NEGACIONISMO

Caiado discute com influenciador negacionista e defende vacina da Covid-19

Ex-governador de Goiás se irritou com posicionamento negacionista de apresentador de podcast e argumentou em defesa da vida

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O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) levantou o tom e discutiu com um influenciador negacionista na defesa da vacina da Covid-19.

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Em participação no podcast de direita Iron Talks, veiculado na quarta-feira (3/6), o apresentador Felipe Sestaro defendeu que opinar sobre a vacina é “liberdade de expressão”, ao passo que Caiado afirmou que este não é um assunto sobre o qual se possa opinar dessa maneira. “O seu programa não pode entrar nessa área da ciência. Deixa vacinar! Você está cometendo um erro, você não pode fazer isso”, afirmou o presidenciável, que é médico ortopedista.

Durante a pandemia da Covid-19, o Brasil teve mais de 700 mil mortes confirmadas provocadas pela doença, segundo dados oficiais consolidados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. No entanto, devido à subnotificação e ao alto nível de mortalidade, esse número pode ser maior.

“Se você fosse cientista e provasse no seu laboratório que essa vacina vai levar a alguma complicação àquela pessoa… Diziam até que ivermectina ou corticoide resolvia!”, como resposta, Sestaro, que é formado em medicina, afirmou que o corticoide melhorava sintomas. “Melhorar sintoma é uma coisa, mas não salva vida!”, respondeu Caiado.

Na gravação, Felipe defende apenas o isolamento como forma de prevenção, critica a “imposição” feita pelo Estado pela vacinação e questiona se a vacina é tratamento. “Lógico que é ciência, Felipe!”, respondeu Caiado, já aos risos. “Nós temos que respeitar a nossa profissão. A profissão tem que ter, e isso é um juramento que nós temos, nós temos que ser pessoas evoluídas e [entender] que quanto mais você dá cobertura vacinal ao jovem, você propõe a ele uma vida mais digna, que tenha capacidade cognitiva, física, sem sequelas”, argumentou.

Na sequência, Caiado defendeu que “tudo isso não é um achismo de A ou de B”, mas teses levantadas para que seja feito um quadro de proteção ao ser humano, independentemente de posição ideológica, de direita ou esquerda. “Se a direita não vacina e a esquerda vacina? Pelo amor de Deus, isso é ciência! Ciência está acima de problema ideológico e político! Você não pode levar pro microfone esse tipo de conversa!”, afirmou o goiano.

O ex-governador comentou que a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo está correta em determinar que crianças devem estar vacinadas para frequentar as creches “para que elas não sejam sequeladas amanhã”, ao passo que o podcaster questiona a necessidade de uma vacina da Covid. “Ela só existe hoje porque dá resultado. Se não desse resultado, a Covid estava matando até hoje. Ou você acha que o vírus da Covid desapareceu? Não! É que você faz a cobertura vacinal e não tem a transmissão do vírus”, explicou.

“O seu programa não pode entrar nessa área da ciência. Isso você tem que entender que as autoridades do país são responsáveis por isso. Você tem sistema sanitário nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil. Você não pode fazer isso porque é um formador de opinião e não pode emitir uma opinião que não vai melhorar em nada”, afirmou.

O podcaster seguiu na justificativa de que opinar sobre questões sérias de saúde é “liberdade de opinião”, ignorando o que Caiado defendeu como “peso da fala” de um especialista no exercício da profissão, chamando o influenciador de incoerente. “Então quero ser incoerente até o fim”, se defendeu o host.

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A defesa da vacinação contra a Covid-19 feita por Caiado contrasta com um discurso que ganhou força durante a pandemia em setores da direita bolsonarista. Ao longo da crise sanitária, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) questionou reiteradamente a eficácia e a segurança dos imunizantes, além de fazer críticas a campanhas de vacinação e a medidas de prevenção. Estudos e análises de pesquisadores apontam que a disseminação de informações contrárias às vacinas e a baixa adesão à imunização em determinados grupos contribuíram para ampliar os impactos da pandemia e o número de mortes registradas no país.

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