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Estado de Minas BRA$IL EM FOCO

Os efeitos da recusa do Planalto em felicitar o presidente eleito da Argentina

Mais uma vez, a política ameaça atravessar o caminho da economia, que começa a dar os primeiros sinais de uma leve melhora nos indicadores


postado em 31/10/2019 06:00 / atualizado em 31/10/2019 08:11

O presidente eleito, Alberto Fernández, tem interesse em ratificar o acordo do Mercosul com a Europa, mas a liderança do tratado cabe ao Brasil(foto: Juan Mabromata/AFP )
O presidente eleito, Alberto Fernández, tem interesse em ratificar o acordo do Mercosul com a Europa, mas a liderança do tratado cabe ao Brasil (foto: Juan Mabromata/AFP )
 
Passado o calor do resultado das urnas na Argentina, é preciso observar os impactos da vitória do 'peronista' Alberto Fernández. Não será o fim do mundo para os hermanos, que assistem a uma transição negociada de forma democrática e respeitosa em relação ao pleito de domingo. A crise argentina não dá espaço para pirotecnias populistas, então, o risco maior está nas reações à eleição.

O presidente Jair Bolsonaro terá de rever suas posições iniciais em relação ao resultado das urnas no país vizinho. Mesmo afirmando que vai conversar, criou mal-estar ao não felicitar o colega argentino e ainda afirmar que a Argentina escolheu mal, avaliação que mexe com a soberania do povo argentino. E pior, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, reforçou as críticas às eleições no país vizinho.
 
As primeiras declarações, que mais contribuem para aumentar a apreensão de empresários em relação ao futuro dos negócios com a Argentina, foram logo contemporizadas pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, que aposta no convencimento da população de que o acordo com a União Europeia vai trazer vantagens, como o barateamento dos produtos. Mais do que terceiro destino para as exportações brasileiras – e um dos maiores mercados para os produtos da indústria de transformação do Brasil, a Argentina, como parceria no Mercosul, precisa ratificar o acordo fechado em meados deste ano entre o Mercosul e a UE.
 
O acordo, alardeado como feito do governo Bolsonaro e com estimativas de que possa catapultar o PIB brasileiro em US$ 87,5 bilhões em 10 anos, com investimentos da ordem de US$ 113 bilhões, pode ficar no papel se os argentinos, a exemplo dos austríacos, não ratificarem os termos fechados entre os dois blocos econômicos.

Isso é pouco provável, já que, mergulhada na crise, a Argentina é a principal interessada no acordo. Mas nunca é demais lembrar que o Brasil tem papel fundamental na viabilização do acerto e que é também o país que pode jogá-lo por terra.
 
Mais uma vez, a política ameaça atravessar o caminho da economia, que começa a dar os primeiros sinais de uma leve melhora nos indicadores. O boletim Focus desta semana prevê aumento no crescimento do PIB de 0,87% para 0,91% este ano. É pouco, mas marca tendência de alta na geração de riqueza do país. Essa mesma melhora consta de relatório do economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Finanças e Investimentos (Acrefi), Nicola Tingas, divulgada esta semana. “De fato, está em curso gradual melhora da tração do crescimento neste quarto trimestre, trazendo certo 'otimismo' de melhor desempenho econômico, estendendo-se para 2020 e até mesmo para os próximos anos”, diz ele.
 
Esse otimismo vem da perspectiva de continuidade das reformas estruturais, da inflação baixa, da redução dos juros, confirmada ontem pelo Comitê de Política Monetária, que baixou a Selic de 5,5% para 5% ao ano e trouxe a taxa de juros real para um patamar ainda mais baixo, e da recuperação cíclica do crédito.

Para Tingas, esse cenário, associado a uma “calmaria” no ambiente externo, deve levar a um avanço do PIB próximo a 1% este ano. “Contudo esse 'otimismo' será testado ao longo dos próximos 12 meses, bem antes do final de 2020”. As ameaças, para ele, são de uma recessão mundial maior do que a prevista atualmente e um acirramento da crise política com as eleições municipais sendo uma prévia para as presidenciais de 2022 e as disputas travando as votações no Congresso.

Fluxo cambial

US$ 21,12 bilhões é o saldo negativo das entradas e saídas de dinheiro do país neste ano até o último dia 25, segundo dados do Banco Central.

Para a construção

As empresas vinculadas à Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) apostam numa leve melhora nas vendas em novembro, segundo pesquisa de opinião da entidade. Enquanto 35% consideraram outubro “bom” ou “muito bom”, 50% acreditam que o penúltimo mês do ano será bom. Os outros 50% acreditam que o faturamento nos próximos 30 dias será regular. E mais, 73% delas se dizem indiferentes às ações do governo, enquanto 23% se dizem otimistas e 4% pessimistas.

Confiança dos serviços

Apesar da melhora nos indicadores econômicos, o Índice de Confiança de Serviços (ICS) caiu 0,4 ponto percentual em outubro com relação a setembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). A expectativa em relação ao momento atual teve melhora, mas em relação ao futuro caiu. Em outubro, houve piora na confiança em oito das 13 principais atividades pesquisadas pela FGV. O ICS, com ajuste sazonal, está em 93,6 pontos. No trimestre móvel encerrado em outubro, a confiança teve alta de 0,1%

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