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A beleza das orquídeas

Projeto busca conservar espécies nativas do Vale da Serra da Moeda%u2019


postado em 25/10/2019 04:00

 
O primeiro conhecimento que tivemos das orquídeas Phalaenopsis surgiu ao apreciar sua beleza nas revistas americanas de decoração. Elas apareciam em variados ambientes, dos mais ricos aos mais informais, principalmente a branca. Por aqui não existiam, conhecíamos apenas as variedades tradicionais. A primeira que vi ao vivo foi na flora que o estilista francês Pierre Cardin tinha em Paris, ao lado do Restaurante Maxim's. Não imaginei que pudesse ser tão grande, cada flor devia ter praticamente o tamanho de um pires de café. É claro que fiquei maravilhada, imaginei logo onde poderia descobrir essa variedade por aqui. Meu DNA tem essa célula, minha mãe também era apaixonada por essas flores, muito antes de elas se tornarem mais comuns. Chegou a ter um número grande delas em nossa casa, no Bairro Santo Antônio, que, certo dia, foram recolhidas “para tratá-las bem” por um amigo e nunca mais voltaram. Hoje, as Phaleanopsis estão à venda nos supermercados da cidade, as cores foram multiplicadas e as maiores custam os olhos da cara. Mas encontram sempre comprador, o que é ótimo.

Herdei de uma amiga um cuidador de orquídeas. Uma vez por mês, ele vai à minha casa dar manutenção às mudas. As de que gosto mais, as Cattleyas, são em menor número. E não são encontradas em nenhum supermercado, só em uma ou outra flora. Por causa disso, acho importante o e-mail que recebi, relatando que no sábado será lançado o Projeto Orquídeas Brasileiras. Serão reintroduzidas em árvores e rochas da Serra da Moeda orquídeas brasileiras, nativas da região, que estão em extinção. Haverá ainda um workshop para ensinar cuidados e o manuseio das espécies.

O início desse projeto é o resultado da moradia, tempos atrás, de família de japoneses que construiu uma fazenda no Vale da Serra da Moeda. A forma de viver e a conexão com o território extrapolaram aquela propriedade, impulsionando a região. No terreno dos japoneses, surgiu um condomínio residencial com o mesmo propósito: valorizar a região e contribuir para o seu desenvolvimento contínuo. Uma das iniciativas é o Projeto Orquídeas Brasileiras, cujo responsável é o engenheiro civil e orquidófilo Julio Souki Santos Amaral.
No Vale da Serra da Moeda, existiam orquídeas nativas em grande quantidade e variedade, mas, com o tempo, elas se tornaram raras ou ameaçadas de extinção. Com a ajuda do homem, elas podem novamente povoar áreas ainda vegetadas da região. Para isso, é necessário um trabalho que valorize as orquídeas nativas por meio da produção, reintrodução na natureza e disseminação do conhecimento sobre essas plantas.

Os objetivos do projeto são valorizar as orquídeas nativas, especialmente as de ocorrência na região do Vale da Serra da Moeda, e reintroduzir espécies ameaçadas de extinção; adicionar espécies de orquídeas nativas da mata atlântica e cerrado mineiros, que antes existiam na área, mas foram desaparecendo por ações antrópicas; reintroduzir cerca de 3 mil orquídeas de espécies criteriosamente selecionadas nas rochas, árvores e matas do terreno da antiga fazenda, que agora pertence ao Boa Vista Residencial.

A proposta é informar e sensibilizar moradores e comunidades do entorno sobre orquídeas nativas e a sua preservação. Em maio, foram encontradas, identificadas e resgatadas as seguintes orquídeas, de ocorrência natural nas matas da fazenda: Cattleya walkeriana (ameaçada de extinção), Encyclia patens, Polistachya concreta, Oeceoclades maculata e Catasetum lanciferum. No mesmo mês, foram reintroduzidas seis plantas em árvores da região: Cattleya walkeriana 1, Cattleya walkeriana 2, Cattleya walkeriana 3, Cattleya walkeriana 4, Encyclia patens e Polistachya concreta.

As orquídeas nativas e puras estão cada vez mais ameaçadas tanto pela coleta quanto pela redução de seu hábitat. No cenário comercial, as flores híbridas e exóticas, que são mais resistentes e florescem por mais tempo, dominam a produção, em detrimento do cultivo das espécies nativas, que acabam esquecidas ou são desconhecidas pela maioria das pessoas.

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