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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Dividindo ideias

"Por isso gostava tanto de ir ao Mineirão, quanto mais cheio melhor"


25/04/2021 04:00 - atualizado 25/04/2021 08:14

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

 
Apesar de ser do tipo que acumula livros para ler, gosto de reler alguns. Isso porque a cada leitura uma interpretação, não necessariamente diferente, mas sempre complementar e evolutiva, creio. Se o texto é muito bom e a trama consegue criar expectativa e certo suspense, a curiosidade me faz ler rápido e, consequentemente, passo por cima de detalhes importantes que são degustados mais tarde, quando retorno menos ansiosa à procura das razões e meandros que fizeram os fatos narrados.
 
A leitura não é essencialmente algo que se entende nas palavras, mas algo que se vê muito além delas. Não há como deixar de lado nossas vivências quando se acompanham as vivências de outras pessoas, reais ou personagens de ficção.
 
Por isso, confesso que muitas vezes esta apreensão me pega ao assistir aos filmes. Principalmente os que são verídicos, não necessariamente por retratar fatos históricos, mas também por falar do que é perfeitamente possível e passível de acontecer. Tento me imaginar nas situações colocadas e muitas são muito difíceis de ser digeridas.
 
Costumo fechar os olhos e tampar os ouvidos, aos moldes do que fazem crianças com medo de fantasmas, nas cenas mais pesadas. Ao tomar conhecimento das consequências dos fatos, fica mais fácil lidar com eles, mesmo os mais dolorosos. Já leu a última página de um livro quando se está em seu início? Eu já.
 
É como ficar sabendo do resultado negativo de um jogo de futebol. Sofre-se bem menos ao tomar conhecimento de que meu time do coração perdeu um jogo após seu término que acompanhar lance a lance a derrota. Aliás, com a morte de meu pai, foi-se embora meu boletim informativo de tudo que acontecia nos campos. Afinal, foi ele quem me introduziu no gosto pelo futebol e acabou levando com ele meu interesse. Afinal, torcer sozinha nunca fez sentido para mim. Por isso gostava tanto de ir ao Mineirão, quanto mais cheio melhor.
 
O que me faz entender por que discutir sobre o que se está lendo, estudando, analisando é quase uma necessidade interpretativa ou sua consequência. Guardar as informações e imaginações só para a gente tem pouca ou quase nenhuma graça. Sem intercâmbio, sem ouvir outras opiniões, por mais semelhantes e edificantes ou absurdas que sejam, as palavras que lemos, os eventos que presenciamos, tendem a parecer empobrecidos ou até mesmo inexistentes. 
 
Nada como o diálogo vivo e as contendas calorosas para a evolução das ideias, que, se guardadas a sete chaves, tendem a ser estáticas. Já as discussões podem ter em si o poder de transformar quem delas participa.

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