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Estado de Minas CLÍNICA

O que se sabe sobre a vacina da COVID-19 até agora?

São quase 200 estudos em desenvolvimento no mundo, 60 estão sendo testadas em humanos e 11 estão na fase final, porém somente seis estão em fases avançadas


23/10/2020 06:00 - atualizado 21/10/2020 14:25

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

A célebre frase de César "A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta" foi cunhada 63 anos antes de Cristo. O mesmo pensamento vale no universo científico, a pesquisa científica não basta ser boa, tem que comprovadamente ser boa.

Uma forma bem lúdica de explicar que, por mais que a necessidade e a vontade de uma vacina contra a COVID-19 sejam enormes, é muito importante manter as formas corretas de se fazer ciência, as boas práticas clínicas de pesquisa, então trouxe nesta semana algumas notas rápidas para você não ficar perdido.

Quantos estudos estão sendo realizados no mundo para desenvolver vacinas contra COVID-19?

São quase 200 estudos em desenvolvimento no mundo, 60 estão sendo testadas em humanos e 11 estão na fase final, porém somente seis estão em fases avançadas e com reais possibilidades de disponibilidade nos próximos meses.

Quais são esses estudos?

Alguns dos estudos são Oxford/AstraZeneca inglesa, Sinovac chinesa, Moderna americana, Biontech/Pfizer/Fosun parceria alemã, americana e chinesa, CanSino chinesa e Sinopharm chinesa.

Os estudos podem ser iniciados ou patrocinados por empresas em um determinado país, mas necessitam de condições favoráveis para serem desenvolvidos e por isso é muito importante as forças colaborativas e empenho de vários países para validar os produtos que estão sendo desenvolvidos, até estar disponível uma vacina segura e eficaz para a população mundial.

No Brasil estão sendo realizados quatro ensaios clínicos. Participar dessa etapa é visto como muito positivo para nosso país, pois nos confere autonomia para produzir, comercializar, opinar e ter prioridade em ações de vacinação no mundo.

Os últimos anúncios do governo apresentaram novas esperanças sobre os rumos da vacinação no Brasil e no Mundo, quais são as novidades?

Apesar de todo show midiático custeado por políticos no mundo inteiro a respeito de quem será bala de prata contra a pandemia, há sim um direcionamento a respeito das maiores probabilidades de desenvolvimento da vacina.

A Coronavac da Sinovac, que está em desenvolvimento em parceria com Instituto Butantan, apresenta algumas vantagens. A técnica de produção da vacina é mais tradicional, conhecida e amplamente utilizada em outras vacinas (produção através de vírus vivo inativado), a expertise para essa atividade é maior.

Como está em estágio avançado e não houve eventos adversos graves descritos, entendemos que esta fase três, no quesito segurança, confirma o que já foi observado anteriormente.

O foco desta fase do estudo é entender o quanto a vacina pode proteger o indivíduo, lembrando que há várias estratégias como a não infecção, a redução de propagação e também a atenuação - neste último caso indivíduos vacinados poderiam ainda sim desenvolver a doença, porém com uma gravidade muito menor. 

Como é avaliada a eficácia da vacina?

Uma vacina para ser considerada eficaz deve conferir imunidade a pelo menos 70% dos indivíduos, porém há discussões a respeito de flexibilização para valores de 50% devido à urgência e à necessidade, lembrando que essas decisões não cabem ao governador e nem ao presidente, mas sim às agências reguladoras como ANVISA e aos acordos internacionais.

Não é lógica e nem natural esta análise. Ao contrário do senso comum, a ausência de pessoas doentes não responde à pergunta sobre eficácia da vacina. Imagine que todos os vacinados estivessem em situações de não exposição ao risco de se contaminar e desenvolver a COVID-19? O número de casos seria aproximadamente zero com ou sem vacina.

Ou seja, uma das análises é que os voluntários que participam dos ensaios clínicos não desenvolvam a doença, porém para concluir esta avaliação é necessário que seja observado casos confirmados de COVID-19 no grupo dos que receberam o placebo. Esse fato comprova que os voluntários estavam expostos e que o grupo de vacinados obteve desempenho melhor em relação ao não vacinado.

Como é feita a produção da vacina?

Produzir uma vacina não é fácil como misturar leite com café. Exige infraestrutura e biossegurança adequada, insumos específicos e investimento. Para produção de 46 milhões de doses são necessários em torno de 3 meses de produção intensiva de vacina. Lembrando que estamos pensando em vacinas que são duas doses para cada pessoa, ou seja, devemos produzir dobrado.

Este fato está confundindo muitas pessoas, ter vacina não é ter campanha de vacinação e nem vacina disponível. Todas as indústrias estão apostando em resultados positivos e iniciaram suas linhas de produção de vacina, pois não há tempo para espera, estão todos tentando ganhar tempo, após a aprovação das vacinas pelas agências reguladoras seriam necessários mais meses para produzir a vacina. Essas são estratégias adotadas devido às urgências impostas pela pandemia. 

O que falta para termos a vacina?

É necessária a comprovação da eficácia da vacina e isso somente é possível se os estudos concluírem os recrutamentos de um número mínimo de voluntários, estamos falando de 80 mil pessoas em um estudo, 13 mil em outro e assim por diante, sendo necessárias mais de 100 mil pessoas voluntárias em todos os estudos juntos.

Os estudos irão validar o que foi exposto previamente - segurança mas, principalmente, eficácia. O mundo precisa de voluntários para fazer esses estudos caminharem, independentemente de qualquer que seja o estudo há uma carência importante de voluntários para que as metas de recrutamento sejam alcançadas.

No estudo que eu participo - Coronavac da Sinovac/Butantan - ainda estamos recrutando profissionais da saúde voluntários em Belo Horizonte.

Os interessados, devem preencher um cadastro rápido no link: https://forms.gle/ZAhgPsuKvy3xdAkt9. Em caso de dúvidas, o voluntário poderá entrar em contato pelos números 031 98264-1699 ou 031 99965-3059. Participe e faça parte dessa história.

As boas notícias anunciadas pelo governo esta semana foram que a vacinação contra a COVID-19 irá compor o PNI - Programa Nacional de Imunizações e atualmente será composta por três vacinas diferentes, podendo atingir a totalidade da população.

Mas, antes de tudo, precisamos ter vacinas disponíveis e neste momento não há nenhuma melhor que a outra, pois não temos nenhuma. Qual a melhor? A que funcionar. Se vai ser obrigatória ou não, e quem vai ser o primeiro grupo a receber a vacina é uma política de Estado e não uma discussão a priore científica.

O Brasil é um dos países com maior número de doses reservadas em produção, em torno de 200 milhões de doses já estão reservadas, sendo aprovadas passam a estar à disposição das estratégias das autoridades competentes.

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