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Série me fez reviver a emoção que senti ao visitar Israel

Jesus de Nazaré, exibida pelo canal Smithsonian e conduzida por Robert Powell, percorre todos os locais focalizados pela história


postado em 01/05/2020 06:00 / atualizado em 01/05/2020 09:01

Robert Powell, que interpretou Cristo em Jesus de Nazaré, na década de 1970, com direção de Franco Zeffirelli, conduz os telespectadores numa jornada pela Terra Santa (foto: Smithsonian/Divulgação)
Robert Powell, que interpretou Cristo em Jesus de Nazaré, na década de 1970, com direção de Franco Zeffirelli, conduz os telespectadores numa jornada pela Terra Santa (foto: Smithsonian/Divulgação)

Segui com toda a atenção a série Jesus de Nazaré, exibida pelo canal Smithsonian, que tenho visto com frequência, principalmente nos últimos tempos, porque não fala nessa praga de coronavírus que nos aflige o tempo todo. A série foi baseada no filme de mesmo nome, que foi dos mais vistos no mundo, quando foi lançado. E seu ator principal, Robert Powell, que fez o papel de Jesus, resolveu percorrer em Israel todos os locais focalizados pela história. Primeiro lance que esquecemos sempre, e que é bom lembrar: Jesus era judeu, o documentário sobre o filme reforça constantemente esse lance que costumamos esquecer, levados pela história maior. Com isso, e para exercitar a memória, resolvi reviver a visita que fiz a Israel, que começou e terminou, pela emoção que sinto pelo país e por seu povo, num vale de lágrimas.

Fui ao país anos atrás, levada pelos meus irmãos do coração Rachel e Roberto Cohen, e lá estive durante 10 dias, tempo mais do que suficiente para conhecer o país de ponta a ponta. Durante esse tempo, pude satisfazer um antigo sonho ditado por minha formação católica, familiar e tradicional, visitando os lugares santos, os caminhos percorridos por Jesus e outro sonho mais recente, formulado por minha formação cultural: conhecer um país criado por um povo que também já teve seu Gólgota e que dá ao mundo uma nova religião e fé: a que acredita na terra e que faz o milagre coletivo com suas próprias mãos, e que mesmo acreditando em sua força coletiva não espera que o maná caia do céu, mas vai plantá-lo de madrugada, como vi acontecer quando estive lá, transformando o deserto em um jardim, regando a terra com seu sangue e suas lágrimas – como Cristo regou a fé católica com sua lição de esperança.

As lágrimas de minha viagem começaram quando o avião em que eu viajava pousou na Terra Santa e os passageiros começaram a cantar e chorar. Continuou quando, no Mar da Galileia, provei do mesmo peixe que São Pedro pescava. Em Jerusalém, poderia contar que cai em êxtase percorrendo a Via Dolorosa, que naquela época era bem mais simples do que vi na série televisiva, ao visitar os bairros novos, vagando entre o povo nos mercados. Quando entrei no espaço destinado ao Santo Sepulcro, chorei tanto que os padres que lá estavam impediram que outras pessoas entrassem e acabaram me abençoando. Fui conhecer Massada, que na época em que lá estive só podia ser alcançada a pé, subindo morro acima. O calor era tanto que de espaços em espaços uma torneira nos ajudava a refrescar. Massada mostra a resistência judaica aos conquistadores romanos e está bem perto do Mar Morto, onde fui conhecer a força do sal que faz com que as pessoas boiem na superfície da água e onde as mulheres árabes entram totalmente vestidas.

Emoção sem tamanho tive também no Museu do Holocausto, que não apareceu na série porque, logicamente, não era da época focalizada pelo filme. Ao subir pelo espaço acima da construção do museu, que é uma espécie de cone, onde estão fotos dos mais de 6 milhões de judeus sacrificados nos campos de concentração, fui sofrendo ao ver o que os judeus passaram, das cúpulas de abajur feitas com pele humana e toda a desumanidade que é possível encontrar no coração do homem. Lembrei-me disso e de muito mais, como a visita aos museus, aos concertos, às refeições diferentes e sempre deliciosas, o delicioso cheiro de jasmins e rosas que cercam parques e pousadas que os judeus conseguíram arrancar do deserto e de muito mais – o direito que o povo judeu tem de defender sua terra.

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