SUCESSO

Edifício JK vira hype, rende podcast e atrai curiosos

Após o sucesso de "A Síndica", prédio mais famoso de BH vive onda de curiosidade e registra aumento na procura por apartamentos

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Após décadas associado a disputas internas, a processos judiciais, a denúncias e à figura controversa da ex-síndica Maria Lima das Graças, o Edifício JK, no Barro Preto, Região Centro-Sul de BH, voltou aos holofotes. Dessa vez, por meio do podcast “A síndica”, do jornalista paulista Chico Felitti, que já ultrapassou a marca de 1 milhão de ouvintes.

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Segundo Manoel Freitas, atual síndico do conjunto projetado por Oscar Niemeyer, a procura por apartamentos aumentou, além da presença de estudantes, arquitetos e curiosos que têm visitado o conjunto com frequência.

"Pessoas que queriam morar no JK, mas não vinham por causa daquela imagem que existia, passaram a olhar diferente. A procura aumentou muito", afirma o síndico. Câmeras e celulares se tornaram parte da paisagem. "Tem gente vindo para conhecer, tirar fotos, gravar vídeos.”

Nessa segunda-feira (8/6), Felitti reuniu cerca de 100 pessoas na Livraria Jenipapo, na Savassi, para conversar sobre os bastidores da produção que se tornou uma das mais comentadas do país nas últimas semanas. Em cinco episódios, o podcast mergulha na trajetória de Maria Lima das Graças, que administrou o edifício por mais de quatro décadas e construiu uma reputação tão admirada quanto temida. Conhecida como Doutora Graça, ela morreu em 13 de março deste ano, aos 78 anos.

A série também explora relatos de moradores sobre intimidações, disputas de poder, processos judiciais e episódios inusitados. Chico conta que se surpreendeu ao voltar ao prédio depois de finalizar o programa e ser cercado por moradores dispostos a contar suas histórias. "Passei o dia conversando com pessoas do JK. Depois que o podcast saiu, muita gente começou a me procurar espontaneamente. Estão se sentindo encorajadas a falar."

Durante a produção do podcast, o jornalista ouviu muitos relatos sobre medo e silêncio. Segundo ele, durante anos a administração do condomínio criou um ambiente em que moradores e até jornalistas evitavam expor os problemas do lugar. "A imprensa tinha muito medo. Existia um assédio jurídico. Jornalistas eram processados nominalmente. Isso criou um tabu enorme em torno dessa história", relata.

O jornalista diz que ainda avalia se os novos depoimentos podem render desdobramentos para a investigação."Pode haver algo que deixamos passar. Estamos tentando entender."

Novos tempos

Embora o mandato de Manoel continue cercado por questionamentos, há um consenso frequente nos relatos reunidos por Felitti: o prédio mudou. "A pergunta que fiz para todo mundo foi se o JK tinha mudado nos últimos meses. Foi consenso. Todo mundo dizia que sim", conta.

Entre as transformações citadas estão a reabertura de espaços de lazer que permaneciam interditados há décadas e uma administração considerada mais acessível ao diálogo. Manoel confirma que algumas áreas fechadas há mais de 20 anos voltaram a funcionar. “Fizemos melhorias iniciais e liberamos para os moradores. É um processo de recuperação."

Uma das histórias que mais chamaram a atenção do jornalista foi a de uma moradora emocionada ao ver crianças brincando em um desses espaços reabertos. "Ela disse que o prédio estava gangrenando e agora está voltando a receber oxigênio."

Mistério continua

Mesmo após a morte de Maria das Graças, a ex-síndica continua sendo assunto nos corredores do JK. Parte dessa curiosidade é explorada em um episódio extra do podcast, publicado nesta quarta-feira (10/6). Segundo Felitti, o capítulo reúne novas informações sobre os últimos dias da administradora, obtidas após a série já estar no ar. "Fomos procurados por profissionais de saúde, pessoas que trabalharam com ela em hospitais e clínicas. Conseguimos reconstruir os dias finais da Maria das Graças."

“Tem gente que não acredita que ela morreu.", diz. A ausência de velório público, o enterro realizado com caixão fechado e até a existência de uma homônima falecida durante o período em que a ex-síndica estava desaparecida ajudaram a alimentar especulações.

BH no radar

O sucesso reforçou algo que o jornalista diz ter percebido ao longo da investigação: o potencial de Belo Horizonte como cenário de grandes histórias. Segundo ele, a recepção dos mineiros foi diferente de qualquer outra que já vivenciou. "Foi o primeiro podcast em que já existia um público esperando. Muita gente daqui queria saber o que acontecia naquele prédio havia anos."

O podcaster contou que a relação com a capital vai além da pauta. "Amo BH, a comida, as pessoas. Tenho muitos amigos aqui. Toda vez que venho, penso no que ainda estou fazendo em São Paulo."

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Vem mais por aí

Felitti revela que já investiga um novo personagem mineiro para um futuro projeto, embora ainda mantenha os detalhes sob sigilo. "Minas é um celeiro de personagens. Dá para fazer vários livros e vários podcasts só com histórias daqui." Ele garante apenas uma coisa: a próxima história promete ser tão ou mais extraordinária.

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