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Estado de Minas ANNA MARINA

Silenciosa: 50% das pessoas com diabetes não sabem que têm a doença

Quando não tratada corretamente, enfermidade pode causar diversos problemas, entre eles a cegueira


14/11/2020 04:00 - atualizado 14/11/2020 07:24

Medir a glicemia ajuda no controle e prevenção do diabetes, doença que, se não tratada, pode levar até a cegueira(foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)
Medir a glicemia ajuda no controle e prevenção do diabetes, doença que, se não tratada, pode levar até a cegueira (foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Aprendi com a vida e com as incontáveis doenças que tive que o melhor que existe é enfrentá-las com a cara e a coragem. E não escondê-las de ninguém. Quanto mais se fala nelas, mais elas se desmistificam. Conheço pessoas que escondem até que tiveram ou têm câncer, como se o mal fosse contagioso ou diminuísse a pessoa. Quando ficou constatado que eu sofria de diabetes, há mais de 30 anos, não aceitei o diagnóstico como se fosse uma sentença de piora de vida.

Primeiro porque, de certa forma, era um mal hereditário e, depois, porque fui parar nas mãos do melhor especialista que existe na cidade, Walter Caixeta Braga. Ele é tão atento ao meu problema que fala comigo entre uma consulta e outra presencial e até toma medidas preventivas que são tiro e queda. Como nos últimos anos tenho me tratado apenas com comprimidos, depois de anos de picadas de insulina, ele achou que já estava na hora de reforçar o tratamento. E para enfrentar a pandemia, voltei a usar diariamente uma picada de insulina – que sigo religiosamente.

Tudo tem funcionado às mil maravilhas, aprendi a fazer sobremesas e mais sobremesas com açúcar dietético e, vez por outra, arrisco uma cerveja e um doce normal. Sem maiores problemas. Toco no assunto porque hoje, 14 de novembro, é considerado o Dia Internacional do Diabetes, dedicado à conscientização sobre a importância de se chegar a um diagnóstico rapidamente e, assim, iniciar acompanhamento médico, que inclui visita ao oftalmologista – o meu é especializado no assunto, Renato Dias Cardoso, que frequento pelo menos uma vez por ano, precisando ou não.

Todos esses cuidados são recomendados porque estima-se que 463 milhões de pessoas convivam com a doença no mundo, sendo 16 milhões de pessoas no Brasil. O diabetes é uma das doenças crônicas que mais crescem, impondo desafios à saúde pública. O número de adultos vivendo com a doença triplicou nos últimos 20 anos. As consequências causadas pelo diabetes podem ser agudas e de curta duração, como alto nível de glicose no sangue, ou crônicas e de longa duração, como problemas cardiovasculares ou perda da visão.

Por ser, muitas vezes, silenciosa, estima-se que 50% das pessoas com diabetes não sabem que têm a doença. Com isso, o paciente não toma os cuidados necessários. E, quando não tratado corretamente, pode causar diversos problemas. Na visão, o diabetes descontrolado pode levar ao desenvolvimento da retinopatia diabética e do edema macular diabético e até a cegueira.

De acordo com a Federação Internacional do Diabetes (IDF), 10% dos pacientes no mundo apresentam diabetes tipo 1, que é caracterizada pela reação autoimune quando o sistema imunológico do paciente ataca as células produtoras de insulina. Os outros 90% desenvolvem diabetes tipo 2. Esse tipo é causado por uma resistência à insulina. Com isso, os níveis de glicose sobem descontroladamente, obrigando o organismo a produzir mais insulina. O tipo 2 é mais frequente em adultos, porém, crianças também podem apresentar a doença.

Alguns dos fatores de risco mais comuns são obesidade, sedentarismo e uma dieta não balanceada. Com o crescente número de pessoas com diabetes, os cuidados com a visão se tornam ainda mais importantes. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), após 20 anos convivendo com a doença, 90% dos pacientes com tipo 1 e 60% com o tipo 2 desenvolvem retinopatia diabética (RD), e cerca de 30% dessas pessoas desenvolverão o edema macular diabético.

A retinopatia diabética ocorre quando o excesso de glicose no sangue danifica os vasos sanguíneos dentro da retina. Isso ocorre quando o tratamento não é seguido à risca. A retinopatia tem quatro fases e, na última, chamada de proliferativa, os vasos sanguíneos estão muito frágeis, e o rompimento deles pode espalhar sangue pela cavidade vítrea, causando a perda de visão.

Já o edema macular diabético é uma potencial complicação da retinopatia diabética. A doença um acúmulo de líquido na mácula, área da retina responsável pela visão central nítida, usada para ler, reconhecer rostos, cores e dirigir. Portanto, é importante que pacientes com diabetes sigam o tratamento corretamente, e visitem o oftalmologista pelo menos uma vez ao ano. E, caso diagnosticados com problemas na visão, iniciem um tratamento, pois, quando não tratada, a retinopatia pode evoluir para cegueira em 50% dos casos em 5 anos.

Outro lance importante no tratamento da doença são os exercícios físicos, que auxiliam na captação da glicose e intensificam a ação da insulina para controlar o nível de açúcar no sangue. Por isso, é importante medir a glicemia antes de iniciar a atividade física. Caso esteja baixa, a prática do exercício pode baixá-la ainda mais, causando hipoglicemia, levando à tontura, visão turva e até palpitações.

Independentemente da aplicação de insulina, as atividades físicas ajudam na captação do açúcar em até 2 horas após o exercício e melhoram a sensibilidade à ação da insulina por até 48 horas. O ideal é que a atividade seja de moderada a intensa e que não tenha um intervalo maior que dois dias. Em casa, é possível fazer exercícios de fortalecimento, como flexão e abdominal, usando o próprio peso do corpo, e aeróbicos como corrida no lugar, com orientação de um profissional e a recomendação do médico. 

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