Vacina contra dengue: 'Não há motivo para pânico', diz secretário
Chefe da pasta da Saúde em Minas informa que estado não registrou nenhum caso grave relacionado ao imunizante
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Embora não exista alerta em Minas Gerais nem registro de reações graves associadas à vacina do Butantan contra a dengue no estado até o momento, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) orienta que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias observem possíveis sintomas e procurem atendimento médico em caso de sinais de agravamento.
A recomendação aconteceu após o Ministério da Saúde suspender temporariamente a aplicação do imunizante nessa segunda-feira (8/6), por precaução, depois da notificação de mortes suspeitas em investigação no país.
Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, a orientação não é motivo para pânico entre a população vacinada. Ele destacou que Minas não registrou nenhum caso grave relacionado ao imunizante e que a medida adotada pelo Ministério faz parte do protocolo de segurança.
“Quem tomou a vacina pode ficar tranquilo. Nós vacinamos cerca de 82 mil pessoas em Minas Gerais e nenhuma apresentou evento adverso grave. Essa suspensão acontece para investigação e segurança da população. É um procedimento normal que faz parte do processo de investigação e de segurança”, afirmou o secretário.
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De acordo com a pasta federal, 500 mil doses da vacina foram aplicadas em todo o país, desde janeiro, quando o imunizante foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Do total, 42 pessoas registraram reações adversas ao imunizante, uma taxa de aproximadamente 0,008%. Desses, três foram classificados como graves, sendo duas mortes e uma internação que seguem sob investigação. Até o momento, não há confirmação de que os casos tenham sido provocados pela vacina.
A reportagem questionou a secretaria sobre quantas pessoas foram vacinadas nas últimas três semanas e a pasta informou que não possui esses dados.
O secretário aconselha que pessoas vacinadas recentemente acompanhem o estado de saúde durante três semanas após a aplicação. Esse é o período considerado de observação para possíveis reações relacionadas ao imunizante. “Quem tomou a vacina está protegido contra a dengue. O que pedimos é atenção aos sintomas nos primeiros 21 dias, porque esse é o período em que qualquer reação costuma aparecer. Depois disso, não existe risco de efeito tardio associado à vacinação”, explicou Baccheretti.
Ele reforçou que pessoas imunizadas nos últimos dias não devem entrar em desespero. “Não é para ter medo ou deixar de confiar na vacina. Quem tomou está protegido contra a dengue. O que pedimos é atenção aos sintomas e busca por atendimento se houver sinais de agravamento”, disse.
Entre os sintomas que exigem avaliação médica imediata estão febre alta, dores intensas no corpo, dor abdominal forte, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, desidratação e dificuldade para respirar. Segundo a pasta estadual, as manifestações são semelhantes às da própria dengue grave.
A Butatan-DV, desenvolvida pelo instituto, é considerada uma vacina inovadora por ser a única do mundo em que apenas uma dose se faz necessária para o combate à dengue. O imunizante é quadrivalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos da doença — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 — que circulam no Brasil.
O desenvolvimento da vacina começou há cerca de 15 anos e passou por várias etapas até a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo Baccheretti, os estudos envolveram aproximadamente 18 mil voluntários e demonstraram eficácia próxima de 80% contra casos graves e mortes pela doença.
“É importante esclarecer que não se trata de uma vacina nova. Ela vem sendo estudada há muitos anos, passou por todas as fases necessárias e teve autorização da Anvisa antes de começar a ser aplicada em larga escala”, afirmou.
Em Minas Gerais, todos os 853 municípios receberam doses da vacina do Butantan. A estratégia, porém, variou de acordo com cada cidade. Em grande parte do estado, as doses foram destinadas prioritariamente a profissionais de saúde. Em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a vacinação foi ampliada para toda a população entre 5 e 59 anos.
O município foi o que mais recebeu doses do imunizante no estado. Desde o início da campanha, mais de 27 mil aplicações foram realizadas na cidade. Segundo a prefeitura, houve apenas três notificações suspeitas de reações graves, mas todas acabaram descartadas após avaliação técnica do Ministério da Saúde.
“Reforçamos que não houve confirmação de casos graves de reação ao imunizante em Nova Lima. Os três casos suspeitos notificados foram avaliados tecnicamente e nenhum foi classificado como evento grave relacionado à vacina”, informou a prefeitura em nota.
As doses restantes da vacina do Butantan foram separadas e permanecem armazenadas em condições adequadas até nova orientação do Ministério da Saúde. Ainda não há prazo definido para a retomada da vacinação.
O secretário reforça que ainda não é possível afirmar se as mortes tiveram relação direta com a vacina, já que os pacientes poderiam ter contraído dengue naturalmente. Baccheretti comparou a situação ao período da pandemia da COVID-19, quando pessoas vacinadas acabavam adoecendo pela circulação simultânea do vírus.
“É importante lembrar que a dengue continua circulando. Muitas vezes, a pessoa toma a vacina e já estava incubando a doença ou se infecta logo depois. Isso precisa ser investigado com cautela”, disse.
Apesar da suspensão temporária da vacina do Butantan, a SES-MG reforçou que a vacina Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda, continua sendo aplicada normalmente no estado. O imunizante segue disponível para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, conforme orientação do Ministério da Saúde.
Baccheretti também destacou que a população não deve perder de vista os riscos da própria dengue. Segundo ele, a doença continua sendo uma ameaça importante no país e a vacinação segue como uma ferramenta fundamental de prevenção.
“Nos últimos anos, milhares de pessoas morreram de dengue no Brasil. Então, precisamos lembrar que o grande risco continua sendo a doença. A vacina é uma proteção importante para reduzir casos graves e mortes”, afirmou.
Minas Gerais já contabiliza mais de 63 mil casos prováveis de dengue neste ano. Desse total, mais de 32 mil foram confirmados para a doença. Até o momento, há 22 mortes confirmadas e 37 óbitos em investigação.
Segundo Baccheretti, a expectativa é que 2027 possa ser um ano mais crítico para a dengue em razão das condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito transmissor. “Quem mata de verdade é a dengue. Nos últimos cinco anos, mais de 10 mil pessoas morreram pela doença no Brasil. Por isso, ter uma população vacinada traz mais tranquilidade para enfrentarmos períodos epidêmicos”, disse.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck