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Estado de Minas SUSPEITA DE CORRUPÇÃO

Beckenbauer é investigado por desvio de verba na Copa de 2006


postado em 07/08/2019 04:00

Beckenbauer, ex-presidente do Comitê Organizador da Copa de 2006 e ídolo do futebol alemão, é suspeito de fraude(foto: Ina Fassbender/AFP - 1º/4/19)
Beckenbauer, ex-presidente do Comitê Organizador da Copa de 2006 e ídolo do futebol alemão, é suspeito de fraude (foto: Ina Fassbender/AFP - 1º/4/19)


Berna (Suíça) – Procuradores da Suíça denunciaram ontem quatro dirigentes do futebol por suspeita de corrupção na organização da Copa do Mundo de 2006, disputada na Alemanha. Eles são acusados de terem mentido sobre o uso de 6,7 milhões de euros (cerca de R$ 29,3 milhões, pela cotação atual) durante os preparativos para a competição, cujo título foi conquistado pela Itália após superar a França, nos pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação na grande decisão, em Berlim.

De acordo com o gabinete do procurador-geral da Suíça, os cartolas alegaram que o valor teria sido usado para a cerimônia de abertura. Mas esta soma, declarada ainda em abril de 2005, pouco mais de um ano antes do início do Mundial, teria sido desviada. A procuradoria não revelou detalhes sobre o verdadeiro uso do dinheiro, que saíra do orçamento do Comitê Organizador Local da Copa de 2006.

Os ex-dirigentes denunciados são os alemães Horst Schmidt, Theo Zwanziger e Wolfgang Niersbach e o suíço Urs Linsi, ex-secretário-geral da Fifa. Zwanziger e Niersbach já foram presidentes da Federação de Futebol da Alemanha (DFB, na sigla em alemão). Schmidt, Zwanziger e Linsi são acusados de participar da fraude. E Niersbach foi denunciado por ter sido supostamente cúmplice.

A procuradoria destacou que Franz Beckenbauer, ídolo alemão e ex-presidente do Comitê Organizador da Copa de 2006, também está sendo investigado pela mesma denúncia. Mas seu caso está sendo conduzido separadamente porque “ele se encontra com problemas de saúde”, de acordo com os procuradores suíços. Todos os acusados negam ter cometido qualquer crime.

A investigação de Beckenbauer envolve a figura polêmica de Mohammed Bin Hammam, que tentou se tornar presidente da Fifa, se tornou rival do suíço Joseph Blatter e acabou banido do futebol após diversas acusações de corrupção.

“As investigações revelaram que, no verão de 2002, Franz Beckenbauer aceitou empréstimo de 10 milhões de francos suíços (R$ 40 milhões) em seu nome e em sua própria conta, vindo de Robert Louis-Dreyfus. Esta soma foi usada para bancar diversos pagamentos feitos, através de um escritório de advocacia da Suíça, para uma empresa do Catar, que pertencia a Mohammed Bin Hammam”, disse a procuradoria-geral da Suíça, ontem.

Então poderoso na época, Bin Hammam era membro do Comitê Executivo e do Comitê de Finanças da Fifa. “O objetivo exato do pagamento total de 10 milhões de francos suíços a Mohammed Bin Hammam não pôde ser determinado. E isso porque um pedido de ajuda feito pela procuradoria às autoridades do Catar, em setembro de 2016, segue sem resposta até hoje”, informou o escritório da procuradoria suíça.


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