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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Fomos da bandidagem de 2019 a um Cruzeiro totalmente desfigurado

Em 83 jogos, tivemos várias formações em campo, a maioria composta por jogadores de nível técnico questionável, os 'Claudinhos da vida'


21/07/2021 04:00 - atualizado 21/07/2021 07:51

De vexame em vexame, como diante do Avaí, a equipe celeste foi variando a escalação de uma forma que desola seus torcedores(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
De vexame em vexame, como diante do Avaí, a equipe celeste foi variando a escalação de uma forma que desola seus torcedores (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

Seja no campinho de terra, cravado na encosta da Igreja do São Pedro, na minha Mariana, ou no templo sagrado do futebol, o Maracanã. Um velho ditado dos boleiros se aplica a ambos os cenários. Quando um bom jogador atua num time repleto de outros horríveis, no máximo, ele consegue ser ruim.

Ainda tentando entender as causas desse calvário do Cruzeiro, me peguei fazendo uma retrospectiva desde a tragédia de 2019, provocada pela organização criminosa composta por dirigentes, conselheiros e jogadores. Analisei resultados, escalações e desempenhos do nosso time do início de 2020 até o último final de semana, quando de mais um vexame diante do Avaí.

Descobri que, em tempos de Claudinho e sua incapacidade de jogar futebol para além dos passes para trás, como um jogador de rugby, buscar alívio no passado de João Lucas, Everton Felipe e Wellinton “Forest Gump” pode ser ainda mais torturante.

É desolador passar por uma fase como essa tendo a certeza e os vários exemplos de como é quase impossível fazermos a roda girar ao nosso favor tendo um coletivo tão sofrível, mesmo que percebamos em meio a ele alguns bons jogadores e até ídolos, como Fábio.

Estamos há um ano e meio desnorteados. Assistindo a várias formações diferentes em campo e no plantel, mas com uma característica singular. Todas elas foram arremedos de um time de futebol. Vejamos algumas escalações para perceber essa triste constância.

Na primeira partida de 2020, logo após o desmonte provocado pela ida à Série B, vencemos o Boa Esporte com Fábio, Edílson, Leo, Cacá e Rafael Santos; Jadsom (Edu), Adriano, Rodriguinho (Welinton) e Maurício; Thiago (Judivan) e Alexandre de Jesus. Técnico: Adílson Batista.

Mais à frente, quando a partida contra o CRB já era o prenúncio (que se concretizou dias depois) da parada por conta da pandemia de COVID que chegava ao Brasil, a China Azul, nas arquibancadas, teve o desprazer de assistir a uma derrota por 2 a 0. Jogamos assim: Fábio, Edílson (Welinton), Arthur, Cacá e João Lucas (Rafael Santos); Felipe Machado, Jadsom, Maurício e Everton Felipe (Robinho); Thiago e Marcelo Moreno. Técnico: Adílson Batista.

Quando o desastre de não retornarmos à Série A já era um fato, encerramos a temporada 2020, num 0 a 0 contra o Paraná Clube, assim: Lucas França, Rafael Luiz, Cáceres, Paulo e Mateus Pereira; Adriano, Jadsom, Giovanni Piccolomo (Claudinho); William Pottker, Welinton (Stênio) e Rafael Sóbis. Técnico: Célio Lúcio.

Iniciamos a temporada 2021. Ventos bons pareciam soprar e acreditávamos que nada poderia ser pior do que o que havia passado até então. Veio o 1 a 1 contra o Uberlândia. Assim jogamos: Fábio, Cáceres, Manoel, Weverton e Alan Ruschel (Mateus Pereira); Matheus Neris (Adriano), Mateus Barbosa (Claudinho) e Marcinho (Thiago); Rafael Sobis, William Pottker e Felipe Augusto (Airton). Técnico: Felipe Conceição.

No último sábado, revivendo o pesadelo de jamais termos entrado ao menos no G-4 da Série B, derrota por 3 a 0 para o Avaí com Fábio, Norberto, Léo Santos (Wellington Nem) e Rodolpho e Jean Victor (Felipe Augusto); Ariel Cabral, Lucas Ventura (Rômulo), Marcinho e Claudinho (Rafael Sobis); Bruno José (Giovanni Piccolomo) e Marcelo Moreno. Técnico: Mozart.

Nos 83 jogos, foram 26 derrotas; duas desclassificações precoces na Copa do Brasil; duas Country Cups sem chegar à final e rodadas intermináveis de namoro com as últimas posições do Campeonato Brasileiro. Nas 31 vitórias, jogos realmente convincentes, apenas dois: contra a Ponte Preta, em 2020, e frente ao Atlético de Lourdes na temporada atual.

O que consigo enxergar nisso tudo é desolação. É fruto do agora ou resquício do antes? Não tenho afeição por caça às bruxas, por transferência de responsabilidades, vaidades pessoais acima do bem coletivo e tampouco, pela covardia do “quanto pior, melhor”. Não julgo um fato sem analisar seu contexto histórico.

O capítulo tenebroso de 2019 nos trouxe ao fato de hoje. Quais são os culpados por não virarmos essa página? Escolho tentar virá-la.

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