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Estado de Minas COLUNA

A Luz no Mundo

Nesta virada de ano, deixemos a luz acesa, pois assim a tristeza não entra, a lágrima não rola, a esperança não desiste de esperar


03/01/2021 04:00 - atualizado 03/01/2021 08:29

Deus disse: “Faça-se a luz”. E a luz se fez. Deus viu que a luz era boa. No primeiro capítulo do primeiro livro da Sagrada Escritura, a luz é a 29ª palavra dita por Deus e a terceira coisa a ser criada, logo após o céu e a terra, ainda no primeiro dia.

No quarto dia, apareceram no firmamento o grande luzeiro (Sol) para presidir o dia e o luzeiro menor (Lua) para presidir a noite e separar a luz das trevas. E Deus viu que era bom. De lá para cá, o mundo mudou, mas a humanidade sempre soube: ter luz é bom.

Nas grutas escuras de Belém, por mais de 30 anos, São Jerônimo devia agradecer a luz das velas que lhe permitiam traduzir toda a Bíblia do grego e do hebraico para a elegância clássica do seu latim, daí surgindo a “Vulgata”, que significa “uso comum”, tradução usada durante quase 15 séculos. Estava São Jerônimo, então, nos tirando das trevas para a luz ao abastecer o mundo com as palavras do Antigo e do Novo Testamento?
  
Dos anos 350 a 420 vamos para estes novos dias de 2021, tendo contornado os dias de apagão no Amapá no ano passado e, com as chuvas típicas do verão, vez e outra enfrentando outro apagão momentâneo. O que fazer nestes momentos? Acendemos uma vela, duas, três.

Precisamos iluminar os caminhos, vencer a escuridão. Já nas festas de aniversário, as velas são a alegria do bolo. E antes da missa, quem não acompanha o acender das velas no altar? A celebração vai começar. Nas procissões uma vela acende a outra, enquanto se anda devagar, tomando conta que o vento não sopre forte e apague a chama que ilumina mais os corações que os caminhos.

Mãos postas em oração, ajoelhado diante do santo de devoção, o filho acende uma vela para rezar pela recuperação da mãe. Seja diante do oratório dentro de casa, na capela do sítio, no velário de Nossa Senhora. Velas acesas sempre estão ligadas às orações. Antes da era cristã, os pagãos festejavam o Sol Invencível, que trazia os raios da salvação.

No Novo Testamento, Cristo não só é a luz do mundo como nos convida a sê-lo (“Vós sois a luz do mundo”). Nesta virada de ano, deixemos a luz acesa, pois assim a tristeza não entra, a lágrima não rola, a esperança não desiste de esperar. Sejamos velas acesas. Foram inspirados na luz do Oriente que três reis se puseram em movimento.

Segundo o conto de Rubem Alves, Gaspar era rei de Markash, país de mar azul e praias brancas. E, mesmo amado pelo povo, tinha uma tristeza incurável no coração. Uma noite ele contemplava o céu quando, na direção do oriente, viu uma nova estrela que o fez sorrir. Ordenou que lhe preparassem o navio para a viagem em direção à estrela.

Baltazar era rei da Núbia, país montanhoso, cheio de pássaros, árvores e riachos de água limpa. Apesar da beleza da terra, Baltazar tinha um coração triste. Já era madrugada quando, ao orar, viu uma nova estrela e sorriu. Mandou preparar os cavalos para a longa viagem atrás da estrela.

Belchior era rei de Lagash, país de desertos e areias sem fim. No oásis onde construiu seu palácio havia palmeiras e o frescor das fontes, mas Belchior tinha uma enorme melancolia. Uma noite, ao tomar vinho, notou uma estrela que brilhava mais e alegrou-se. Mandou preparar os camelos para viajar em direção ao astro.

Tempos depois encontraram-se em um vilarejo e dormiram em paz. O ar estava perfumado com flores de jasmim e magnólia. A estrela levava a uma gruta, aonde chegaram juntos. Aí perceberam que não era a estrela que iluminava a cena. Era o bebê na manjedoura que iluminava a estrela. Disseram: “O universo é um berço onde uma criança dorme”. E ficaram felizes. Desta vez, para sempre.

Neste terceiro dia do primeiro mês de 2021 não deixemos de acreditar que o bem é maior que o mal, que a nossa casa pode ser santa se o perdão for sempre sagrado e a fé infinita. Que este ano seja de muita luz.

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