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Estado de Minas Coluna

Nossos talentos

Não convém desiludir a eterna esperança de Deus em nossos talentos


22/11/2020 04:00 - atualizado 20/11/2020 15:53




Depois de os líderes religiosos de Jerusalém procurarem todo tipo de armadilha para provocar dificuldades para Jesus com o objetivo de julgá-lo e condená-lo de forma exemplar por causa de suas polêmicas afirmações, o Mestre finalmente é deixado em paz com as multidões e os discípulos.

Em alguns momentos, a tensão se agravou em confrontos em forma de perguntas e debates, mas a sabedoria divina deixava todos desconcertados. Respondia com perguntas, citava passagens do Antigo Testamento, não dizia nem sim nem não, nem agradava a uns e desagradava a outros.

Vencedor, ninguém mais ousa lhe fazer perguntas e Ele finalmente fica a sós com o pequeno grupo de discípulos, faz seu longo discurso escatológico sobre o final dos tempos e antes de chegar ao Monte das Oliveiras, onde seria preso, conta parábolas que falam de vigiar e orar, o servo fiel, o banquete de casamento.

A última história é a Parábola dos Talentos, a mais longa do Novo Testamento, onde Ele fala sobre um homem rico que antes de viajar confia seus bens a três empregados, dividindo entre eles oito talentos (barra de ouro equivalente a seis mil denários, pesando cerca de 35 quilos).

O primeiro servo recebe cinco talentos e com habilidade dobra o valor. O segundo, com dois talentos, também dobra. O terceiro, que recebe um talento, nada faz, preferindo seguir as orientações da época que consideravam enterrar tesouros a melhor proteção contra ladrões.

Ao entregar sua fortuna, o homem torna-se dependente da honestidade dos servos, pois se eles não administrassem bem, ficaria arruinado. Sua reação é proporcional. Diz “muito bem” aos dois primeiros, os qualifica como “bons e fiéis” e lhes promete novas tarefas.

O interessante é que o empregado que recebe maior atenção é o terceiro, que tem medo de arriscar, devolve o que nunca aceitou e faz um pequeno discurso para justificar seu descaso, atrevendo-se a acusar o senhor de ser o culpado por “querer colher onde não plantou”.  O proprietário o chama de “mau e negligente”.

Jesus caminha para o final da vida pública e nós nos dirigimos ao final do ano, momento apropriado para uma revisão de valores: o que fizemos com nossos talentos, com “a parte que nos coube neste latifúndio?”.

Está de bom tamanho a nossa participação, nem larga nem funda, nem boiando na superfície nem nas profundezas dos oceanos?

Pegos de surpresa com um vírus tão invisível quanto poderoso, preferimos enterrar nossos talentos no chão, deixando-os adormecidos para não serem contaminados? Fomos um barquinho num riacho ou embarcação para mar aberto?

Os cristãos sabem que os talentos são o patrimônio que Deus nos confiou. Por isso não os esconde, mas os aplica. Não enterra, mas planta. Não guarda, mas multiplica. Todos recebemos dons, talentos, possibilidades. 

Ninguém é inútil ou descartado. Mas tem a missão de multiplicar o que recebeu. Acaba fazendo o mal se deixa de fazer o bem e cai no perigo da omissão. Muitas vezes achamos que está tudo ótimo.

Vamos à igreja, assistimos à missa, ao culto, não roubamos, não matamos. Temos pouco costume de nos cobrar o que poderíamos ter feito de bom e não fizemos. Padre Antônio Vieira é magistral: “A omissão é o pecado que mais facilmente se comete e com mais facilidade se desconhece; e o que facilmente se comete e dificultosamente se conhece, raramente se emenda. Omissão é um pecado que se faz não fazendo”.

Não podemos abrir mão de ser o que viemos para ser. Em algum momento, algum lugar, há uma coisa que só pode ser feita por nós.

Não convém desiludir a eterna esperança de Deus em nossos talentos. Somos um universo inesgotável de pessoas construindo histórias. Deixemos o servo sozinho escondendo tesouros no chão e vamos acreditar que, juntos, multiplicando nossos talentos, mereceremos repetir o livro de Gênesis: “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz”.

Noite após noite, em anos sucessivos, outros muitos talentos se unirão aos nossos formando uma verdadeira constelação de estrelas resplandecendo na paz dos céus.

Talentos multiplicados – quem conseguirá contar?

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