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Estado de Minas ANNA MARINA

Pesquisadores descobrem novidades sobre metástases cerebrais

Estudo da Universidade do Sul da Califórnia indica que a região de disseminação do câncer no cérebro pode não ser aleatória


12/11/2021 04:00 - atualizado 12/11/2021 09:19

Imagem de metástase cerebral
Imagem de metástase cerebral (foto: Radiocirurgia)


Doença danada, o câncer mata tanto quanto a COVID-19, só que sem pandemia. A praga é silenciosa. Não há dias em que não se escutem casos de pessoas que aparecem repentinamente com inesperadas metástases de tumores comuns – ou até mesmo desconhecidos.

Tumores no cérebro estão recorrentes, em alguns casos o órgão fica até sem a proteção natural da formação da cabeça, pois a área não pode ser recoberta enquanto a infecção continuar. Além de tumores que se originam no cérebro, o órgão também pode ser alvo de metástases de tumores comuns.

“Apesar de não serem classificados como tumores cerebrais, as metástases cerebrais são tipos de câncer que chegam ao cérebro após circular pelo corpo. Temos a impressão de que são até 10 vezes mais comuns que os tumores cerebrais justamente por haver muito mais diagnósticos de câncer de mama, pulmão, pele e intestino do que tumores no cérebro. É uma questão estatística”, explica Gabriel Novaes de Rezende Batistella, neurologista, neuro-oncologista e membro da Society for Neuro-Oncology Latin America.

Um novo estudo da Universidade do Sul da Califórnia sugere que a região de disseminação do câncer no cérebro pode não ser aleatória, pois depende de onde ele se originou no corpo. “Pesquisadores analisaram a localização de metástases cerebrais causadas por cinco tipos comuns de câncer: melanoma (pele), pulmão, mama, renal e colorretal. Descobriram que o câncer de pulmão e o melanoma mostraram probabilidade maior de metástase nos lobos frontal e temporal (atrás das orelhas). Os cânceres de mama, renal e de cólon têm maior propensão a se espalhar na parte posterior do cérebro, como cerebelo e tronco cerebral”, acrescenta o especialista. O estudo foi publicado em julho no Journal of Neurosurgery.

A metástase cerebral ocorre quando o câncer em uma parte do corpo se espalha para o cérebro. A incidência de tais tumores metastáticos em pacientes com câncer está entre 20% e 45%, mostram as pesquisas. As descobertas são importantes por permitirem prever onde um câncer específico pode se espalhar no cérebro, além de mostrar como os tumores cerebrais crescem.

“Pode ser que as células cancerosas tenham capacidade de se adaptar a microambientes regionais no cérebro que lhes permitem colonizar e progredir, enquanto outras áreas são inóspitas para as mesmas células”, aponta o estudo.

Pesquisadores coletaram dados de pacientes submetidos à radiocirurgia estereotáxica (SRS), uma forma minimamente invasiva e direcionada de radiocirurgia usada para tratar tumores cerebrais e outras lesões.

O SRS permite que os cirurgiões definam, com precisão, as coordenadas de um tumor no cérebro. Usaram-se as coordenadas SRS de 970 pacientes com cerca de 3,2 mil tumores metastáticos cerebrais decorrentes de câncer de pele, pulmão, mama, rim ou cólon, entre 1994 e 2015. Foram criados dois modelos matemáticos preditivos para analisar a localização exata das metástases cerebrais com base nas origens do câncer primário.

Segundo Gabriel Batistella, um modelo mostrou que regiões distintas do cérebro eram relativamente suscetíveis a certos tipos de câncer, enquanto outro forneceu a probabilidade de cada câncer metastatizado em certas regiões do cérebro. Ambos os modelos tiveram os mesmos resultados aproximados quanto às áreas com maior probabilidade de desenvolver tumores específicos para o câncer.

Especialistas acreditam que o estudo pode ser útil na eventual prevenção e tratamento de tumores cerebrais. “Se pudermos entender quais fatores facilitam ou bloqueiam o processo de metástase, como certos produtos químicos ou neurotransmissores no cérebro, pode haver uma forma de intervir e prevenir a metástase de um câncer em primeiro lugar ou tratá-lo assim que se espalhar. O estudo é importante para reforçarmos a importância do exame preventivo, o que possibilita maior chance de tratamento e evita a metástase”, finaliza o médico.

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