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Crianças poliglotas dão uma lição aos adultos

Aberta ao aprendizado, a garotada potencializa áreas do cérebro 'adormecidas'. O pequeno Teo, meu sobrinho-neto, fala português, inglês e finlandês


postado em 23/01/2020 04:00


Meu sobrinho-neto voltou para a Finlândia na última sexta-feira e deixou uma grande saudade na família. O menino é muito inteligente, e desde a primeira vez que veio me visitar, há dois anos, dava sinais do que seria ao crescer. Depois, recebi vários retratos dele, e um que não deixa de ser uma curiosidade: os pedidos de doação feitos por adultos nas esquinas de Helsinque podem ser acompanhados por crianças. E o Teo estava lá, firme, de baldinho na mão, recebendo contribuições. Outra coisa na qual ele brilha é tocando gaita de boca. Tinha uma de criança, mandei para ele uma de adulto e ele adorou. Ele chegou animadíssimo e tem um componente que pouca criança de sua idade tem: fala finlandês, inglês e português. Como só conversa com o pai em português, não deixa passar nada. Toma conta de tudo e, à mesa, durante a refeição, gosta principalmente de doces que não conhece. Mas o que gosta mesmo é de uma brincadeira que não há em seu país: pega pazinhas de brinquedo e vai esfuracar canteiros, brinca de jardineiro um bom tempo, varre o que sujou, de vassoura em punho. E depois da refeição segue o costume de sua cidade: fica deitado em um carrinho, do lado de fora da casa.

Esse costume é comum por lá: os pais ficam no salão do restaurante e as crianças dormem do lado de fora. Mas o que me impressiona mesmo é sua facilidade em falar três línguas. E quando fica muito agitado, querendo se expressar melhor, mistura português com finlandês. Ensinei a ele algumas brincadeiras e a que mais gostou foi a de chamar os adultos de pateta. Ele achava a maior graça de apontar para qualquer um e dizer “você é um pateta”. Guardou a brincadeira, sua avó carioca me contou que ele manteve a brincadeira no Rio. Custo a avaliar como a meninada de hoje é tão esperta, fala várias línguas sem titubear. E outro dia fui me consultar com o Walter Caixeta Braga, que tem netos morando nos Estados Unidos e no Canadá, e ele me contou que foi brincar com um deles dizendo que falava duas línguas e o menino, de 3 anos, respondeu logo: “Duas não, vovô, falo espanhol também”. Por causa da babá, que é mexicana.

Esse aprendizado automático e sem imposições, firmado apenas pela convivência e a necessidade imediata de comunicação, levanta um problema, principalmente com relação aos adultos, que geralmente buscam aprender a falar outra língua quando ficam fluentes em inglês, por exemplo, idioma internacional. Especialistas acreditam que esse aprendizado de dois idiomas pode ser bom para o cérebro. Alguns afirmam que se dedicar a uma língua potencializa áreas do cérebro “adormecidas” e com isso fica mais fácil captar um segundo idioma. Ou seja, o aprendizado de um idioma potencializa o aprendizado do segundo idioma. Fato é que cada ser humano aprende de uma forma, e cada um tem um período para assimilar/fixar um conteúdo.

Acredito que a facilidade de Teo em falar português se relaciona ao fato de que o finlandês não se parece com nada, o que torna a facilidade de falar duas línguas tão diferentes o aprendizado ideal. O curioso é que essa facilidade espanta os “monoglotas”, que não conseguem entender como é que uma criança de apenas 4 anos consegue falar três idiomas com a maior facilidade. E, mais importante ainda, na medida da necessidade do momento e com a pessoa certa.

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