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Sucesso na relação

O diálogo não é para provar ao outro que ele está errado, mas para eu entender o ponto de vista do outro e inseri-lo nas minhas reflexões


08/11/2020 04:00 - atualizado 06/11/2020 11:19

“Meu casamento está ficando complicado porque meu marido não tem desabafado comigo o seu dia a dia. Gosto de saber o que acontece e vejo isso como algo positivo. Afinal, dialogo na relação é tudo. Gosto de ouvir e esclarecer tudo, mas ele acaba ficando impaciente com meus questionamentos e se fecha.”

Clarice, de Passos
 
 
 
 
 
A maioria de nossas necessidades emocionais está diretamente ligada aos nossos relacionamentos: afeto, inclusão, companhia, amor, carícias, aprova- ção. E entre os vários relacionamentos, o afetivo-sexual ocupa uma posição de destaque dada a sua profundidade e prazerosidade.

Se a relação amorosa é bem-sucedida, a vida é boa, mas se ela fracassa, leva junto a alegria de viver. E o que faz um relacionamento ter sucesso?

São inúmeros os fatores e sempre conversaremos aqui sobre eles. Há, porém, um deles que se sobressai: o DIÁ-LOGO.

O que distingue o homem do animal é que o homem tem consciência, capacidade reflexiva e FALA. Qualquer empreendimento humano em conjunto requer necessariamente o diálogo para viabilizá-lo. Uma equipe, um grupo, uma família, um CASAL só existem a partir da capacidade de troca de ideias, sentimentos e ações.

O diálogo como mecanismo de integração e interação não é uma concessão que faço ao outro (como muitos homens pensam!), mas é o combustível necessário para que exista CASAMENTO.

Cada pessoa é uma individualidade. Ela é, portanto, única. Cada pessoa tem uma história diferente, um passado diferente, um jeito próprio de ver o mundo, uma formação, gostos diferentes, capacidade intelectual e emocional diferentes. O casamento é uma tentativa de juntar essas diferenças num projeto de construção do amor e do mundo.

O que impulsiona e realiza o acasalamento são exatamente as DIFERENÇAS: eu só posso amar o outro no que ele é diferente de mim, porque no que ele é igual a mim não é ele que estou amando, mas EU. E na construção da relação amorosa, a grande dificuldade reside na diferença de como cada um percebe o mundo. Daí a dificuldade e a necessidade do diálogo.

Para haver uma relação “dialógica”, é fundamental o respeito à individualidade do outro e, portanto, à maneira diferente de o outro perceber o mundo. O objetivo do diálogo não é “convencer” o outro nem obrigá-lo a ver o mundo como eu vejo, mas, pelo contrário, o diálogo é a oportunidade de que as oposições apareçam, as divergências fiquem claras e as pessoas encontrem um jeito de conviver e continuar construtivas, apesar de...

O diálogo é justamente o consentimento do outro como diverso de mim e acaba com a terrível ideia de unidade a qualquer preço e instaura a unidade como capacidade de, mesmo diferentes, termos objetivos e interesses comuns.

O diálogo assim é fator de cooperação e não de competição entre o casal. O diálogo não é para provar ao outro que ele está errado, mas para eu entender o ponto de vista do outro e inseri-lo nas minhas reflexões.

A capacidade de conviver com ideias diferentes das minhas, o respeito à autonomia reflexiva do outro, a humildade de saber que eu não detenho toda verdade são os ingredientes necessários para a conversa do casal.

O jogo da razão, no qual eu quero que minha ideia prevaleça sobre a do outro, não é o diálogo, mas dominação. Esse é o motivo de tanta resistência ao diálogo, aparente em muitos casais. Sem trabalhar o nosso autoritarismo, de querer impor ao outro a nossa percepção da realidade, não seremos capazes de dialogar.

Se, em um casal, um deseja algo e o outro deseja o contrário, ou seja, se os desejos eventualmente são diferentes, só há uma saída: a negociação. O diálogo é instrumento e palco para o grande desafio: como vamos continuar a construção dos nossos objetivos comuns, apesar de pensar, às vezes, diferentemente e ver a realidade de maneira diferente. Amar é dialogar.

Um casal só se constrói quando tem a competência emocional de poder dizer: “Não concordo com você nisto ou naquilo mas continuo amando você de todo o meu coração”.

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