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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Jorge Jesus merece o salário milionário no Flamengo

Se multiplicarmos o salário de Jorge Jesus por 12 meses, ele ganhará no total R$ 20,4 milhões, menos de 10% do que o clube faturou com premiações e bilheteria


postado em 07/06/2020 04:00 / atualizado em 07/06/2020 08:00

O português Jorge Jesus renovou com o Flamengo e ficará mais um ano no comando do time rubro-negro(foto: NELSON ALMEIDA/AFP - 2/10/19)
O português Jorge Jesus renovou com o Flamengo e ficará mais um ano no comando do time rubro-negro (foto: NELSON ALMEIDA/AFP - 2/10/19)


O técnico Jorge Jesus renovou com o Flamengo, ganhando R$ 1,7 milhão por mês. Contrato de um ano, comemorado por jogadores e torcedores, que têm no mister um grande ídolo e um técnico de verdade. Todos conhecem meu posicionamento com relação a esses salários no Brasil, país com economia debilitada. Acho uma afronta salários milionários, quando o povo ganha míseros R$ 1.045 de salário mínimo de fome. Porém, no caso do Flamengo, vou abrir exceção. Por quê? Porque sou Flamengo confesso e fã do mister? De jeito nenhum.

Sou a favor porque o Flamengo, que foi ajeitado durante seis anos na gestão Bandeira de Melo, que saneou as dívidas e transformou o clube superavitário, faturou R$ 1 bilhão em 2019, dos quais R$ 90 milhões em premiação pela conquista do Brasileiro e Libertadores e R$ 150 milhões em bilheterias. Se multiplicarmos o salário de Jorge Jesus por 12 meses, ele ganhará no total R$ 20,4 milhões – menos de 10% do que o clube faturou com premiações e bilheteria. Ou seja: o mister deu um lucro fantástico ao Fla.

Por isso, bato na tecla de os clubes se transformarem em empresas. O Flamengo não virou S.A. ainda, e talvez não vire, pois tem patrimônio de 42 milhões de torcedores, marca histórica. Com a casa ajeitada financeiramente, montou um belíssimo e caro time, que ganhou quase tudo em 2019 e vai buscar mais taças quando o futebol voltar.

Os clubes brasileiros têm duas opções: virar empresas ou tentar se ajeitar financeiramente, como fez o Flamengo. Como a segunda opção é bem difícil, pois a maioria está quebrada, é melhor tentar achar um parceiro que queira ser o dono do clube.

Os torcedores me perguntam se isso não iria descaracterizar um clube. De jeito nenhum. O torcedor vai continuar torcendo pelo time, mesmo com uma grande empresa administrando e bancando tudo. Ninguém torce para os patrocinadores que estampam suas marcas no peito das camisas dos jogadores.

Não há outro caminho, principalmente depois da pandemia do coronavírus, que parou a economia global. Não dá mais para dirigentes irresponsáveis pagarem fortunas a técnicos e jogadores, com os clubes devendo R$ 700 milhões, R$ 800 milhões, R$ 1 bilhão. Os clubes têm que trabalhar em cima de orçamentos, receitas e despesas. Chega de buracos nas contas. Chega de conselhos votando e aprovando contas maquiadas. Esse modelo está ultrapassado e permite a corrupção.

Há presidentes de clubes que são donos de empresas, mas não gastam nelas mais do que arrecadam, pois uma irresponsabilidade pode custar sua falência. Já nos clubes, não estão nem aí. São reféns da televisão, com pedidos de adiantamentos de cotas e jogos em horários indecentes (21h30). Na Europa, onde há segurança bem maior que no Brasil, os jogos são às 20h. Quem determina são os clubes, não a TV.

Somos vaquinhas de presépio. Dizemos sim para tudo e para todos. Quem sabe com as manifestações pacíficas pela morte de George Floyd possamos aprender a protestar? Defendo manifestações pacíficas, e não badernas, saques ou assaltos. Os que fazem isso são bandidos, ladrões, arruaceiros, merecem cadeia.

Chega também de cairmos no conto dos jogadores que dizem amar o clube. Tem uns por aí que já amaram tantos clubes que não dá para acreditar mais. Ainda há os que amam de verdade, mas o torcedor sabe quem são. Vou citar um exemplo aqui: Fred. Jurou amor ao Fluminense, vai receber, segundo ele, dois salários mínimos até o Brasileirão começar e, a partir daí, com certeza vai ganhar uma boa grana.

Um torcedor ficou irado quando fui contrário à sua volta ao tricolor das Laranjeiras, na rádio Tupi. Um clube que já tem Ganso e Nenê, jogadores caros e que não dão retorno, agora terá também Fred, marqueteiro de primeira, que foi de bicicleta, de Minas ao Rio, para fazer mais uma média. O mesmo Fred que, segundo a Justiça, deve mais de R$ 12 milhões ao Atlético.

Sei que ele é ídolo, ganhou dois brasileiros e ajudou o Flu a não cair para a Segundona há alguns anos. Porém, aos 36 anos, não dá mais. Não esperem o mesmo desempenho de 2010 ou 2012. Lembram-se da Copa do Mundo de 2014 e dos 7 a 1 que a Seleção Brasileira tomou da Alemanha, e do Cruzeiro de 2019, que caiu para a Segundona? Pois é, esse mesmo Fred estava nas duas campanhas!

Sempre sonhei com o Brasileirão de pontos corridos, pensei que não estaria vivo para vê-lo. Ele está aí desde 2003 e é um sucesso por premiar a melhor equipe, a mais regular. Também sonho com a transformação dos clubes em empresas, com presidentes remunerados como CEOs e a extinção da figura do diretor de futebol. Torcedor, por que em vez de encher estádio você não vai para a rua protestar, pedindo a implantação do clube-empresano Brasil? Faça de forma ordeira e pacífica, e tenho certeza de que sua voz será ouvida!

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