Síndico relata clima de comoção em prédio onde vivia capitã da PM
Dirceu Oliveira disse que, em um grupo interno, moradores têm demonstrado solidariedade diante da perda
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O síndico Dirceu Oliveira afirmou que a morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo, de 41 anos, causou comoção entre os moradores do edifício em que morava com o companheiro em Belo Horizonte. O sargento Eduardo Abner de Oliveira, de 37, é investigado como principal suspeito da morte da mulher. O óbito foi registrado na noite de segunda-feira (20/7).
A capitã da PM foi velada nesta quarta-feira (22/7), na Funerária Dom Bosco, Região Noroeste da capital mineira. A cerimônia contou com a presença de amigos, familiares e colegas de farda da militar. “Muita dor! A vizinhança está toda muito triste”, relatou o síndico.
“Nós temos um grupo interno de moradores e as pessoas têm demonstrado muita solidariedade neste momento. Desejamos que Deus conforte a família”, destacou Dirceu. O síndico indicou que os condôminos nutriam uma simpatia muito grande por Michele e que mantinham uma relação amistosa com a capitã da PM.
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“O maior problema que tínhamos era o do outro lado – o sargento Eduardo –, mas com ela era muito tranquilo. A emoção com a perda é muito dolorosa. Esperamos superar esse sentimento com o tempo”, lamenta o síndico.
Ainda segundo ele, o crime foi descoberto na noite de segunda-feira. A vizinha do casal, a personal trainer Daniela Soares da Silva registrou vestígios de sangue no corredor, em direção ao apartamento da dupla. As manchas foram vistas quando ela chegou em casa.
"Eu saio de casa às 5h. Volto para almoçar e depois retorno novamente só depois das 22h. Quase não fico em casa, nos fins de semana também é raro", contou. Depois desse registro, o síndico contou que procurou nas câmeras de segurança e encontrou as imagens do sargento saindo carregando a capitã, por volta das 21h16.
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O que aconteceu?
A morte da capitã, constatada na noite de segunda-feira, mobilizou equipes das polícias Civil e Militar. O suspeito levou a vítima até o Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, Região Noroeste de Belo Horizonte, alegando que ela havia sofrido uma queda da escada em casa, no Bairro Santa Cruz.
No entanto, a extensão e a gravidade dos ferimentos no corpo de Michele, especialmente no rosto, levantaram suspeitas imediatas da equipe médica e dos policiais. Segundo o delegado Saulo Castro, o grau das lesões aponta para a intenção deliberada de agressão e de feminicídio.
Além das marcas de agressão, que fizeram os profissionais de saúde questionarem a versão sobre a queda acidental, o comportamento do sargento no hospital agravou sua situação. Durante as checagens iniciais no local, um tenente da PM flagrou Eduardo descartando 18 comprimidos de ecstasy em um dos banheiros da unidade de saúde, o que também resultou no registro de autuação por tráfico de drogas.
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Informações preliminares e testemunhas ouvidas pelas autoridades apontam que o casal vivia um relacionamento instável e marcado por contornos abusivos, idas e vindas ao longo de oito anos, além de violência psicológica e moral praticada pelo sargento. Questionada sobre a existência de procedimentos internos passados contra o suspeito na Corregedoria, a Polícia Militar informou que ainda não tem esse levantamento.
Em depoimento prestado à polícia, o sargento tentou justificar que o casal realizou uma festa em casa e que ambos consumiram bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes. Eduardo afirmou ainda que, após a saída dos convidados, os dois tiveram relações sexuais consensuais e alegou que as práticas íntimas do casal frequentemente envolviam agressões concedidas.
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*Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck