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Economia: 'Crise é momento de jogar fora modelos de reação ultrapassados'

Pesquisadora holandesa especializada em economia criativa defende ruptura de modelos de enfrentamento a turbulência, como a MP 936, que permite redução de jornada e de salários


postado em 04/04/2020 04:00 / atualizado em 04/04/2020 08:26

Trabalhadoras com máscaras, em tempo de pandemia: maioria dos países têm adotado medidas que não precarizam condição dos empregados (foto: Redes sociais/Divulgação)
Trabalhadoras com máscaras, em tempo de pandemia: maioria dos países têm adotado medidas que não precarizam condição dos empregados (foto: Redes sociais/Divulgação)

 
Como reagir à pandemia a partir de um lugar mais profundo, que nos conecta com o futuro que emerge em vez de apenas reagirmos aos padrões do passado, o que em geral só leva à perpetuação desses padrões? Esse é um ponto cego que evidencia a desassociação entre dois mundos: a estrutura da realidade social e a estrutura do pensamento econômico. Um exemplo brasileiro é a Medida Provisória 936, editada nesta semana, que permite a redução de jornadas e salários e suspensão de contrato de trabalho, na contramão das ações que estão sendo implementadas e discutidas na maioria dos países.
 
Como diz a pesquisadora holandesa de tendências de comportamento Li Edelkoort, um dos nomes mais respeitados da economia criativa, essa não é simplesmente uma crise econômica, é um momento de rupturas. “A cada novo dia questionamos cada sistema que conhecemos desde que nascemos e somos obrigados a considerar a sua possível morte”, afirmou.
 

"Se você é dono de uma empresa onde todos os trabalhadores estão desassistidos economicamente, convenhamos que a solidez do seu negócio vai para o ralo. Precarizar empregados para manter empregadores é um erro colossal de política pública."

Economista Monica de Bolle, diretora de estudos-latino americanos e mercados emergentes da universidade americana Johns Hopkins, em videoconferência sobre a MP 936, que permite a redução da jornada de trabalho e salário

 
 
Teremos que coletar o resíduo e reinventar tudo do zero quando o vírus estiver sob controle, destaca em sua análise sobre a pandemia provocada pelo novo coronavírus e os seus efeitos. “E é aí que eu espero que um outro sistema melhor seja implementado, com mais respeito pelo trabalho e pelas condições humanas. No final, seremos forçados a fazer o que já deveríamos ter feito em primeiro lugar.” Redirecionar e reiniciar exigirá muita percepção e audácia para construir uma nova economia com outros valores e formas de lidar, por exemplo, com a produção, o transporte, a distribuição e o varejo.
 
Ninguém sairá o mesmo desta quarentena. Existe uma janela global para se repensar profundamente a sociedade e deixar emergir o novo. Como podemos re-imaginar nossos sistemas econômicos e democráticos de forma a unir sustentabilidade ambiental, bem-estar social e desenvolvimento? Como responder à situação atual de maneiras que ajudem a manifestar esse enorme potencial de mudanças positivas? Essa é a conversa que precisamos ter agora.
 
Pílulas 
 
Transporte -–Dados da CargoX, startup que conecta empresas a transportadores, apontaram queda de 7,5% na movimentação logística, entre 21 de fevereiro e 21 de março, e que 90% dos motoristas não querem fazer viagens interestaduais e estariam procurando cargas para voltar para a casa.

Demissões – A startup de venda de passagens aéreas MaxMilhas, que se orgulha de ser uma das empresas brasileiras que mais cresceram nos últimos anos sem investidor externo, já precisou enxugar o seu quadro de funcionários em sua sede em Belo Horizonte em razão da redução em até 90% das operações das companhias aéreas.

Inovação e solidariedade – Máscaras-escudo serão produzidas por mais de 100 impressoras 3D para profissionais da saúde de Minas Gerais em hospitais focados no atendimento a pacientes com o novo coronavírus. A iniciativa é da startup belo-horizontina de educação on-line Hotmart e a comunidade de laboratórios de inovação Trem Maker.

Vacina – Os cientistas do Centro de Tecnologia de Vacinas (CT Vacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estão entre os membros da Rede Vírus, que recebeu recursos dos ministérios da Saúde e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para desenvolver uma vacina contra o coronavírus. O trabalho está a todo vapor.

Debates - A Fundação Dom Cabral (FDC) lançou a série de webinares “COM:unidade - Iniciativas para tempos desafiadores”. Para acompanhar, acesse o link com-unidade.fdc.org.br. 
 
 

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