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Estado de Minas EM DIA COM A PSICANÁLISE

Não é hora para este show de horrores na política

A pandemia não pode ser o boi de piranha, jogado no rio para distrair os predadores, enquanto a boiada passa livre de vigilância


postado em 07/06/2020 04:00 / atualizado em 07/06/2020 08:18

(foto: Agência Brasil)
(foto: Agência Brasil)

Parece-me que não apenas eu, mas grande parte dos brasileiros, aqueles 70% que estão juntos, deixaram clara a insatisfação de viver sob desgoverno. Melhor dizendo, sob um governo autoritário e antidemocrático. Já não podemos nos calar diante de tanta insensatez.

Aqui no Brasil não queremos uma terra sem lei, com homens a cavalo, incentivando o uso de armas e cavalgando sobre a dor alheia. A insensibilidade, o exibicionismo, chega a ser cruel e incabível, numa situação de pandemia que vem arrebatando expressivo número de brasileiros.

Não é hora para este show de horrores na política a que somos obrigados a assistir diariamente. A pandemia não pode ser o boi de piranha, jogado no rio para distrair os predadores, enquanto a boiada passa livre de vigilância.

O que equivale a dizer que as coisas que pretendem ser passadas enquanto estamos distraídos são aquelas que não aprovamos. E isto não nos deixa escolha a não ser protestar. Uma proposta indecente que pretende ser nada transparente.

Nós brasileiros expostos a – além de uma crise sanitária violenta – um inimigo invisível, contra o qual devemos ficar presos em casa enquanto as autoridades do país – que deveriam ser solidárias e cuidadosas – estão ocupadas em se aproveitar disso para fazer o que bem entendem, e ainda esbanjam seu humor negro e truculência.

Um conhecido outro dia dizia que ninguém é tão macho quanto o presidente para falar o que quer de forma escancarada, sem nenhuma censura ou pudor, de tratar seres humanos e governadores de estados do seu país como estrume, e outros termos do mesmo nível. Tão bruto, tão cruel e incapaz de empatia.

Perguntei-me na hora: que tipo de pessoa aprecia macheza igual? Então tamanho desrespeito e deseducação se tornaram virtudes? Precisamos de seriedade, do respeito e não da truculência. Não estamos no Velho Oeste, com homens brutos e durões que saem cavalgando e atirando pra todo lado e morra quem morrer. Já que o destino de todos é morrer, não importa como.

Falta uma dose de humanidade e diria mais, de uma alma mais delicada até com pitadas de feminino. Mais flexível, maleável, solidária. Penso que em alguns falta um pouco da sensibilidade feminina para contornar situações difíceis, para compor, tecer contornos e encontrar saídas para nossas crises, com temperança, quando há necessidade de equilibrar os ânimos agitados e inseguros.

Um bom líder, à moda de um bom pai, cumpre sua função de normalizador e normatizador com pulso firme e ternura, autoridade e amor, joga água na fervura com palavras que acalmam e acolhem. Esta é a função de um líder, ser capaz de administrar as situações antes de chegar ao caos. Colocar limites onde faltam. Infelizmente, não nos foi dada a honra de um líder que nos ame e queira seguros, sãos e salvos.

O estímulo à odiosidade culmina em contaminar as pessoas, que partem para o ato muitas vezes tresloucadas sem respeitar nada e ninguém. E a realidade, como temos visto, é de situações absurdas e revoltantes, como um cidadão atacar um jornalista, chutar sua câmera, quebrar sua mão; outros achacarem pessoas da saúde que perderam colegas. E assim por diante.

No Brasil hoje, para que não se torne terra sem lei, temos de fortalecer e proteger as instituições democráticas, pois, mesmo imperfeitas, são elas que vão enfrentar conosco tempos de riscos.

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