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Estado de Minas TAKE

Daniel Costa, o empresário por trás dos chatbots: veja entrevista exclusiva

Ele fundou a Take há 20 anos; atualmente, a empresa é uma das líderes mundiais no fornecimento desse serviço digital


postado em 14/07/2020 12:31 / atualizado em 14/07/2020 12:57

Daniel Costa, fundador da Take(foto: Arquivo pessoal)
Daniel Costa, fundador da Take (foto: Arquivo pessoal)
“Se você ouve dizer que aos 30 anos alguém já deve mais de 1 milhão de dólares, você acreditaria que essa mesma pessoa, um dia, poderia se tornar um empresário de sucesso?”. O questionamento é de Daniel Costa, que viveu essa experiência e hoje é sócio-diretor e presidente do conselho da Take, empresa que fundou há 20 anos e é uma das líderes no mundo na área de chatbots – essas caixinhas de texto que tenta simular um ser humano em uma conversa sua pelo computador ou telefone celular, em um atendimento em site de banco, por exemplo. Entre os seus clientes estão Itaú, Localiza, Pontofrio, Casas Bahia, Hermes Pardini e Cemig.
 
A Take, com sede em Belo Horizonte e unidade em São Paulo, é provedora de solução para o WhatsApp Business, plataforma de atendimento ao cliente apoiada pela Apple no Brasil, fornecedora para o Messenger no Facebook Business, parceira da Microsoft, Amazon e IBM. 

Tem mais de 450 funcionários, está contratando em meio a pandemia provocada pela COVID-19, foi eleita a segunda melhor empresa para trabalhar em MG e a 22ª melhor empresa média para trabalhar no Brasil, segundo a pesquisa Great Place to Work 2019.
 
Com títulos na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fundação Dom Cabral (FDC), E-Business (FGV), Universidade de Stanford e Universidade de Ohio, Daniel também é ainda co-fundador da gestora de fundos de capital de risco Confrapar e co-fundador da plataforma de recompensas Minutrade. 

Marido da Valéria, pai de Lucas, Matheus e Benjamin, é cristão engajado em pequenos grupos, tenta ser jogador de tênis, é entusiasta de carros esportivos e sonha praticar snowboard.
  
“Estamos planejando dobrar a receita e iniciar expansão internacional em 2021. Queremos criar cases incríveis de uso da nossa plataforma em clientes, ajudando-os a reduzir custos, aumentar receitas e engajar os seus clientes. Sonhamos ser um player global por meio das parcerias que já temos com as principais empresas de tecnologia do mundo”, afirmou.
 
Veja a seguir entrevista com Daniel Costa.

Como a empresa começou? 

A Take nasceu em 1997, no quiosque do câmpus da UFMG, em Belo Horizonte. Eu e meus sócios tínhamos sonhos maiores do que as ambições dos nossos pais. Cada um trabalhava nas empresas das suas famílias e, naquela época, o sonho de todo jovem na universidade era sair e trabalhar em uma grande empresa. Mas a amizade feita durante o ano que servimos juntos no CPOR (Exército Brasileiro) nos levou a dizer: “Um dia vamos fazer algo juntos” e nós abrimos uma loja de celulares.
A nossa primeira empresa foi de venda de celular e, a segunda, era uma assistência técnica autorizada da Nokia. Naquela época, o celeiro de inovação eram as operadoras de telefonia móvel celular. O CD tinha acabado de ser “disruptado”, pessoas já estavam deixando o disco de vinil de lado e eles chegaram com uma entrega de conteúdo digital em celular. Com o crescimento do mercado de celulares, vislumbramos uma brecha no entretenimento e criamos o maior fornecedor de ringtones do mundo. E com músicos próprios.
Em 2004, dos 80 funcionários que tínhamos na empresa, 10 eram músicos de bandas conhecidas. A solução era uma plataforma tecnológica conectada com a área de hardware de SMS das operadoras para entregar música para personalização de toques ou campainhas dos telefones. Naquela época já vimos que telefone um dia seria usado pouco para "falar" e seria um dispositivo que mudaria o mundo com o acesso a internet.
Na esteira de oferta de soluções para problemas que nem sabemos que teremos, a Take veio, em 2016, com o BLiP - uma plataforma de construção, gestão e evolução de chatbots - e sistemas de comunicação automatizada que funcionam dentro de aplicações de mensagens, incluindo texto, recursos interativos e voz. Um mix do atendimento humano e automatizado (até com inteligência artificial) conectado às principais plataformas tecnológicas das empresas e apps de comunicação como WhatsApp.

Quem é a Take hoje? 
Hoje, com 20 anos de experiência no mercado mobile, a Take é líder global em contatos inteligentes e chatbots. A Take é provedora de solução oficial para o WhatsApp Business API, plataform apoiada pela Apple no Brasil, fornecedora oficial para o Messenger no Facebook Business, parceira oficial da Microsoft e da Amazon, além de parceira da IBM. Possui 320 funcionários e mais de 450 clientes. A empresa cresceu duas vezes entre 2018 e 2019, e a expectativa para 2020 é de dobrar de novo. Uma curiosidade é que a Take nunca recebeu um investimento externo. Todo o histórico de crescimento da empresa até hoje foi orgânico.

Como a Take está se adaptando à pandemia da COVID-19?
A Take está operando 100% em home office desde o início da pandemia no Brasil e, entre as medidas que a empresa adotou para promover mais qualidade de vida para seus Take.Seres – como são chamadas as pessoas que trabalham na empresa –, está um projeto de escuta ativa em que profissionais da área de psicologia ajudam os funcionários nesse momento de incertezas e medos. Além disso, a Take está disponibilizando aulas gratuitas de ioga, alongamento e aeróbico, através de uma rede social corporativa que utiliza para integração e comunicação entre todos da empresa. Mas não para por aí. A Take enviou mais de 86 cadeiras e 30 mesas para as casas dos seus funcionários em BH e SP, e disponibilizou internet para que eles pudessem ter toda a infraestrutura para o trabalho remoto. Assim como Google e Facebook, a Take não tem planos de retornar ao trabalho presencial em 2020.

Qual foi o “pulo do gato” na trajetória da empresa? 
Um dos marcos sem dúvida foi em 2005, quando a japonesa Faith Inc. comprou a Take e com isso, eu e os demais sócios começamos a trabalhar em outras frentes dentro da comunicação via celular. Em 2008, decidimos comprar a empresa de volta, diante de uma oferta do grupo Faith e foi a melhor decisão que tomamos. Além disso, outros marcos foram as parcerias e uso com as principais empresas mundiais de Tecnologia como WhatsApp, Facebook, Google, Microsoft, Amazon, Alexa, IBM, entre outras, além de, nos últimos dois anos ter fechado contrato com 80 das 500 maiores empresas do Brasil. O pulo do gato foi novamente encontrar um caminho de evolução da estratégia da empresa e o produto ter ganhado tração no mercado pela adoção de tantos clientes bacanas.

Em algum momento você considerou que não daria tão certo? 
Se você escuta dizer que aos 30 anos alguém já deve mais de 1 milhão de dólares, você acreditaria que essa mesma pessoa, um dia, poderia se tornar um empresário de sucesso? É difícil dizer o passo a passo do sucesso. Estar num timming correto, com execução e entendimento da oportunidade na era dos ringtones e hoje na internet conversacional com os contatos inteligentes, onde os cases de uso das empresas com WhatsApp são incríveis, nos ajudou bastante. Nosso time é fantástico e algo que nos une são valores, resiliência e desenvolvimento de um time bastante complementar e competente. Os percalços, insucessos e dívidas abriram outras oportunidades.

Quais são os planos de crescimento para o ano 2020? 
Estamos planejando dobrar a receita, criar cases incríveis de uso da nossa plataforma em clientes, ajudando os mesmos a reduzir custos, aumentar receitas e engajar os seus clientes. Possivelmente iremos iniciar nossa expansão internacional e ter investidores para acelerar que possamos atingir um de nossos sonhos grandes de ser um Player Global com as parcerias que já temos com as principais empresas de tecnologia mundiais.

O que o San Pedro Valley (SPV), comunidade de startups de Belo Horizonte, significa para você? 
Me sinto parte do San Pedro Valley e estou engajado no ecossistema mineiro. Este último ano dei menos mentorias do que gostaria, mas a Take tem orgulho de ser SPV! Temos a amizade com os principais founders de BH que vimos as empresas nascer e são até maiores e mais relevantes que a própria Take. Trocamos muitas informações sem limites com empresas de todos os tamanhos e tipos. Existem muitos eventos, coworkings abertos a eventos e isto tem acelerado o desenvolvimento e criação de empresas de sucesso em Minas. A cada dia o San Pedro Valley se expande em relevância e "give back" (ações de retorno).

Qual é o seu entendimento sobre o atual momento em que vivemos? 
A busca e compartilhamento de propósito tem sido fortalecido, porém, o mundo está também dividido. As empresas, na vida moderna e acelerada que vivemos, têm sido cobradas para serem rentáveis e gerarem lucro, mas existe muito mais por trás disso. Existem pessoas. Vivemos um paradoxo: a exponencialização da tecnologia e preocupação e valor do Humano. É tempo de se reconectar com as pessoas e valorizar confiança, valores e empatia. As relações devem ser transparentes e humanizadas. Cada cliente, parceiro e funcionário deve ser valorizado e respeitado em sua individualidade. O que acontece com grande força nas empresas de tecnologia pode contaminar positivamente governo, escolas, terceiro setor, e a sociedade como todo.

Que transformações você enxerga para as nossas rotinas e sociedade?
Vivemos numa época do acesso fácil, rápido, barato ou gratuito a uma quantidade incrivelmente grande de informação. Isso é bom, mas também tem efeitos adversos como fake news e superficialidades. A tecnologia tem aproximado gente distante, mas distanciando pessoas próximas. Estamos otimizando e automatizando várias tarefas via uso da internet. O interessante é que mesmo assim as pessoas estão cada vez com menos tempo e não necessariamente mais felizes como nos posts nas redes sociais. O consumo desenfreado tem feito pessoas ansiosas.

O que você já deixou para trás e o que traz na bagagem? 
Vejo o propósito que tem na frase “Uma Mensagem pode Mudar o Mundo”, estampada na parede na Take, e todos os dias vejo este alinhamento com a minha vida. Creio no âmbito pessoal numa relação divina, sou um homem de fé, meu bem estar e conquistas exigem um propósito maior. Para esta década que que alcançarei os 50 anos de vida o meu olhar está mais cândido e misericordioso, menos ansioso, a experiência nos obriga a ficar mais humilde frente a vida e no trabalho. Preciso ser cada dia mais estratégico com desafios diários de gestão da rotina. Participo de um grupo Cristão internacional e multidenominacional que tem projetos incríveis no mundo todo, me inspiro em como estes líderes tão bem sucedidos em todas as áreas, mas usam a maior parte do seu tempo em projetos sociais de alto impacto, quero ser também assim, uma referência nesta década.

Quais são os lugares, movimentos, negócios e outras iniciativas vc admira?
Admiro o papel de players importantes no ecossistema de empreendedorismo e inovação, como San Pedro Valley, Founders Institute, Cubo Itaú, We Work, Endeavor, Órbi Conecta, Bay Brazil e StartSe.

Quais livros ou outros conteúdos você indicaria?
Uso bastante um aplicativo de audiobooks: um nacional é o 12 Minutos; e outro gringo, Blinkst. Podcasts: a16z e Masters of Scale. Blogs: The Brief, The Information e Mobile Time. Livros: Blitzcaling, Abundance, Simple Rules, The Innovators, The Everything Store, Outliers e Bold e a Bíblia.

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