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Passou da hora de os clubes no Brasil serem geridos como empresas

Digamos que um clube arrecade R$ 200 milhões por ano. Não pode gastar mais do que R$ 190 milhões, por exemplo, deixando R$ 10 milhões no caixa. Deveria ser assim, mas ocorre o contrário


postado em 03/06/2020 04:00 / atualizado em 02/06/2020 22:32

É preciso pensar numa nova forma de gestão: clubes como o Atlético teriam maior chance de triunfar como empresas(foto: BRUNO CANTINI/ATLÉTICO %u2013 27/4/20)
É preciso pensar numa nova forma de gestão: clubes como o Atlético teriam maior chance de triunfar como empresas (foto: BRUNO CANTINI/ATLÉTICO %u2013 27/4/20)

 
O Atlético está devendo tantos milhões de reais. O Cruzeiro, o Fluminense, o Vasco, o Botafogo, o Corinthians, enfim, a maioria dos grandes clubes brasileiros está quebrada. Isso é fato. Porém, as pessoas querem falar do Galo, como se algo estivesse errado na sede de Lourdes. Ora, bolas! Todos os presidentes que passaram pelo clube fizeram o melhor. Contrataram, dispensaram jogadores, investiram, fizeram o que foi possível. Se não deu certo, paciência. O futebol brasileiro é assim há décadas. Tenho dito que essa forma amadora não cabe mais. Os presidentes de clubes precisam ser remunerados, CEOs, com metas e objetivos a cumprir. Nenhum deles cumpre o orçamento previsto.
 
Basta um fracasso numa competição para o torcedor protestar e o presidente contratar, de forma irresponsável, ex-jogadores em atividade, alguns oriundos do futebol europeu, com os mesmos salários que ganhavam lá. Dessa forma, os clubes vão se endividando, virando uma bola de neve. Orçamento é para ser cumprido! Se você tem uma empresa e ela trabalha no vermelho, não há como mantê-la por muito tempo. Isso se a empresa fosse dos dirigentes. Como os clubes não são deles e não há responsabilidade fiscal, vão fazendo dívidas, fechando o ano com déficit, pois sabem que a instituição não irá fechar.
 
Não há mágica no futebol. Os clubes trabalham com orçamentos milionários, mas, ainda assim, extrapolam a conta. Digamos que um clube arrecade R$ 200 milhões por ano. Ele não pode gastar mais do que R$ 190 milhões, por exemplo, deixando R$ 10 milhões no caixa. Deveria ser assim, mas o que ocorre é justamente o contrário. Os dirigentes gastam os R$ 200 milhões e vão muito além disso quando as coisas não ocorrem bem e os títulos não vêm. Por isso vejo a necessidade de os clubes virarem empresas no papel, para que haja responsabilidade em trabalhar com o orçamento previsto. A CBF trabalha em cima disso, pois, segundo o secretário-geral, Walter Feldman, os clubes terão de se ajustar, sob pena de punição, com perda de pontos e até rebaixamento. Já passou da hora de isso ocorrer. Entendo que alguns querem ser presidentes de um clube por amor, outros, por vaidade, e os piores, para roubar. Vejam o caso dos ex-dirigentes do Cruzeiro na última gestão, acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e outras falcatruas mais.
 
Não há mais espaço para o amadorismo. O futebol tem de ser encarado como empresa. O Flamengo é o exemplo a ser seguido. O ex-presidente Bandeira de Mello saneou o clube, ficou seis anos no comando e ganhou uma Copa do Brasil, em 2013. Rodolfo Landim, que o sucedeu, montou um timaço e ganhou as taças mais importantes do ano passado. O clube faturou R$ 1 bilhão, número inimaginável há pouco tempo. Um clube que fatura uma fortuna dessas não pode ser amador. O caminho é o clube se transformar em empresa. E o Flamengo ainda tem uma vantagem: quem negocia jogadores, compra, vende, faz os contratos, é o vice-presidente eleito, Marcos Braz. Com ele não tem conchavo nem rachadinha com a comissão do empresário. Os diretores de futebol são um câncer para os clubes. Contratam mal, alguns são acusados de fazer esquemas, e os prejuízos vão se acumulando. Cruzeiro e Palmeiras que o digam, pois tiveram suas dívidas aumentadas de forma substancial.
 
Não acho que o Atlético deva fazer caça às bruxas. É preciso pensar numa nova forma de gestão. Por que não transformar o clube em empresa? Com uma das torcidas mais apaixonadas do país, o único time de Minas na Primeira Divisão, com estádio próprio terá tudo para decolar. O Galo precisa pensar pra frente, em se tornar um ganhador de taças, pois é isso que caracteriza uma equipe. Vejam os exemplos de 2012, 2013 e 2014, quando o Galo foi vice-campeão brasileiro e ganhou a Copa Libertadores, Copa do Brasil e Recopa Sul-Americana. Vejam o quanto a marca se valorizou com essas conquistas! Imaginem o Atlético trabalhando com um orçamento X, faturando com o novo estádio, formando um grande time, com jogadores oriundos da base! É isso que precisa ser feito. O resto é “conversa para boi dormir”. A marca Atlético é gigantesca. Muitas vezes, os torcedores não entendem a falta de taças, pois eles são passionais e sentimentais. Os dirigentes, não. Esses têm de ser firmes em seu propósito. Se for possível gerir e ganhar, maravilha. Se não for, que pelo menos o clube fique organizado, superavitário, com possibilidades de taças na temporada seguinte.
 
Os clubes têm de se organizar, buscar alternativas financeiras, com donos! Clube empresa. Há certa resistência por causa dos péssimos exemplos no fim da década de 1990 e começo da década de 2000. Hicks Muse, ISL, empresas que assumiram Cruzeiro, Flamengo e Grêmio, não entenderam o mercado brasileiro e a coisa não fluiu. Agora é outro momento, o mundo evoluiu. Tenho a certeza de que o negócio futebol é um belo produto, que precisa ser lapidado com carinho e responsabilidade.
 
Temos clubes fortes em suas marcas, mas fracos em gestões equivocadas. E não se atenham à ajuda do governo federal. Com o recuo do PIB em 6,5% neste ano e com a pandemia do coronavírus, o governo brasileiro tem de cuidar da população desempregada, sem recurso. Como escrevi na segunda-feira, tirar R$ 1 do trabalhador para enfiar em clube de futebol será um crime. Até concordo com um relaxamento do Refis do Profut, por três meses, pois os clubes estão parados e sem faturamento. Porém, quando a bola voltar a rolar, que as dívidas sejam cobradas, como são cobradas as dívidas da população. Não tem de haver perdão. Os clubes já tiveram Refis e mais Refis em suas histórias, e a bola de neve vem se formando há décadas. Chegou a hora de isso acabar. O clube que não tiver competência para se gerir ou se transformar em empresa, que suma do mercado, como muitos já sumiram. Profissionalização do futebol é a palavra de ordem, para que possamos caminhar na direção da organização, qualidade e de um esporte bretão que nos dê orgulho!


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