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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

A Seleção Brasileira não nos representa mais


05/09/2021 04:00

Neymar, atacante da Seleção Brasileira e do PSG(foto: Claudio Reyes/AFP)
Neymar, atacante da Seleção Brasileira e do PSG (foto: Claudio Reyes/AFP)
Hoje é dia de Brasil x Argentina, considerado um dos maiores clássicos do futebol mundial, mas que anda em baixa. Se no passado a rivalidade era até exagerada, o que vemos nos "tempos modernos" é Neymar rindo e abraçando Messi após perder a Copa América para os hermanos, em pleno Maracanã. O jogador que tem vergonha na cara vai para o vestiário, depois de derrotado, se resigna e pensa no próximo jogo, para tentar dar o troco. Jamais veríamos Zico, Reinaldo, Éder e Cerezo abraçando e sorrindo após perder um título para a Argentina. Jamais!

Porém, é sabido que os caras de hoje em dia têm muito amor ao dinheiro. A camisa amarela, tão banalizada ultimamente, não significa muito para eles. Só mesmo no discurso.

Aliás, vai aqui uma curiosidade. Na Copa América de 2019, também no Brasil, Neymar não jogou e o time brasileiro foi campeão. Na deste ano, em que ele atuou, os argentinos ganharam, e Messi conquistou seu primeiro e único título pela seleção de seus país desde que ingressou no time principal.

Messi é protagonista por onde passa. Neymar, o velho e conhecido coadjuvante. Assisti ao jogo de quinta-feira contra o Chile, pelas Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial do Catar. O que vi foi um time desestruturado, sem consistência, sem corpo, alma, muito mal treinado.

Tite pôs Gabigol de ponta-direita, Everton Ribeiro de centroavante e Neymar sem função. Aliás, que péssima partida fez esse rapaz. O comentarista quis justificar que ele só jogou 60 minutos pelo PSG na temporada que está começando. Balela.

Cristiano Ronaldo jogou meia partida pela Juventus, se transferiu para o United, onde não estreou, e foi o herói da virada de Portugal sobre a Irlanda, marcando os dois gols, chegando a 111, em 180 jogos, e se transformando no maior artilheiro de seleções de todos os tempos.

Esse sim é um baita profissional. A questão é que ele se cuida, não é visto em baladas na pandemia, não pinta o cabelo a todo o momento e não faz firula com o cai-cai em campo. É protagonista, ídolo e um cara muito do bem.

Em 2007, cobrindo o amistoso Brasil 0 x 2 Portugal, entrevistei CR7, que jogava pelo United, ainda jovem, e disse a ele que já naquela época o time brasileiro não tinha um centroavante como ele.

Gentilmente, ele respondeu: "Ora, pois, pois, ouvir isso de vocês é um grande elogio, pois o Brasil sempre teve os melhores atacantes do mundo".

Eu o entrevistei sozinho, para a Jovem Pan e para o Estado de Minas, enquanto os outros jornalistas, na zona mista, queriam ouvir os jogadores brasileiros.

Naquela época, CR7 ainda não havia ganhado Champions League e sua estrela apenas começava a brilhar. Sou fã dele pela sua trajetória, história, carisma e competência.

O povo brasileiro anda distante da Seleção, principalmente depois dos 7 a 1. Os meninos, principalmente, hoje torcem por times europeus e estão se lixando para Tite, Neymar e cia. Uma seleção que não tem empatia com a torcida, que sai dos hotéis e aeroportos, escondida, sempre pela porta de trás, ou em ônibus com cortinas fechadas.

Realmente um bando de jogadores bem comuns, que empobrecem nosso futebol a cada partida.

Por cobrir a Seleção, pelo mundo, há 35 anos, fico triste em constatar isso. Viajamos o mundo inteiro, no mesmo avião dos jogadores, batendo papo com eles, entrevistando-os, criticando e elogiando, mas tudo na mesma medida.

E estou falando de Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Romário, Ronaldinho Gaúcho. Isso pra não ter que voltar em 1986, quando sentávamos, na Toca da Raposa, com Júnior, Zico, Cerezo, Reinaldo, Sócrates, Éder, Luisinho, e fazíamos a entrevista na escada que dá acesso aos quartos.

Os caras eram nossos ídolos, mas eram como a gente, de carne e osso. Hoje, pensam que são extraterrestres, que estão acima do bem e do mal, que são melhores que a gente. O torcedor não os suporta mais!

Nunca deixei de dizer que não importa o técnico ou os jogadores. Vestiu a amarelinha, eu torço para o Brasil. Não torço contra, jamais. Porém, verdadeiro que sou, não fico mais triste quando o Brasil perde uma partida. Esses caras não me representam, embora estejam vestindo a camisa brasileira mais famosa do mundo.

Neymar e cia vão passar sem deixar a menor saudade. Espero que possamos formar uma nova geração, de jogadores de verdade, que gostem do povo brasileiro, que os respeite, e que, acima de tudo, mostrem o futebol que conquistou o mundo.

Só nós somos pentacampeões, até quando, não sei. Talvez ano que vem, Alemanha ou Itália, que são tetras, uma delas, nos alcance. Aí, não teremos mais o que comemorar.

Eliminações precoces têm sido nossa sina nas últimas quatro edições de Mundiais, e, pelo jeito, será também no Catar. O Brasil sempre será favorito em qualquer Copa, não pelo futebol atual, mas pelo passado glorioso de craques e conquistas.   

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