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Estado de Minas MINA$ EM FOCO

Em tempos de pandemia, vinho produzido no cerrado ganha importância

Em Minas Gerais, a produção promissora pode ser apoiada neste momento conturbado em consequência da pandemia por COVID-19


postado em 18/04/2020 04:00 / atualizado em 18/04/2020 07:15

Uva produzida no cerrado mineiro, que tem o chamado terroir, garante a fabricação de vinhos de boa qualidade(foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press)
Uva produzida no cerrado mineiro, que tem o chamado terroir, garante a fabricação de vinhos de boa qualidade (foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press)

Lamentar a recessão apontada pelo avanço da COVID-19, como os políticos costumam fazer, de nada adianta e, mais que isso, atrapalha instrumentos dos quais os governos podem lançar mão para reduzir o impacto do novo coronavírus sobre a economia. Em Minas Gerais, há possibilidades e uma produção promissora que pode ser apoiada neste momento, embora não tenha a importância significativa em volume e receita no PIB estadual de setores como a mineração, siderurgia e a cafeicultura.
 
Os vinhos de Minas são exemplo dessa jovem força produtiva do estado. Nova região produtora de uvas para vinicultura, o cerrado mineiro surge neste ano com grande futuro, num cenário de plena disseminação da doença respiratória que afeta vários segmentos da atividade econômica. Os projetos pioneiros de parreirais desenvolvidos em terras do rico bioma – que ocupa 2 milhões de quilômetros quadrados em 10 estados e no Distrito Federal – começaram a apresentar resultados no estado.

Grande produtor de grãos para exportação, como soja, milho e café, no Brasil e em Minas Gerais, o cerrado tem o chamado terroir para a produção de uvas, com seu solo arenoso, de boa drenagem, temperatura média anual variando entre 21 e 27 graus e amplitude térmica entre dia e noite. A enóloga Isabela Peregrino, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), destaca que os vinhos finos já produzidos na região apresentam qualidade no mesmo nível daqueles ofertados pelo Sul do estado, área conhecida por vinhos premiados no exterior.
 
No cerrado, os vinhos finos foram desenvolvidos após a adoção da técnica da dupla poda proposta pelo engenheiro-agrônomo Murilo Albuquerque Regina, da Epamig, ph.D em vitivinicultura e enologia pela Universidade de Bordeaux, na França. A técnica consiste em podas para formação de ramos e produção efetiva, alterando a colheita para o período do inverno, quando as uvas adquirem mais aroma e maior concentração de açúcares e polifenóis, ingredientes que elevam a qualidade da bebida.
 
Há pelo menos cinco projetos em desenvolvimento no Triângulo Mineiro, envolvendo terras dos municípios de Cruzeiro da Fortaleza, Patrocínio, Patos de Minas, Araxá e Sacramento. Em Cruzeiro da Fortaleza, a produção do vinho da uva Syrah, o Syrah Bambini, dos vinhedos de Flávio e Ana Paula Bambini, entrou na terceira safra. As outras iniciativas, segundo Isabela Peregrino, terão produção no ano que vem.

“É muito interessante para Minas Gerais ter vários terroirs. A vitivinicultura fortalece a região na qual se desenvolve, estimulando o consumo de outros produtos regionais, como o queijo e o café”, afirma. A atividade chamou a atenção de cafeicultores mineiros no cerrado e o ciclo dos vinhedos é de três anos; portanto, a produção da matéria-prima começa neste ano.
 
A vinificação do vinho Syrah Bambini é feita no Campo Experimental da Epamig em Caldas, no Sul de Minas. Parreirais implantados em 2017 no estado também deverão resultar em novos rótulos em 2020 e nos próximos anos. Na avaliação da enóloga Isabela Peregrino, é possível que os efeitos da COVID-19 sobre a economia levem à revisão dos cronogramas preparados por investidores no setor, mas não à suspensão de investimentos.
 
O maior desafio para os vitivinicultores continua sendo identificar o melhor mercado de consumo e trabalhar bem a divulgação das características de seus produtos. Nos parreirais do cerrado, existe ainda a necessidade de investimentos um pouco maiores em razão da necessidade de sistemas de irrigação. Contudo, a despesa está longe de ser fator de desestímulo. Diferentemente disso, prosperidade não deve faltar a essa atividade em Minas. Nos últimos dois anos, tem crescido o interesse dos cafeicultores por informações da Epamig sobre a produção de uvas e vinhos no estado.

APOIO

1.107 é o número de ventiladores pulmonares de todo o país que a rede voluntária organizada pelo Senai/CNI recebeu até quarta-feira para conserto ou manutenção

Fama

Minas Gerais entrou no circuito internacional de vinhos em 2017, durante o evento Decanter World Wine Awards, em Londres, oferecido por uma das mais tradicionais publicações sobre vinhos no mundo. Dos 27 vinhos brasileiros que participaram, cinco dos 15 premiados foram elaborados com a tecnologia da dupla poda da Epamig.

Desconfiança

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), medido pela Fiemg, desceu de 60,2 pontos em março para 33,4 pontos neste mês. A retração de 26,8 pontos no período foi a maior registrada na série histórica mensal do indicador, iniciada em 2010. A explicação para o resultado está nos efeitos da pandemia do novo coronavírus nos negócios do setor.

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