Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

Você sabe o que é SGNC? Não confunda com doença celíaca ou alergia ao trigo

Sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC) não causa reações imunológica, por isso, o paciente pode contar com a ajuda de enzimas digestivas


25/02/2021 04:00

Pessoas com sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC) não precisam excluir totalmente pães e outras massas da dieta(foto: Glúten Free Brasil/Reprodução)
Pessoas com sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC) não precisam excluir totalmente pães e outras massas da dieta (foto: Glúten Free Brasil/Reprodução)

Tive um conhecido há mais de uns 20 anos que quase morreu de uma doença desconhecida por aqui. Ele não podia trabalhar direito, não podia conviver com calma, não podia fazer nada sem ter que correr com frequência e sem controle para o banheiro. Correu médicos e mais médicos, fez exames e mais exames, e nada. Ninguém conseguia descobrir o que descontrolava totalmente seu organismo. Até que perdeu a paciência e foi procurar diagnóstico fora daqui. Sofria de um mal pouco conhecido por esses lados, a doença celíaca.

Por causa disso, não podia se alimentar com coisa nenhuma que tivesse glúten, um componente de praticamente tudo que levasse farinha de trigo e derivados. Atualmente, a busca do glúten virou mania e é difícil encontrar qualquer tipo de comida industrializada que não traga a informação que não contém o tal do glúten. Até produtos que passam longe das farinhas. O problema do meu amigo, que continua difícil de diagnosticar, é que a sensibilidade não celíaca ao glúten pode estar presente na vida de até 6% dos brasileiros. Só que essa sensibilidade não fica só nisso.

Segundo estudo da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), de 0,5% a 6% da população sofre de sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC), condição mais comumente observada entre jovens adultos e pessoas de meia-idade. A prevalência específica na população mundial ainda é desconhecida, mas sabe-se que muitos vivem com o distúrbio sem procurar ajuda médica ou receber um diagnóstico. Isso porque, diferentemente da doença celíaca e da alergia ao trigo, a SGNC pode não causar reações graves no organismo, embora traga alguns desconfortos e interfira na qualidade de vida do paciente.

Sintomas como diarreia intercalada com episódios de prisão de ventre, inchaço e dores abdominais são os mais comuns, mas também podem ocorrer náuseas, dores de cabeça e até mesmo fadiga. Por isso, se esses sinais ocorrerem com frequência, vale buscar ajuda especializada. "Encontrado no trigo e em outros grãos, como cevada e centeio, o glúten é responsável por dar liga a preparações. No entanto, suas proteínas são de difícil digestão e podem causar reações adversas em algumas pessoas, com sintomas que aparecem logo após a ingestão de glúten e desaparecem com sua retirada da dieta", explica a nutricionista ortomolecular Claudia Luz.

O diagnóstico normalmente é feito por eliminação, já que alguns sintomas da SGNC podem ser confundidos com os da doença celíaca e da alergia ao trigo. "Diferentemente dessas duas condições, a sensibilidade ao glúten não causa reações imunológicas, por isso o paciente pode contar com a ajuda de enzimas digestivas, readequando a dieta e estabelecendo níveis seguros de glúten na alimentação", afirma Claudia. Dessa forma, é possível viver livre de desconfortos, mas sem ter que excluir algumas delícias da dieta, como pães, bolos, pizzas, tortas, entre outros. Com equilíbrio e o auxílio de um médico e nutricionista, dá para conviver bem com a SGNC, melhorando a saúde do intestino e, consequentemente, a saúde do corpo como um todo.

Com a ajuda de enzimas digestivas, pacientes com SGNC podem consumir certa quantidade de glúten, mas sempre respeitando os limites tolerados pelo organismo. Junto do médico e do nutricionista, o paciente consegue fazer testes e descobrir qual é o seu nível de tolerância, o que permite diminuir ou até mesmo acabar com os desconfortos ligados ao glúten. "É importante reforçar que as enzimas não substituem uma dieta especial e que elas não são indicadas para casos de doença celíaca ou alergia ao trigo", alerta a nutricionista.

As opções mais indicadas são aquelas que contam com uma combinação de enzimas, que agem em conjunto para promover uma digestão mais completa do glúten. "Em farmácias de manipulação, por exemplo, é possível encontrar fórmulas que combinam protease, aspergilopepsina, peptidase DPP IV e triglicerídeos de cadeia média. Diferentemente das enzimas isoladas, esse blend promove a degradação de proteínas competitivas, como as do ovo, soja e leite, atuando em ampla faixa de pH e trazendo mais eficácia", finaliza Claudia.

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade