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Estado de Minas Coluna

Lojas e casas de festas deram um jeito de driblar a pandemia

Regras da prefeitura caem por terra diante do famoso jeitinho brasileiro, fortalecendo a injusta lei de dois pesos e duas medidas


29/06/2021 04:00 - atualizado 28/06/2021 20:13


Engraçada essa história de jeitinho brasileiro. O povo clama por honestidade, reclama de políticos e empresários corruptos, do pagamento de propina e de maracutaia, mas pelo visto isso só tem validade quanto diz respeito ao quintal do vizinho.

Todo mundo aplaudiu a Lava-jato. A massa, de norte a sul, foi para as ruas pedir justiça, exigiu a retirada de políticos corruptos. As empreiteiras envolvidas na corrupção se tornaram a Geni da vez, como canta o Chico Buarque, e foram execradas. Corretíssimo.

Mas tudo isso é feito quando a pimenta está ardendo no olho do outro, porque quando arde no nosso, geralmente a postura muda completamente.

Vamos afunilar isso. Deixar de pensar macro, esquecer os bilhões de dólares e vamos pensar menor. Estamos vivendo em uma pandemia que, por causa do comportamento individualista – o ser humano pensa em si mesmo e não no coletivo –, vira e mexe exige dos governos estadual e municipal a adoção de medidas restritivas, como fechar comércios e implantar toque de recolher para reduzir o contágio, diante dos hospitais lotados.

Isso ocorre porque a maioria não respeita as regras de isolamento social. O uso de máscara, por exemplo, é norma de segurança em todos os estabelecimentos comerciais. Entretanto, várias pessoas têm se recusado a usá-la. Quando são abordadas por funcionários das lojas e restaurantes pedindo para colocá-la, eles têm sido vítimas de agressões por parte dessas pessoas, que se julgam acima da lei.

Lojistas e empresários do ramo de entretenimento conseguiram dar o famoso jeitinho brasileiro para funcionar durante a pandemia. Comércio de primeira necessidade não fecha. Então, várias lojas de bijuterias, maquiagem e principalmente aquelas que vendem de um tudo a preço baixo incluíram os alimentos em seu mix de produtos. Se vende comida, pode ficar aberta.

Agora fiquei sabendo que vários salões de festas infantis conseguiram liberação para funcionar como restaurante, e estão realizando comemorações todos os fins de semana e em dias de semana também, enquanto outros, que não entraram na onda do jeitinho, amargam portas fechadas e prejuízos.

Isso é possível, provavelmente, porque a fiscalização não é suficiente para cobrir toda a cidade, onde há casas de festas em diversos bairros.

Custei a acreditar, mas, como jornalista, liguei para umas quatro casas de festas. Fui muito bem atendida. Claro que não dei o meu nome. Pasmem: nenhuma delas tem vaga para sábado de julho e de agosto. Se quiser fazer festa, tem de ser na sexta-feira ou no domingo. Sábado, só a partir de 28 de agosto. E olhe lá.

Todos alegam que trabalham em formato de restaurante (um deles disse que sempre teve alvará de restaurante), com distanciamento de mesas e medição de temperatura. Mas fazem festa infantil e criança abaixo de 3 anos não conta como convidada. A capacidade é de metade do que cabe no local, às vezes até um pouco menos.

Fica a pergunta: se isso é possível, por que não liberam todas as casas de festas, com as mesmas normas? Por que fazer os empresários mentirem para conseguir trabalhar? É aquele caso: enquanto o errado não atrapalha meu negócio, sou contra; mas se precisar dar um jeitinho para salvar o meu, é válido...

Liguei também para duas casas de festas muito conhecidas, ambas estão fechadas. Ofereceram organizar toda a festa na minha casa, mas não podem abrir porque isso não é permitido pela prefeitura.

Chega de dois pesos e duas medidas.

(Isabela Teixeira da Costa/Interina)

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