SAÚDE

Governo suspende vacina da dengue feita pelo Butantan

Segundo informações do Ministério da Saúde, 42 pessoas tiveram reações adversas severas

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Com informações do Correio Braziliense - O Ministério da Saúde  anunciou nesta segunda-feira (8/6) a suspensão temporária da estratégia de aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi comunicada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva de imprensa, após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves registrados pelo sistema nacional de vigilância pós-vacinação e duas mortes suspeitas.

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A medida foi adotada por precaução, com base em recomendação do Comitê Nacional de Farmacovigilância, e ficará em vigor até a conclusão das investigações. Segundo o ministro, ainda não há elementos suficientes para estabelecer relação de causa e efeito entre a vacina e os casos registrados.

“Não existem informações suficientes para estabelecer uma causalidade entre a vacina e esses óbitos. Também não existem, até este momento, dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses casos graves, mas isso representa um sinal de alerta para o sistema de vigilância”, declarou Padilha.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 500 mil doses foram aplicadas desde o início da estratégia. Os 42 registros de reações graves correspondem a aproximadamente oito casos para cada 100 mil doses aplicadas. Três ocorrências são consideradas mais graves e seguem em investigação.

Os casos envolvem uma mulher de 39 anos que evoluiu para quadro compatível com dengue grave e precisou de internação em UTI; uma mulher de 48 anos que desenvolveu meningoencefalite e morreu; e um homem de 58 anos que apresentou evolução rápida para dengue grave com choque refratário, também com desfecho fatal.

Os eventos seguem sob análise do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan. Estudos clínicos realizados antes da autorização, com cerca de 11 mil participantes, não haviam identificado parte dessas ocorrências.

Redução dos indicadores

A suspensão ocorre em um momento em que o país registra redução expressiva dos indicadores relacionados à dengue. Segundo dados apresentados pelo ministro, o Brasil contabilizou queda de 92% no número de casos da doença e redução de 97% dos óbitos ao comparar os cinco primeiros meses de 2026 com o mesmo período de 2024. Até 30 de maio deste ano, foram registradas 178 mortes por dengue, enquanto no mesmo período de 2024 o número chegou a 1.791. O total de óbitos em 2025 foi de 632. Para o Ministério da Saúde, os resultados refletem a combinação de diferentes estratégias de enfrentamento da doença, incluindo ações de vigilância, combate ao mosquito transmissor e ampliação da vacinação.

Ao defender a decisão, Padilha destacou que a credibilidade do Programa Nacional de Imunizações (PNI) está diretamente ligada ao compromisso com a ciência e à transparência na condução das políticas públicas de saúde. O ministro lembrou que o Brasil alcançou em 2025 a maior cobertura vacinal dos últimos nove anos, superando 90% em diversos imunizantes do calendário nacional. Também citou o avanço da vacinação contra o HPV, que atingiu quase 90% das meninas e cerca de 80% dos meninos, índices superiores à média mundial.

“O Programa Nacional de Imunizações ajudou a erradicar doenças, recuperar certificados internacionais e salvar milhões de vidas. Seguiremos tomando decisões baseadas em evidências científicas e na proteção da população brasileira”, afirmou. Segundo ele, as pessoas já vacinadas permanecem protegidas e devem manter acompanhamento nos 21 dias seguintes à aplicação, período considerado importante para observação de possíveis eventos adversos.

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*Estagiária sob supervisão da subeditora Fernanda Penna

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