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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Atlético pagou R$ 75 milhões em comissões a empresários nos últimos 3 anos

Já passou da hora de os clubes se transformarem em empresas, contratando CEOs remunerados, que deem lucros e taças


28/03/2021 04:00 - atualizado 28/03/2021 07:55

Presidente Sérgio Coelho, que assumiu a gestão neste ano, negocia com credores(foto: Bruno Cantini/Atlético)
Presidente Sérgio Coelho, que assumiu a gestão neste ano, negocia com credores (foto: Bruno Cantini/Atlético)
Os conselheiros do Atlético estão abismados em saber que somente de comissão a empresários, nos últimos três anos, o Galo pagou – ou terá que pagar, já que há muita comissão atrasada –, aos agentes de futebol. Uma quantia inimaginável, absurda e fora dos padrões dos clubes brasileiros. Uma fonte revela que somente o atacante Vargas (que levou R$ 5 milhões de luvas e ganha R$ 1 milhão mensais, em dois anos de contrato) vai gerar uma alta comissão ao seu empresário.

Na verdade, os clubes têm se organizado e feito uma espécie de teto, onde 3% de comissão é o ideal. Mas há casos em que se pagou até 10% de comissão.

Vale lembrar que na negociação do Vargas não precisava intermediário, já que ele e Sampaoli eram amigos, e o próprio técnico entrou em contato com ele.

Porém, colocaram um agente na negociação, para gerar comissão, segundo a fonte: “Um descalabro. O Vargas estava acertado e não havia a menor necessidade de intermediação. Tem muita coisa errada, que deverá ser apurada durante a auditoria pedida pelo presidente do Conselho e que deverá começar nos próximos dias”, revela.

Diante desse quadro assustador, o atual presidente do Atlético, Sérgio Coelho, que não tem nenhuma responsabilidade por negócios feitos anteriormente à sua chegada, está chamando os empresários, pedindo desconto de mais de 50%, para acertar as dívidas.

Ainda assim, com o desconto, quer parcelar em várias prestações, pois o clube está com dificuldades financeiras. Não fosse o dinheiro dos mecenas os salários estariam atrasados e nenhuma negociação poderia ser feita.

Coelho admitiu isso em entrevista ao Superesportes, na quinta-feira.

dívida de mais de R$ 1 bilhão, que antecipei com exclusividade e que será apresentada ao Conselho entre os dias 3 e 5 de abril, também é considerada absurda.

Os clubes gastam o que não têm, contratam de forma irresponsável e uma hora a bomba explode. Segundo a mesma fonte, mais de R$ 300 milhões foram gastos nos últimos três anos, e o Galo só conquistou um título mineiro.

“Não acredito que o Conselho vá aprovar as contas da gestão anterior. A auditoria deverá observar tudo com lupa, para saber o motivo desse aumento absurdo da dívida. No Atlético não há espaço para amadores. Tudo será muito bem esclarecido e, se houver qualquer desvio, com certeza vamos apurar. Aqui não estamos acusando ninguém, mas tem muita coisa absurda, como por exemplo essa quantia exagerada em comissões a empresários”, diz a fonte.

Nesta madrugada foi divulgado o balanço do Corinthians, que chega a R$ 950 milhões em dívidas, sem contar o débito com o estádio, Itaquerão. Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Flamengo também estão muito endividados. Porém, o rubro-negro conseguiu equacionar suas dívidas e se tornou superavitário, até que a pandemia chegou como um furacão e deixou todos os clubes com poucas receitas.

Na verdade, esse endividamento dos clubes nada mais é do que irresponsabilidade dos dirigentes, amadores. O São Paulo, por exemplo, contratou Daniel Alves, ex-jogador em atividade, ganhando R$ 1,5 milhão mensais. Está devendo mais de R$ 10 milhões ao atleta.

Se houvesse responsabilidade fiscal, com certeza o clube não teria cometido essa loucura.

O Fluminense paga R$ 1 milhão mensais a Paulo Henrique Ganso, com cinco anos de contrato. Ele jogou pouquíssimas partidas como titular e dá um prejuízo enorme aos cofres do clube.

Por isso, já passou da hora de os clubes se transformarem em empresas, contratando CEOs remunerados, que deem lucros e taças. Esse negócio de dirigente amador, que nada recebe para trabalhar para o clube, não dá mais. É uma prática arcaica e que não cabe mais nos dias atuais.

Há vários casos, comprovados, de corrupção de dirigentes, que usufruem do dinheiro do clube em causa própria. Com o clube-empresa, isso jamais acontecerá, pois haverá fiscalização, e os CEOs vão trabalhar com orçamento que não poderão extrapolar. Receitas terão que ser maior que despesas.

O projeto já está aprovado na Câmara dos Deputados e deverá ser votado no Senado, em breve. Deveria ter acontecido neste mês, mas, com a prioridade da vacina e de se criar leitos para os pacientes, os senadores estão tendo muito trabalho, e, neste momento, salvar vidas está acima de qualquer coisa.

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