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Estado de Minas MINA$ EM FOCO

Mel, linguiça, ovo e frango caipira no rastro do queijo minas

O campo para que o estado desenvolva seus produtos agroartesanais típicos é enorme. O trabalho feito pelo queijo minas artesanal é exemplo a ser seguido%u2019


postado em 26/07/2019 04:00 / atualizado em 25/07/2019 21:08


 

Com a criação do Selo arte, produtos agroartesanais de Minas além do queijo minas de leite cru poderão ser estimulados, num futuro, como o mel, linguiças, ovos e frango caipiras(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 28/8/09)
Com a criação do Selo arte, produtos agroartesanais de Minas além do queijo minas de leite cru poderão ser estimulados, num futuro, como o mel, linguiças, ovos e frango caipiras (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 28/8/09)







Atrás do sucesso do queijo minas artesanal de leite cru, mel, linguiças, salsichas e salames, ovos e frango caipira produzidos em Minas Gerais têm o maior potencial para ser trabalhados no conceito do Selo Arte. Os técnicos do estado estão elaborando legislação específica, prevista no decreto que criou o distintivo para os alimentos artesanais de origem animal.
O queijo minas artesanal de leite cru terá, com o selo, a sua sonhada alforria para chegar à mesa do consumidor em todos os estados e no mercado internacional. Esses novos horizontes animam o produtor Eudes Braga, que lidera a fabricação do queijo minas artesanal de leite cru no estado.

“É a porta que se abre e vai permitir a valorização do nosso produto. Quero buscar os mercados principalmente de São Paulo e de Brasília, além de começar a exportar” disse Eudes à coluna. Na Granja Leiteira Eudes Braga, em Carmo do Paranaíba, distante 350 quilômetros de Belo Horizonte, Eudes produz 1 tonelada de queijo minas artesanal de leite cru por dia. A propriedade emprega 24 pessoas.

Profissional dedicado à valorização de produtos agroartesanais de Minas, Ricardo Boscaro afirma que o campo para desenvolver e adequar a fabricação dessas iguarias é enorme em Minas. “O trabalho já feito pelo queijo minas artesanal é exemplo a ser seguido", avalia Boscaro, que é analista da Unidade de Agronegócio do Sebrae Minas.

A expectativa, entre os especialistas de entidades e órgãos do setor, é de que até o fim do ano o Selo Arte esteja pronto para chancelar o queijo minas artesanal de leite cru. Com base na regulamentação federal, cabe aos estados criarem o ambiente legal de inspeção e fiscalização necessário para viabilizar o distintivo.

Até lá, ganham força os movimentos de produtores de queijo minas de várias regiões que pleiteiam ser reconhecidas como características da produção artesanal do estado. São os casos de queijarias da Serra da Mantiqueira, do Norte e Sul de Minas e do Vale do Jequitinhonha.

Num futuro ainda sem horizonte definido, Boscaro acredita que também poderão se beneficiar de um cenário favorável aos negócios os produtores mineiros de itens agroartesanais também reconhecidos pela qualidade e diversidade, mas de origem vegetal, como doces e geleias. João Cruz Reis Filho, diretor técnico do Sebrae, enfatiza os atributos essenciais dos produtos agroartesanais, dentro da lei do Selo Arte, compreensão fundamental sobre o distintivo.

São eles: a fabricação em pequenas propriedades, escala de produção também pequena, identificação de origem, expressão da cultura do local onde é fabricado, identidade e emprego de mão de obra familiar. O artigo 3º da Lei do Selo Arte é claro ao incluir no conceito do distintivo os “alimentos de origem animal feitos de forma artesanal, resultante de técnicas predominantemente artesanais, cujo produto final de fabrico é individualizado, genuíno, e mantém singularidades e características tradicionais”. Entender essa legislação é exercício para todos. Afinal, como diz João Cruz, “nada mais difícil do que separar um mineiro de um queijo e um queijo de um mineiro."



Vitoriosos
300%

Foi quanto cresceu o nível de premiação do queijo minas artesanal de leite cru em concursos mundiais na França entre 2017 (13 premiados) e este ano (51)

Afinadores bem-vindos
Nova legislação das mais esperadas no estado é aquela que cria a figura do afinador de queijos, com inspiração na indústria francesa. A afinação é uma arte posterior àquela da fabricação da iguaria, que valoriza o produto ao desenvolver com ele uma receita especial de sabores e sensações. Muitas vezes, consiste em levar o queijo a um banho em vinho, cachaça ou cerveja, despertando novos aspectos sensoriais, uma experiência à qual já têm se dedicado alguns chefs da gastronomia mineira.

Acordo para chinês ver
A decisão do governo da China de abrir seu mercado aos lácteos do Brasil e de Minas Gerais, para venda no mercado da locomotiva asiática de leite em pó e queijos, é um grande feito, mas não quer dizer batalha vencida, como observa Rodrigo Alvim, vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do estado (Faemg). Como produz quase 30% do leite no país, Minas tem chances de se beneficiar de um acordo na mesma proporção. No entanto, para fechar qualquer negociação será preciso aumento da produção leiteira. O Brasil importa o produto. 


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