mostra a selvageria, o ódio daquelas pessoas que se uniram para dar vazão a toda covardia e perversão contra um imigrante jovem e trabalhador, agredido por requerer seus direitos. Depois de morto foi amarrado! Crime cometido a céu aberto. Pessoas que passavam por aquela barraca não se moveram para lhe dar socorro. Houve até quem filmasse.

Moïse veio em busca de paz e condições melhores de vida com sua família, mas encontrou o pior dos mundos. Apesar das belas paisagens, andam entre nós escravagistas, machistas e assassinos.

O dia seguiu e o proprietário do quiosque trabalhou normalmente, com o rapaz morto e amarrado atrás de sua barraca. Não é monstruoso? Pudesse eu, era prisão perpétua.

E mais... De acordo com um parente, quando a família foi ao IML, encontrou o corpo sem órgãos, sem autorização da mãe, nem dele como doador. Onde estão os órgãos? Em menos de 72 horas, Moïse foi dado como indigente. Infelizmente, a gente vive aqui, mas estamos na insegurança.

Precisamos nos mobilizar para combater essa violência. Não podemos aceitar, indiferentes, o que acontece do nosso lado, na nossa frente. Devemos ter medo de ser coniventes. Devemos nos indignar e nos manifestar contra qualquer um que demonstre preconceito e acredite na supremacia de alguns frente a diferentes raças, religiões ou gêneros.

Acredito que, por um mundo melhor, precisamos do feminino, que é fluido, faz curvas, gosta das palavras e do desejo. A sensibilidade salvará o mundo, independentemente de gênero, cor, raça e religião.





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