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Mito ou verdade: cortar gastos é sempre um sacrifício?

Reduzir despesas tem sido uma necessidade pra quase todo mundo. Dá pra deixar esse processo menos sofrido? Pode acreditar que sim!


18/08/2021 06:56 - atualizado 18/08/2021 07:24

Seu controle de despesas é possível se você seguir as dicas de hoje
Seu controle de despesas é possível se você seguir as dicas de hoje (foto: Reviewbox)


Nem é preciso fazer pesquisa para saber que, pelo menos, nove a cada dez brasileiros acham que cortar gastos exige muito sacrifício. Eu estou nessa lista e, provavelmente, você também!

É claro que ninguém quer reduzir o padrão de vida e que, quando nos vemos diante da necessidade de reduzir as despesas, geralmente a gente paralisa. Mas, será que isso está mesmo ligado ao nível de sacrifício envolvido?

É importante dizer que, no cenário atual, cortar gastos deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade para quase todo mundo. A alta no preço dos supermercados , o aumento do desemprego, a inflação batendo recorde atrás de recorde. Como, geralmente, a nossa renda não acompanha esses movimentos do mercado, reduzir as despesas passa a ser questão de sobrevivência — independentemente de quanto isso seja difícil e sofrido pra você.
Hoje quero propor uma reflexão sobre isso, que já começa com um questionamento muito importante: cortar gastos é realmente um sacrifício ou a tarefa se torna sofrida porque lidar com dinheiro é sempre difícil pra você?

Sei que responder a essa pergunta não é fácil, mas vem comigo que eu vou te ajudar!

O impacto da sua relação com o dinheiro nas finanças

Ficar levando a questão financeira para o lado emocional pode parecer estranho — afinal, dinheiro é matemática, que é uma ciência exata. Mas, considerando que o nosso dinheiro não se gerencia sozinho e que ele precisa de alguém para fazer isso por ele, não podemos desprezar o fator humano envolvido nessa equação.

E onde tem ser humano vão existir situações que envolvem medo, ansiedade, desejo, alegria, ambição, vergonha e muitas outras. Tudo isso faz parte da sua relação com o dinheiro, que pode impactar, até mesmo sem você perceber, não só suas finanças, como também sua saúde. A boa notícia é que nós temos mecanismos para manter o controle de todas essas situações nas nossas mãos.

O primeiro passo nesse sentido é se acostumar a  falar sobre dinheiro . Esse é um tema importante, que inevitavelmente faz parte da vida de todo mundo e, por isso, precisa estar nas nossas rodas de conversa. Só assim é possível aprender com as experiências de outras pessoas, adquirir conhecimentos sobre o assunto e buscar melhorias para sua vida financeira.

Falar, no entanto, é uma das etapas do processo, mas não garante que a gente vá chegar onde a gente quer, que é uma relação melhor com o dinheiro. E essa melhora é, com certeza, o único caminho para que cortar gastos não seja um sofrimento. Em outras palavras, essa história de que reduzir despesas é um sacrifício é mito. E fazer com que esse processo seja menos complicado e mais possível de ser feito, depende muito de você.

Como eu sei que essa não é uma chave que a gente vira do dia pra noite, eu listei abaixo alguns passos que você pode seguir para chegar lá.

A importância do planejamento

Sabe aquele ditado que diz que a gente sempre tem medo do desconhecido? Na vida financeira, ele é uma verdade inquestionável. Se você não sabe quanto de dinheiro entra e sai todos os meses e de que forma você gasta seu salário, certamente cortar gastos vai ser sempre um sacrifício pra você.

É por isso que fazer um  planejamento financeiro pessoal , por mais simples que ele seja, é fundamental para tornar menos sofrido o processo de reduzir despesas. Na prática, se você tem uma visão mais clara do seu orçamento, vai ser mais fácil decidir onde cortar, sem que esses cortes tragam impactos muito significativos para o seu padrão de vida e para os seus hábitos.

O exercício do essencialismo

Não pense que sou uma defensora do minimalismo e que vou sugerir que você doe 80% das suas roupas, se mude para uma casa menor e pare de comprar coisas supérfluas. Apesar de achar o movimento muito interessante, sei que ele não é pra qualquer um e não tenho a menor intenção nem de ser, nem de te incentivar a ser um minimalista.

Aqui, eu quero falar sobre o essencialismo, que é um método sistemático que pode nos ajudar a definir o que realmente é importante para nossa vida. Sob esse aspecto, inclusive, eu indico o livro “Essencialismo, a disciplinada busca por menos”, escrito pelo inglês Greg McKeown.

Apesar de não tratar especificamente sobre vida financeira e questões materiais no livro, o autor nos dá ótimas dicas para nos ajudar a entender e definir o que é e o que não é essencial pra gente. E nem preciso dizer o quanto esse exercício é fundamental na hora de cortar gastos, certo? É assim que você vai estabelecer  prioridades financeiras  e são elas que vão te ajudar a entender o que pode ser reduzido.

Por exemplo, você precisa mesmo manter assinatura de quatro serviços de streaming? Posso apostar que você não tem tempo suficiente para usufruir plenamente nem de um. Você já parou pra observar se o seu plano de TV e internet não oferece mais benefícios do que você realmente precisa? Para que um plano de 20GB, se você só usa 5GB, por exemplo?

Essas são reflexões bem simples, que estão diretamente ligadas ao exercício de entender o que é realmente essencial pra gente e que podem impactar muito a sua vida financeira. Acredite: cortar gastos passa a ser um sacrifício menor quando você entende que, na verdade, está gastando com coisas que nem precisa.

Ah, e vale o reforço: nem é preciso esperar a necessidade de reduzir despesas bater na porta para você fazer esse tipo de avaliação, viu? Essa faxina nos gastos  pode ser feita a qualquer momento, te ajudando a entender melhor o seu orçamento e aprender como é possível fazer o salário durar mais do que o mês.

O autoconhecimento como ferramenta de disciplina e autocontrole
A essa altura do campeonato (do conteúdo, na verdade), já deve ter ficado muito claro pra você o quanto o nível de dificuldade da tarefa de cortar gastos depende muito dos seus comportamentos, certo? É por isso que eu não posso terminar esse texto sem falar de autoconhecimento.

Entender o que é importante pra gente, como reagimos diante de diferentes situações e de que forma conseguimos manter a disciplina e o autocontrole são fundamentais para melhorar a nossa relação com o dinheiro. Sem essa compreensão, cortar gastos vai ser mesmo um sacrifício e, apesar de aliviar a questão financeira, o processo vai trazer impactos enormes para a sua saúde mental.

Quer ver um exemplo? Você já sentiu  culpa ou arrependimento logo após fazer uma compra ? Essa é uma situação muito corriqueira para muita gente e o autoconhecimento é o que nos faz entender o que está por trás dela.

Será que a compra tem sido uma forma de você fugir de emoções negativas? Faz sentido pensar que você não se acha merecedor do que tem e, por isso, gasta tudo pra não acumular nada? Já parou pra analisar que você não tem o controle das suas finanças simplesmente porque, equivocadamente, você não se acha capaz de administrar suas finanças e tem certeza que planejamento financeiro não é pra você?

Os questionamentos que nos levam a essa reflexão tão necessária são muitos e eu poderia ficar aqui por horas e horas listando cada um deles. Mas, o meu objetivo aqui é te ajudar a pensar nos caminhos que podem estar te levando a acreditar no mito de que cortar gastos é um sacrifício. E mais do que isso: quero te ajudar a entender que com autoconhecimento, um estabelecimento adequado de metas e prioridades e um planejamento financeiro que faça sentido para sua realidade, esse processo certamente vai ficar mais fácil.
Que tal começar pelo básico? Criamos uma  planilha de controle financeiro  para te ajudar a ter clareza de para onde o seu dinheiro está indo atualmente. Eu prometo: é a planilha mais descomplicada que você já viu e, mesmo que não entenda muito de Excel, você vai conseguir usar a ferramenta para levar a sua relação com o dinheiro para outro nível.




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