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Estado de Minas BRA$IL EM FOCO

Riscos da recessão, ainda que técnica

Nenhuma das medidas encaminhadas pelo governo até agora têm impacto no curto prazo e a inércia da desaceleração se mantém


postado em 15/08/2019 04:00 / atualizado em 14/08/2019 21:39






A cada novo indicador econômico fica cada vez mais evidente que o Brasil está no ritmo de outra recessão, ainda que apenas técnica. Ela guarda lições das últimas vezes em que o PIB brasileiro encolheu por dois trimestres seguidos nos últimos anos. A última delas ocorreu no primeiro semestre de 2015 e mergulhou o país na maior recessão real da sua história, com o PIB acumulando queda de 7,2% e deixando reflexos até hoje. A anterior teve final diferente. Depois de cair por dois trimestres no fim de 2009, a economia cresceu 7,5% em 2010, a maior alta em 24 anos. Foi uma marolinha que descambou em tsunami.

A recessão técnica, se confirmada pelo IBGE no próximo dia 29, com a divulgação das Contas Nacionais do segundo trimestre, coloca o país em estado de alerta, principalmente em função do cenário externo no curto e médio prazo. E a apreensão vem também da aparente falta de senso de urgência do governo Bolsonaro. Quando o presidente é confrontado com a piora na maioria dos indicadores nos últimos sete meses e manda que perguntem ao Paulo Guedes e este, ao ser questionado sobre a recessão técnica, pede “um pouco de paciência” fica difícil ser otimista. E isso não tem a ver com trabalhar contra o Brasil, como sugere o ministro.

A recessão técnica do primeiro semestre deste ano, ou o simples fato de que o PIB do segundo trimestre fique zerado e não se configure essa recessão, indicam que o país ainda vai demorar a superar o quadro de baixo crescimento econômico, que impede a redução efetiva do desemprego e o aumento mais forte da renda e do consumo. Nenhuma das medidas encaminhadas pelo governo até agora têm impacto no curto prazo e a inércia da desaceleração se mantém, provavelmente até o fim de 2020, com o país crescendo apenas entre 0,8% e 2%, enquanto o mundo crescerá acima de 3%.

Ainda em tramitação no Congresso, reforma da Previdência e MP da Liberdade Econômica não têm impacto no curto prazo sobre o crescimento, porque este virá com a volta dos investimentos, que vão gerar emprego e renda e elevar o consumo. E isso não se dá no curto prazo, principalmente com o cenário de estagnação na Argentina, nosso maior parceiro na América Latina, e de indício de recessão nos Estados Unidos por causa da guerra comercial com a China. E ainda tem o Brexit.

Esperar quatro anos, como sugere Paulo Guedes, é correr o risco de colher o mesmo que Mauricio Macri está colhendo agora na Argentina. E não é bom nem imaginar que para salvar um segundo mandato o governo brasileiro tenha que recorrer a medidas populistas como elevação do salário mínimo em 25% de uma única vez e congelamento dos preços dos combustíveis por 90 dias. São ações que provavelmente não salvarão Macri – que não consegue gerar empregos e fazer o país crescer – porque terão impacto direto sobre o agravamento da crise fiscal da Argentina. A recessão técnica é um aviso. Melhor tirar dela lições para a retomada efetiva do crescimento econômico.



Perdas do lixo
R$ 9,5

trilhões

É o que custa anualmente para a sociedade a deposição de 8 milhões de toneladas de plástico nos oceanos a cada ano, segundo estudo do Marine Pollution Bolletin


Vai um café?
O Brasil exportou 23,52 milhões de sacas de 60kg de café de janeiro a julho deste ano, ao preço médio de US$ 124,80 a saca, gerando receita de US$ 2,93 bilhões. A maior parte, 21,19 milhões de sacas, foi dos cafés verdes, enquanto apenas 2,33 milhões de sacas, ou 9,9% do total, foram de cafés industrializados (solúvel, torrado e moído). Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Na rede
O número de lojas on-line registrou crescimento de 37,59% este ano em relação a 2018, segundo dados da consultoria BigDataCorp e do PayPal. Segundo o levantamento, já são cerca de 930 mil sites dedicados ao comércio eletrônico no Brasil, com a maioria deles (59,76%) adotando plataformas fechadas. O crescimento agora é o maior desde 2014 e muito superior ao de 2016 (9,2%) e ao de 2017 (12,5%), segundo a pesquisa.

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