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Mais ministérios não! É o presidente Jair Bolsonaro se corrigindo

Só que faltou combinar com quem manda: 'O BB, eu sou o maior acionista, não sabia que era tão rico assim. Agora, a decisão eu preciso tomar conhecimento'


31/01/2021 04:00 - atualizado 31/01/2021 07:52

O deputado federal Capitão Augusto anunciou ontem que desistiu de sua candidatura à presidência da Câmara Federal(foto: Cleia Viana/Camara dos Deputados - 13/2/19)
O deputado federal Capitão Augusto anunciou ontem que desistiu de sua candidatura à presidência da Câmara Federal (foto: Cleia Viana/Camara dos Deputados - 13/2/19)

“O elogio que dei pra eles está no trabalho que eles fazem, eles mereciam ser ministros. Não é criar ministérios, como deram a entender para negociar com quer que seja. Não está previsto.” Começou assim o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (ainda sem partido).

Foi um elogio, não está previsto, tem nada disso não, Bolsonaro ressaltou para deixar claro. E repetiu para reforçar: “o elogio que dei pra eles está no trabalho que eles fazem, eles mereciam ser ministros”.

O fato é que o presidente Jair Bolsonaro negou a intenção de recriar ministérios para alojar aliados na Esplanada. Para registro, todas as declarações foram dadas ao visitar uma concessionária de motos em Brasília.

O pano de fundo de tudo isso, ou, pelo menos, boa parte dele, passa pela eleição do comando da Câmara dos Deputados e do Senado. Os preferidos pela Presidência da República são o mineiro Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para o Senado e o alagoano Arthur Lira (PP-AL), para a Câmara dos Deputados. E tudo indica que não haverá surpresas. Tanto que...

“Nos últimos dias, percebi que a polarização política na Câmara dos Deputados restringiu o debate e os votos a somente dois candidatos. Ouvi de dezenas de deputados dessas bancadas que gostariam de votar em mim, mas teriam que se valer do voto útil contra a esquerda, inviabilizando dessa forma qualquer chance de ir para um segundo turno.”

A declaração partiu do deputado federal Capitão Augusto (PL-SP) ao anunciar que desistiu de sua candidatura à presidência da Câmara Federal. “Dessa forma, junto com a minha equipe, decidimos retirar minha candidatura e juntar-me ao meu Partido Liberal (PL) e ao governo Bolsonaro.”

Se é liberal, tem a notícia de sexta-feira, obviamente depois de os mercados financeiros fecharem: O Banco do Brasil (BB) decidiu manter o plano de reestruturação, que prevê o fechamento de 361 unidades de atendimento e o desligamento voluntário de até 5 mil funcionários, apesar de a repercussão negativa do projeto quase ter custado a demissão do presidente do banco, André Brandão.

Só que faltou combinar com quem manda: “O BB, eu sou o maior acionista, não sabia que era tão rico assim. Agora, a decisão, eu preciso tomar conhecimento. Tem liberdade para trabalhar, mas tenho que tomar conhecimento. Não posso saber de certas decisões de qualquer órgão, qualquer ministério, pela mídia”. É o presidente Jair Bolsonaro finalizando por hoje.

O motoqueiro

Saiu em defesa do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. O fato é que o presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou a tentar o corpo fora da crise por falta de oxigênio que atinge o Amazonas. Fez questão de ressaltar ainda ter enviado R$ 9 bilhões pra lá. “Demos os meios”, mas argumentou que “não é competência nossa e nem atribuição levar o oxigênio pra lá”. E politizou: “Pequenos partidos de esquerda procuram o Supremo para tudo. Agora, pode investigar o Pazuello, não tem problema nenhum. Não há omissão”.

Não estacionou

“Eu acho que o Arthur Lira deve ganhar, né. Mas quem vai decidir é o parlamento, respeitamos o parlamento. Sou simpático ao Arthur Lira e sou simpático também ao outro candidato ao Senado, o mineiro Rodrigo Pacheco.” E deixou claro que conta com eles: “tem muita coisa que ficou represada e a gente tem que botar em votação e o plenário decide, né”. A lista é grande: “as privatizações da Eletrobras, dos Correios, a regularização fundiária, muito importante para a gente. Temos várias pautas”. Pelo menos é coerente, diminuir o tamanho do estado sempre foi o seu mantra preferido.

Trilha sonora

A dica de música, sempre acompanhada por outra de leitura, é uma constante às sextas-feiras no perfil do ministro. Embora a preferência seja, em geral, por bossa nova ou MPB, o sertanejo aparece de tempos em tempos. A sugestão desta semana do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi a faixa Impasse, lançada em 2016 pela cantora Marília Mendonça em parceria com a dupla Henrique e Juliano. Se trecho na letra resolve esse impasse, melhor não misturar com política e muito menos com o Judiciário, mas fazer o quê?

Quem sabe, sabe

“Estamos lidando com um cobertor curto, mas não foi da noite para o dia e não vejo o governo tomando providências profundas. Há decisões difíceis pela frente. Isso cria tensão e a economia fica paralisada. A atividade foi muito turbinada pelo auxílio e a sensação é que agora se abriu um buraco, ao mesmo tempo em que temos que lidar com o problema da inflação.” Quem alerta é Armínio Fraga, ex-ministro da Fazenda no governo tucano do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Para encerrar

“Eu fui em cima da Petrobras... para pegar números, porque eu não interfiro na Petrobras. O Roberto Castello Branco me disse que o preço dos combustíveis varia com o dólar. No que depender de mim, a gente baixa o preço do dólar, mas está difícil...”  A Federação Única dos Petroleiros (FUP) apoia por meio de inúmeras ações e protestos. Já para o presidente da Associação Nacional do Transporte Autônomo do Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci, a paralisação poderá ser maior que a realizada em maio de 2018. E Bolsonaro fez um apelo: “O Brasil todo perde com a greve dos caminhoneiros , sabemos dos problemas deles. Eu não quero culpar terceiros. Nós fizemos já alguma coisa por eles”.

Pinga-fogo

Fala quem pode: o ex-ministro Armínio Fraga é um dos economistas mais influentes do Brasil. Ele já integrou, por exemplo, o Conselho Internacional do banco JP Morgan. Mas desta vez fez questão de ressaltar que a busca no setor privado não é uma boa ideia.

E tem o pedido de inquérito que atinge o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o militar que é formado na Academia Militar das Agulhas Negras. O fato é que o próprio presidente Bolsonaro saiu em sua defesa.

“Não há omissão”, registrou o comandante do país. Acrescentou que ele trabalha de domingo a domingo, vira a noite e “duvido que com outra pessoa teria tido a resposta que ele está dando”. O fato é que a Polícia Federal (PF) entrou no caso.

E antes de finalizar, vale ressaltar que Bolsonaro fez um apelo: “o Brasil todo perde com a greve dos caminhoneiros, sabemos dos problemas deles. Eu não quero culpar terceiros. Nós já fizemos alguma coisa por eles”.

Melhor esperar para ver. A briga do asfalto nas estradas brasileiras é um grande risco. Esse filme já passou e deu no que deu. Sendo assim, aproveite o domingo com a família. E que a semana traga boas notícias.

Vale lembrar o registro da coluna de ontem: “o presidente Bolsonaro avisou que poderá recriar mais ministérios, mesmo já tendo atualmente nada menos que as atuais 23 pastas, contrariando a sua promessa de que  teria apenas 15 ministérios”.
 

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