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Estado de Minas COLUNA

Lazer na vida conjugal

É na brincadeira que vamos buscar energia, prazer e ânimo para dar conta também do trabalho e das tarefas


25/04/2021 06:00 - atualizado 25/04/2021 07:33



“Preciso viajar com meu marido. Estou estressada, preciso de diversão na companhia dele. Trabalhamos muito, só pensamos em ganhar dinheiro e quase não nos divertimos. Fale da importância do lazer para o casamento.”

Efigênia, de Belo Horizonte

A ideia de sucesso, traduzido em fama, riqueza, prestígio e status, está arraigada até a medula dos nossos ossos. A sociedade enfatiza de tal forma essa ideia que outras dimensões da vida tão ou mais importantes são relegadas a segundo plano, quando não são esquecidas completamente.

Em todos os casos graves de estresse, vamos encontrar pessoas que se tornaram incapazes de descansar e se divertir. A ludicidade, ou seja, a competência de brincar, é que energiza nossa vida, dando-lhe fluência, leveza e alegria. Os gregos davam a esse aspecto da vida uma importância tão grande a ponto de supervalorizar o teatro, a música e outras formas de lazer.

Todos nós temos dois lados: o lado direito do trabalho, da luta, do sucesso social, da competição, da imagem, e o lado esquerdo da alegria, da poesia, da dança, da diversão, da criatividade e do coração. Esses dois lados não são contraditórios e o equilíbrio vital exige a satisfação de ambos.

Todos nós, principalmente os homens, temos dificuldade nessa síntese. Há uma carga cultural muito forte que nos encaminha para um excesso de responsabilidade e obrigações.

Ainda há muito preconceito com relação à alegria, o ficar à toa, o descanso e o lazer. Também não é para menos. Quantas vezes fomos martelados com o famoso: “Primeiro as obrigações, depois as devoções”.

A fábula de La Fontaine mais famosa entre nós é a da formiga e da cigarra, onde a primeira é compensada com opulência e tranquilidade por uma árdua vida de trabalho à exaustão e a cigarra é castigada com fome e desalento no inverno por ter cantado no verão. Até quando teremos de escolher entre ser formiga ou ser cigarra?

Antigamente, eu entendia a palavra responsável apenas como aplicável àquela pessoa que cumpria fielmente as suas obrigações. Hoje, eu a defino como aquela pessoa que responde tanto às suas obrigações quanto às suas necessidades. Há uma passagem no evangelho que contrasta com a moralidade laborativa de La Fontaine.

De certa vez, estando Jesus visitando as duas irmãs Marta e Maria, foi interpelado por Marta, que se queixava de trabalhar muito nos afazeres domésticos, ao passo que Maria se dedicava apenas a escutar o Mestre. A resposta de Jesus foi clara: “Marta, você anda muito preocupada com muitas coisas. Maria escolheu a melhor parte e esta nunca lhe será tomada”. Por mais difícil que seja, temos de sintetizar Marta e Maria, a formiga e a cigarra, em nossas vidas.

A relação conjugal se compõe de três espaços fundamentais. O espaço do marido enquanto indivíduo e, portanto, com direito às próprias escolhas e a um tempo pessoal que ele vai estruturar da maneira que melhor lhe aprouver.

O espaço da esposa, que, semelhantemente ao marido, também deve usufruir da própria autonomia, nela incluindo um tempo pessoal com atividades de livre escolha. Um terceiro espaço que constitui propriamente o casamento, onde os dois, constantemente, vivem a relação.

Esse espaço, se falta, enfraquece o laço amoroso conjugal e torna rotineira a relação. Enganam-se aqueles que acham que pelo fato de estar casados não precisam de um tempo próprio do casal. Esse espaço deve prioritariamente ser preenchido pela brincadeira: passeios, lazer, conversas descontraídas, sexo etc.

Mesmo tendo filhos, o casal não pode abrir mão de um espaço temporal só deles. Se o objetivo do casamento é a administração da alegria do casal, não tem sentido estruturar o tempo apenas em torno das obrigações, dos problemas e das preocupações.

Mais que de obrigações, o casamento se consolida e é prazeroso a partir das devoções. Muita ansiedade, muitas brigas, muito estresse presente na relação conjugal vêm pelo fato de que, uma vez casados, os amantes perdem a capacidade de se divertir como faziam quando namorados.

É na brincadeira que vamos buscar energia, prazer e ânimo para dar conta também do trabalho e das tarefas que tanto nos assoberbam no dia a dia.

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