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Uberlândia realiza cirurgia que melhora condição do portador da doença de Parkinson

Procedimento consiste na implantação cerebral de um eletrodo e consegue diminuir sintomas, como o tremor


postado em 27/01/2020 04:00


A primeira vez em que ouvi falar em operação para tratar de doença de Parkinson foi em 1987, quando meu querido e saudoso amigo Renato do Vale Dourado chegou dos Estados Unidos, onde havia se submetido a esse tipo de cirurgia. Foi acompanhado pelo especialista Francisco Cardoso, que estava se iniciando na profissão (e foi tão longe que atualmente é secretário da International Parkinson and Movement Disorder Society). Renato estava comemorando, porque, como arquiteto que era, gostava de ter segurança nos movimentos.

Nunca mais tinha ouvido falar nesse tipo de tratamento, até que recebi, na semana passada, e-mail da unidade hospitalar do Uberlândia Medical Center (UMC) comunicando que foi realizada ali, na semana que passou, uma cirurgia inédita na cidade e região, voltada para o tratamento de portadores da doença de Parkinson, com o objetivo de diminuir seus sintomas motores.

O procedimento foi realizado por uma equipe multidisciplinar, liderada pelo neurocirurgião Bruno Burjaili, que trouxe experiências adquiridas na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e também na Universidade da Flórida, local em que mais se realiza esta modalidade de cirurgia no mundo. É formado pela Universidade Federal de Uberlândia e já conduz procedimentos como esse em São Paulo e no Espírito Santo.

O procedimento realizado consiste na implantação cerebral de um eletrodo, algo como um fio isolado de pouco mais de 1 milímetro de diâmetro, que tem uma ponta com quatro contatos. “Após a cirurgia, cada contato poderá ser ligado ou desligado, moldando uma espécie de nuvem elétrica no cérebro para estimular a região doente, sem interferir com as regiões vizinhas. Assim, conseguimos melhorar os sintomas sem causar efeitos indesejados”, explica o neurocirurgião. A outra extremidade desse eletrodo é conectada a um fio extensor, escondido sob a pele, por trás da orelha, que vai até abaixo da clavícula, na região peitoral, onde é implantado um pequeno gerador com bateria.

De acordo com o Dr. Bruno Burjaili, o objetivo principal dessa cirurgia é diminuir o tremor e outros sintomas do Parkinson, que afetam de maneira intensa os pacientes. “Quem não tem a doença sempre se lembra do tremor, mas quem a tem sabe que, muitas vezes, também são importantes a lentidão dos movimentos, que chamamos de bradicinesia, e a rigidez. Alguns pacientes também desenvolvem discinesia, isto é, um excesso de movimentos, semelhantes a uma serpente ou a uma dança”, ressalta.

O paciente que foi operado no penúltimo sábado recebeu alta no domingo à noite, ficando cerca de 24 horas internado após a cirurgia. “Em geral, são quatro pequenas cicatrizes, três na cabeça e uma abaixo da clavícula”, detalha o médico. A realização dos estímulos elétricos continua no consultório, por um aparelho que consegue controlar a bateria por ondas que passam pela pele, sem contato direto.

“No retorno ao consultório, buscamos aumentar os estímulos elétricos através da bateria, testando qual tipo de contato ou intensidade do estímulo será melhor para o paciente. O objetivo é melhorar a qualidade de vida ao reduzir seus sintomas. É comum conseguirmos, com o neurologista clínico que acompanha o paciente, diminuir a quantidade de medicamentos utilizados”, destacou o neurocirurgião.

Ele explicou também sobre a questão da bateria do gerador implantado no paciente. “A bateria do gerador dura cerca de três a quatro anos. Ela pode ser trocada em uma cirurgia bem mais simples, que dura alguns minutos, apenas com anestesia local e sedação. Envolve apenas a região abaixo da clavícula, e não mais a cabeça”, explica.

Ainda sobre a bateria, alega que “hoje já existe uma opção recarregável, que dura mais tempo, mas exige que o paciente faça carregamentos uma ou mais vezes por semana. A escolha depende da preferência de cada paciente, diante das orientações da equipe”, acrescenta o neurocirurgião.

A realização desse procedimento, disponível no UMC, depende de uma rígida avaliação da condição do paciente, sendo que um dos critérios é ter no mínimo cinco anos de diagnóstico da doença. O neurocirurgião Bruno Burjaili assinala que “é necessário passar por um protocolo que envolve a neurologia clínica, a neurocirurgia e a neuropsicologia, com ampla participação da família. Aplicamos rigor na seleção e preparação dos pacientes, para que o resultado seja otimizado. É um trabalho em equipe, e todas as áreas envolvidas são fundamentais”.

Para finalizar, o médico explica que essa técnica, apesar de inédita na região, já é consolidada cientificamente há décadas e realizada em grandes centros neurocirúrgicos do mundo.


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