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Estado de Minas FORA DA CAIXA

Coronavírus força mudanças de comportamento, do trabalho às formas de consumo

Consultoria de tendências vê futuro no mundo influenciado pelo trabalho remoto, novas tecnologias, inovação e consciência no momento de consumir produtos e serviços


postado em 11/04/2020 04:00 / atualizado em 11/04/2020 07:26

Com o enfrentamento à pandemia, a sociedade está reaprendendo valores e as empresas devem avançar para a construção de marcas mais responsáveis frente aos seus clientes (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Com o enfrentamento à pandemia, a sociedade está reaprendendo valores e as empresas devem avançar para a construção de marcas mais responsáveis frente aos seus clientes (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

  “O futuro é imprevisível e somos todos vulneráveis”, afirmou Luciana Bazanella, cofundadora da White Rabbit, uma agência de exploração de tendências que divulgou, nesta semana, um relatório sobre o que pode mudar no mundo a partir da pandemia do novo coronavírus. O estudo foi dividido em quatro grandes movimentos, abordando temáticas como trabalho remoto, novas tecnologias, inovação aberta, o papel do Estado, uma sociedade hiperconectada, uma consciência mais global, um consumo mais local.

 

Batizado de “Remote Everything”, o primeiro cenário seria o de tornar remoto tudo o que for possível. “Tudo que puder ser deslugarizado, será”, disse Bazanella. A cultura do trabalho remoto já existe, mas agora ganha forma em diferentes áreas, como a telemedicina, quando médicos passam a atender os seus pacientes virtualmente. Também já é possível observar uma nova convivência digital, onde as pessoas repensam as redes sociais de escapismo para uma presença ativa, participam de ciber comunidades, criam novos códigos para uma vivência on-line, e contam com entretenimento em tempo real.

 

Bazanella destaca ainda que as tecnologias emergentes dão um salto nesse período, a exemplo do reconhecimento biométrico e de realidades virtuais e imersivas; assim como a impressão 3D finalmente disseminando o seu valor. O segundo cenário é “Wall Builders & Breakers”, os que abrem e fecham fronteiras. Entre os movimentos identificados, estão, de um lado, a colaboração científica e tecnológica, o patriotismo do bem e a despolarização política. E, de outro lado, está a desglobalização, o nacionalismo versus xenofobia, a fragmentação de alianças. “Pode haver um retorno da confiança nas instituições, o fortalecimento da cooperação e comunidade, a ciência reinando novamente”, avaliou Bazanella.

 

Também já é possível observar uma nova convivência digital, onde as pessoas repensam as redes sociais de escapismo para uma presença ativa, participam de ciber comunidades e criam novos códigos para uma vivência on-line

A terceira frente, chamada de “Paradigm Shift”, ou mudança de paradigma, traz três relevantes tópicos: o protagonismo do Estado, especialmente com foco nos direitos básicos da sociedade; a transformação do capitalismo diante de uma recessão planetária e crises políticas; e uma humanidade interconectada, demonstrando novos modelos e sistemas, conflitos éticos e uma consciência mais global.

 

No último cenário, “Doomsday Economy”, ou economia do apocalipse, são pontuadas as economias hyperlocais (cadeias de suprimentos descentralizadas e sociedades autossuficientes), consumidores com novos valores e grandes negócios que avançam no sentido de terem marcas mais “responsáveis e que façam a coisa certa”, que operam o conceito de colaboração e inovação compartilhada.

 

O estudo da White Rabbit foi divulgado em uma conferência virtual, junto do lançamento do documentário SXSW 2020 – O futuro que não aconteceu, produzido junto com a EYXO Estratégias de Inovação. O South by Southwest (SXSW) é o principal festival de criatividade e inovação do mundo, realizado anualmente em Austin (EUA), mas a sua 35ª edição foi cancelada neste ano em razão da COVID-19.

 

Pílulas

 

» Telemedicina - A Unimed-BH passou a oferecer consulta on-line para os seus clientes e cedeu a tecnologia para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) da capital, cadastrados em Centros de Saúde. O atendimento para quem suspeita de COVID-19 é feito por meio do site consultacoronavirus.pbh.gov.br, de segunda a sexta=feira, das 8h às 18h.

 

» Contra a COVID-19 - A VLI, companhia de logística que opera terminais, ferrovias e portos, disponibilizou plataforma de telemedicina para todos os seus 7,5 mil funcionários. Também passou a monitorar a temperatura corpórea dos empregados na entrada de três unidades com a ajuda de pirômetros (sensores infravermelhos de alta precisão) e câmeras termográficas.

 

» Campeões de venda - Os seis setores que mais venderam pela internet são, em ordem, os de brinquedos, supermercados, artigos esportivos, farmácia, games e aplicativos de entrega, conforme pesquisa da Konduto, empresa de monitoramento antifraude para pagamentos on-line, entre 15 e 24 de março, em comparação com os 10 primeiros dias do mês.

 

» Dinheiro negado - A maioria (60%) dos donos de pequenos negócios que já buscou crédito no sistema financeiro desde o início da pandemia do novo coronavírus teve o pedido recusado, segundo pesquisa realizada pelo Sebrae entre 3 e 7 deste mês. E 29% dos empresários desconhecem as linhas de crédito disponibilizadas para evitar demissão.

 

» Economia digital - O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) oferece curso on-line e gratuito sobre tecnologias para políticas públicas, abordando ferramentas que geram melhores serviços públicos e economia para os governos. Saiba mais em www.edx.org. 

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