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Estado de Minas MERCADO S/A

Na crise do coronavírus tenha cuidado com a reputação

Não adianta o empresário defender a preservação dos empregos e, depois, demitir centenas de funcionários


postado em 03/04/2020 04:00 / atualizado em 03/04/2020 07:12

O bilionário Warren Buffett lembra que são necessários 20 anos para construir uma reputação e cinco minutos para destruí-la(foto: Johannes Eisele/AFP 4/5/19)
O bilionário Warren Buffett lembra que são necessários 20 anos para construir uma reputação e cinco minutos para destruí-la (foto: Johannes Eisele/AFP 4/5/19)

 

A crise do coronavírus exige doses elevadas de sacrifício de todos os setores da sociedade. Não adianta o empresário defender a preservação dos empregos e, depois, demitir centenas de funcionários. Não adianta o banco anunciar doações de utensílios hospitalares e, ao mesmo tempo, subir os juros dos empréstimos para os donos de pequenos negócios. Não adianta o pequeno empresário dizer que é hora de ser solidário, mas cortar o salário dos funcionários – mesmo captando créditos subsidiados pelo governo. Não adianta a autoridade pública lamentar mortes, mas entrar em embates políticos. Não adianta o cidadão que deveria estar em quarentena manter encontros sociais. “A crise vai passar, mas algumas reputações ficarão manchadas”, diz Eduardo Tancinksy, consultor especializado em marcas. Warren Buffett, o genial investidor americano, tem uma frase definitiva sobre o assunto: “São necessários 20 anos para construir uma reputação e apenas cinco minutos para destruí-la.”

 

Coronavírus deverá estimular novos negócios

Neste exato momento, alguma grande empresa começa a ser gestada. Pelo menos é isso o que ensina a história. Depois da crise do subprime, em 2008, dois negócios surgiram para mudar o mundo. O Airbnb, nascido em agosto de 2008, ofereceu uma oportunidade de renda para quem tinha imóveis vagos. Criada em março de 2009, a Uber abriu portas para milhões de pessoas que perderam o emprego. Hoje em dia, as maiores apostas são para novos negócios relacionados à área de saúde e tecnologia.

 

 

(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press 1/7/10 )
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press 1/7/10 )
 

 

Compras com cartões de débito caem até 90%

Um levantamento feito pela empresa de pagamentos Elo, que possui 132 milhões de cartões em sua base, mostra o tamanho do estrago da crise do coronavírus. A Elo comparou o movimento do dia 23 de março, em plena pandemia, com o faturamento médio de um dia comum. Os pagamentos com cartão de débito caíram 91% no setor de vestuário. Nos bares e restaurantes, a queda foi de 69%. Nos postos de combustível, 35%. Apenas os supermercados (alta de 20%) e farmácias (aumento de 15%) venderam mais. 

 

(foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo 28/12/18)
(foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo 28/12/18)
 

"Entre ouro e dinheiro, prefiro ouro. Entre ouro e empresas, prefiro empresas"

Henrique Bredda, sócio da firma de investimentos Alaska

 

 

Empresas de videoconferências faturam alto

O mercado de eventos tem sofrido com as restrições de circulação, mas muitas empresas descobriram novos nichos nas videoconferências. A startup americana Zoom Video Communications, dona de um aplicativo para o setor corporativo que conecta pessoas em reuniões a distância, representa em 2020 uma notável exceção na bolsa dos Estados Unidos. Desde janeiro, enquanto a maioria das ações derreteu, seus papéis dispararam 60%. Não à toa: o número de usuários triplicou no período.

 

155.810  automóveis e comerciais leves foram vendidos no Brasil em março, queda de 21% sobre o mesmo período do ano passado. Segundo a Fenabrave, associação que reúne as concessionárias, foi o pior resultado em 14 anos

 

 RAPIDINHAS

 

(foto: Ruda Albuquerque/BSG Divulgação 15/10/19)
(foto: Ruda Albuquerque/BSG Divulgação 15/10/19)
 

A indústria de videogames está faturando com a quarentena global. A americana Twitch, empresa de transmissão ao vivo de jogos eletrônicos, alcançou a marca recorde de 1,1 bilhão de horas assistidas em março. Lançado recentemente, o jogo Call of Duty Warzone passou de 6 milhões de jogadores (foto) para 25 milhões em 10 dias.

As empresas que têm faturamento proveniente de compras digitais estão bem posicionadas para enfrentar a crise. O mundo se depara com uma mudança sem precedentes. Muitas pessoas acessaram softwares e aplicativos pela primeira vez e a tendência é que sejam fidelizadas diante da comodidade que as novas tecnologias oferecem.
 
A operadora Vivo ofereceu ao governo de São Paulo uma ferramenta utilizada na Europa, Ásia e Estados Unidos: o acompanhamento dos deslocamentos da população em tempo real por meio das redes de telefonia celular. A empresa entregará as informações ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Segundo a Vivo, os dados serão apresentados em um modelo de “mapa de calor” que indica maior ou menor concentração populacional por localidade, em diferentes períodos. De posse das informações, as autoridades poderão adotar estratégias para evitar a disseminação da pandemia. O Estado de São Paulo lidera as estatísticas de casos do coronavírus. 
 

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