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Estado de Minas SAÚDE

Maconha na medicina? Novidades médicas podem ser ignoradas ou rejeitadas

Solução de uso oral à base de canabidiol se mostra eficaz no tratamento de doenças e sintomas como dores crônicas e epilepsia


13/01/2022 04:00 - atualizado 13/01/2022 08:46

Bioquímico, usando luva, segura frascos de óleos terapêuticos de Cannabis
Bioquímico segura amostra de canabidiol para testar óleos terapêuticos de Cannabis (foto: JUAN MABROMATA/AFP)


Pouca gente conhece os medicamentos que têm como base o canabidiol, que é uma substância química presente na Cannabis sativa, mais conhecida como maconha. Diferentemente do que prega quem desconhece a substância, canabidiol não tem THC, substância alucinógena presente nos cigarros feitos da planta. Com isso, seu uso não apresenta efeitos colaterais. E só pode ser usado porque recebeu da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no fim do ano passado, autorização para seu uso.

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A Cannabis é uma solução de uso oral à base de canabidiol (e, por causa disso, deverá ser comercializada em farmácias e drogarias a partir da prescrição médica por meio de receita do tipo B, de cor azul). A fabricação do produto autorizado pela Anvisa, por meio da Resolução RE 4.067, será feita na Colômbia. Com a autorização, a empresa pode importar o produto já pronto para uso e iniciar a distribuição e a comercialização no país. Tem outro empecilho legal: produto à base de canabidiol aprovado pela Anvisa só deve ser prescrito quando estiverem esgotadas outras opções terapêuticas disponíveis no mercado brasileiro.

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Ele é utilizado e eficaz no tratamento de doenças e sintomas como dores crônicas, epilepsia, náuseas, vômitos e espasticidade, por exemplo, além de proporcionar diversos outros benefícios aos seus consumidores. O cérebro humano tem um sistema capaz de interagir com os componentes da maconha, conhecido como sistema endocanabinoide, atuando na regulação do sono, dor, humor, apetite e processos físicos e cognitivos.

Apesar de o uso da maconha ser proibido no Brasil, por conta de uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), os óleos concentrados de canabidiol com menos de 0,2% de THC não são mais controlados pelas convenções internacionais de controle de drogas. Além disso, já são classificados como “substância controlada”. Assim, se o seu objetivo é se beneficiar do uso do canabidiol, é fundamental que você conheça todos os seus principais benefícios

Os relatos para o uso desse tipo de medicamento estão se tornando cada vez mais comuns por causa de sua eficácia na redução da dor e de outros distúrbios. Mas, além do preconceito, quem deseja iniciar um tratamento desse tipo se depara com outro problema: a dificuldade em encontrar profissionais que conheçam e prescrevam o canabidiol. Dos quase 500 mil médicos que atuam em território nacional, estima-se que apenas mil conhecem e indicam tratamento com canabinoides. Desses, 42% estão em São Paulo e Rio de Janeiro. Quem reside em outros estados praticamente não tem acesso.

O que sobressai muito na divulgação dos remédios feitos com a Cannabis são os usados por mulheres. Mas estudo realizado por pesquisadores do Departamento de Ciências do Cérebro do Imperial College London, e publicado na BMJ, uma das mais influentes e conceituadas publicações sobre medicina do mundo, revelou que a Cannabis medicinal pode reduzir em até 86% a frequência de crises de epilepsia em crianças. Em linhas gerais, a substância exerce influência direta no sistema nervoso central, atuando como modulador da transmissão neurológica.

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Semelhante a uma substância produzida pelo próprio corpo humano, o canabidiol, conhecido popularmente como CBD, tem potencial de controlar as descargas de neurotransmissores nos neurônios pré-sinápticos e pode ajudar a reduzir crises convulsivas tanto em quantidade quanto em intensidade. Outro ponto de destaque sobre o uso do canabidiol em relação aos tratamentos convencionais para epilepsia é que ele não sobrecarrega o fígado, não provoca irritabilidade e nem altera o humor do paciente, além de não apresentar outros efeitos colaterais indesejados, como a redução da capacidade de cognição do paciente, por exemplo.

Geralmente, a Cannabis é introduzida no tratamento do problema de forma adjunta com outros medicamentos anticonvulsivantes, porém em alguns casos a substância pode vir a ser o único tratamento de uma pessoa epiléptica, dependendo da avaliação médica e do caso clínico.

O potencial terapêutico da Cannabis medicinal ainda é pouco conhecido pela sociedade e por grande parte da classe médica. O Conselho Federal de Medicina (CFM) já reconhece a prescrição de canabinoides para epilepsia infantil e em adolescentes; contudo, esse reconhecimento é considerado parcial. Posicionamento diferente da Anvisa, que permite a prescrição para diversas patologias por diferentes especialidades médicas, inclusive epilepsia de adultos e idosos.

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