ET de Varginha: leia na íntegra as primeiras reportagens sobre o caso
Confira as reportagens produzidas pelo Estado de Minas nas primeiras semanas após o caso acontecer, em janeiro de 1996
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Foi pela tela da TV Alterosa e pelas páginas do Estado de Minas que a história de um suposto extraterrestre avistado em Varginha, no Sul de Minas, saiu da cidade e começou a se tornar conhecida por todo o país - e, posteriormente, pelo mundo.
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Cerca de duas semanas após as irmãs Liliane e Valquíria, e a amiga delas, Kátia, avistarem uma criatura estranha num terreno baldio perto de casa, repórteres do EM noticiaram o caso inusitado e passaram a acompanhar as investigações realizadas por ufólogos a fim de desvendar o mistério.
Desde então, Varginha, e a ufologia mundial, nunca mais foi a mesma. Hoje, 30 anos depois, os acontecimentos ainda não esclarecidos continuam despertando interesse por todo o mundo.
Veja abaixo as principais reportagens publicadas no EM nas semanas que se seguiram aos avistamentos das jovens e de outros moradores de Varginha, que também alegaram ter visto luzes estranhas no céu, movimentações atípicas de militares e médicos em meio ao fenômeno conhecido como "Incidente de Varginha".
Ufólogo ouve depoimentos de testemunhas (2 de fevereiro de 1996)
A convite do ufólogo Ubirajara Rodrigues, um grupo de 14 pessoas tem se reunido periodicamente para discutir e levantar provas e testemunhas sobre o caso da "estranha criatura" que teria aparecido para três pessoas no bairro Santana, em Varginha, na tarde do último dia 20 de janeiro. Na última quarta-feira (7/1), o ufólogo e seus convidados ouviram duas testemunhas importantes que, segundo Ubirajara, tem conhecimento que há algo estranho nos hospitais Regional e Humanistas.
Ubirajara - que é representante em Minas Gerais da Mufon (Mutual Ufo-Network) - maior organização mundial de Ufologia, tem ouvido vários depoimentos de testemunhas, desde o dia seguinte ao suposto aparecimento do "bicho". Depois de entrevistar Kátia Andrade Xavier, de 22 anos, e as irmãs Liliane de Fátima Silva (17) e Valquíria Aparecida Silva (14), as três moças que afirmam ter visto a "criatura", o ufólogo admitiu: "Estou realmente convicto que elas viram alguma coisa, que ainda não sei o que é".
Por toda a cidade, surgem informações e boatos sobre o caso. No domingo passado, um médico teria comentado, numa roda de amigos no Clube Campestre de Varginha, que no Hospital Regional havia apenas um casal de anões e que a anã, grávida, estaria bastante deformada. Enfermeiros e médicos do hospital desmentem a notícia de que uma senhora teria visto uma viatura militar (Corpo de Bombeiro ou PM) no posto de saúde do bairro Santana com um casal de anões, sem saber para onde encaminhá-los.
Depois de insistentes contatos com os hospitais, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, Ubirajara afirmou que "há, por parte dessas instituições, uma campanha de desinformação evidente". O ufólogo acredita que se há algo está acontecendo, seja lá o que for, tem que ser levado a conhecimento público, principalmente de pessoas que podem auxiliar a desvendar o mistério do suposto extraterrestre.
Aparição de ET atrai ufólogos de todo o País, por Evaldo Sérgio (4 de fevereiro de 1996)
Para auxiliar nas investigações da suposta aparição de um ser extraterrestre em Varginha, quatro ufólogos do Rio de Janeiro estiveram na cidade, a convite do pesquisador Ubirajara Rodrigues. Irene Granchi, presidente do Centro de Investigações sobre a Natureza do Extraterrestre (Cisne); Chica Granchi, vice-presidente do Cisne; Janda Praia, historiadora da entidade, e o ufólogo Luiz Carlos que fizeram ontem uma reconstituição do fenômeno com as três meninas, no local onde teria ocorrido.
Depois de colher o depoimento de Katia Andrade Xavier, Valquíria Silva e Liliane de Fátima Silva, que afirmam ter visto a criatura estranha, os pesquisadores disseram estar convictos que se trata de um fenômeno anormal, que ainda precisa ser explicado. Irene Granchi, que há mais de 40 anos desenvolve estudos de ufologia no País, informou ser este o primeiro caso dessa natureza no País de que tem conhecimento. Ela pediu que Kátia fizesse um desenho do que havia visto, explicando que esta é a melhor metodologia na tentativa de se desvendar o caso, mas ela só conseguiu com a ajuda do marido.
Consequências
Luiza Helana da Silva, mãe de Valquíria e Liliane, disse que lamenta muito o fato ocorrido com suas filhas. "Nunca ouvi ninguém falar que tenha aparecido um bicho feio assim, como elas contaram”. No local onde ocorreu o fato, Luiza confessou que ela mesma teria visto duas pegadas, minutos depois das crianças chegarem em sua casa chocadas com a aparição.
Liliane e Valquíria estão enfrentando problemas no relacionamento com os colegas de escola e com vizinhos, já que são motivo de gozação. Liliane até trocou de turno escolar e Luiza, que trabalha, disse que deixa as filhas trancadas quando sai.
Mais velha das testemunhas, Katin Xavier, mãe de três filhos, afirmou que não tem pensado em outra coisa. O marido, Carlos Camilo, tem ajudado bastante, encorajando-a. Ontem, Carlos fez um desenho da "criatura”, com a descrição feita pela esposa.
O ufólogo Ubirajara Rodrigues e membros de sua equipe estão levantando pistas e investigando o comentário que têm surgido na cidade a respeito da aparição da "criatura" no bairro Jardim Andere. A família de Rogério Mendes Pereira, que mora na rua Uguatemi, 370, no bairro Santana, afirma que, uma semana antes da aparição, no dia 13 de janeiro, viu um objeto voador não identificado passar a 500 metros de altura do bairro. Ubirajara Rodrigues disse que há evidências de que há um assédio de discos voadores na região.
Desenhos mostram a aparição do ET no Sul (16 de fevereiro de 1996)
As três moças que dizem ter visto um ser extraterrestre, em 20 de janeiro, num terreno baldio, no bairro Jardim Andere, em Varginha, estão dizendo a verdade, segundo os pesquisadores. O ufólogo Ubirajara Franco Rodrigues, que pesquisa o caso, voltou nesta semana à casa das irmãs Valquíria e Liliane Fátima Silva, com os desenhistas Vinicio Cunha e Elizabeth para fazer o retrata falado da criatura. Resultado: os seis desenhos feitos separadamente com as irmãs são praticamente idênticos, principalmente os que mostram o ET de perfil (apenas o rosto) e agachado, também de lado, de corpo inteiro.
Detalhes no rosto, como orelhas e boca, não aparecem nos esboços. Segundo as testemunhas, não foi possível, pela rapidez da visão, observar como eram essas partes.
Além de atrair especialistas e estudiosos de todo o País à Varginha, o caso do ET, no início tratado como brincadeira e gozação pela população do Sul de Minas, já ganhou repercussão nacional, chamando a atenção de pesquisadores e cientistas de todo o mundo. O caso acaba, inclusive, de entrar numa página da Internet, que pode ser acessada pelo código spw arroba embratel, net.br (E-mail de Walter Capanema, Rio e Janeiro, RJ).
Embora tenham diminuído os comentários na cidade a respeito do caso, Ubirajara disse que as investigações continuam e que o seu trabalho é um exercício de paciência. “Não importa se o caso durar 30 ou 50 anos, não vamos colocá-lo na gaveta”, afirmou. Para o ufólogo, toda a divulgação que aconteceu no país e também no exterior têm, no mínimo, duas grandes vantagens: evidencia Varginha com um assunto sério e valoriza os estudos de ufologia, através da procura e do respeito ao caso manifestados pela mídia.
ET de Varginha deixa muitos mistérios no ar, por Evaldo Sérgio (27 de fevereiro de 1996)
Enquanto o aparecimento do ET em Varginha, que teria acontecido em 20 de janeiro, continua sem explicação, outros fenômenos estranhos têm sido testemunhados por moradores da cidade. O mecânico Luiz Mazelli, de 63 anos, jura que, por volta das 13h do último sábado, ouviu um estranho e forte barulho sobre sua casa, na rua Gabriel Penha de Paiva, 336, Vila Paiva. Além dele, estavam na casa sua mulher, Jandira Mazelli, a empregada Sebastiana Lelo e dois netos pequenos.
Segundo a família, um tremor, que durou cerca de dois minutos, tomou conta da casa e o barulho dava a impressão de que alguma coisa estava batendo no telhado. "Parecia o barulho de um trator em cima da casa", conta Luiz Mazelli. Quando ele correu para o quintal para verificar o que estava acontecendo, viu pedaços de telha de amianto saírem “voando” e caírem no chão.
Minutos depois, um de seus filhos, Luiz Estêvão Mazelli Júnior, que havia chegado, subiu no telhado e, para sua surpresa, viu que estavam faltando seis telhas, de 1,5 metro cada uma. Como os cacos no chão eram de no máximo duas telhas, Mazelli acredita que as outras quatro desapareceram misteriosamente.
O mistério aumentou ainda mais para a família porque, naquela hora, o céu estava limpo e não ventava. O mecânico garante que o telhado estava em perfeito estado e foi checado por ele há algumas semanas, quando um temporal destelhou várias casas na cidade. Jandira Mazelli estava com a neta de dois anos no colo quando escutou o barulho. “Parecia um som de batida no poste em frente à casa”, conta.
A empregada Sebastiana Lelo relata que as roupas do varal no quintal também “voaram” e que a cadela “Pelada” passou a andar em pânico pela casa. “Pensei que fosse um furacão e fiquei com muito medo”, afirma. O estrondo deixou toda a família em polvorosa, embora nenhum vizinho tenha visto, nem ouvido nada.
Disco voador
Ontem, Luís Mazelli disse que, por volta das 9h, um objeto estranho, sobrevoando a cidade, foi avistado por ele, de sua oficina, que fica na avenida São José, 677. “Era bem parecido com uma moringa de alumínio brilhante, estava a uns dois mil metros de altura e mudava de direção rapidamente”, contou. O objeto foi visto durante aproximadamente três minutos pelo mecânico, até desaparecer.
Ubirajara Rodrigues, o ufólogo que investiga o aparecimento de ET, disse que, periodicamente, balões atmosféricos sobrevoam a região sul-mineira, lançados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de São José dos Campos e de Cachoeira Paulista, que ficam a cerca de 300 quilômetros de Varginha. Entretanto, ele achou estranho o fato de o objeto visto ontem de manhã pelo mecânico Luiz Mazelli se deslocar em vários sentidos rapidamente. “Os balões dificilmente pegam correntes fortes de vento, já que alcançam altitudes muito elevadas, para mudarem de posição bruscamente”, afirmou.
A respeito do destelhamento da casa de Luiz Mazelli, Ubirajara está investigando o fenômeno, em visitas ao bairro onde mora o mecânico. “Não posso adiantar nada, somente que há muitas testemunhas que afirmam ter visto, ultimamente, objetos estranhos em vários pontos da região”, observou o ufólogo.
Militar confirma captura de um ET em Varginha, por Evaldo Sérgio (28 de fevereiro de 1996)
O ufólogo Ubirajara Rodrigues, que investiga o aparecimento do ET em Varginha no dia 20 de janeiro último, disse ontem ao ESTADO DE MINAS que está totalmente convicto de que uma criatura foi mesmo capturada pelo Corpo de Bombeiros de Varginha. É a primeira vez que o pesquisador faz essa afirmação, depois de colher vários depoimentos a respeito do caso.
Para chegar a essa conclusão, Ubirajara contou com o auxílio de outro ufólogo, Vitório Pacaccini, membro do Centro de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (Cicoani) de Belo Horizonte. Há alguns dias em Varginha, Pacaccini conseguiu convencer um militar da ativa, testemunha-chave do caso, a gravar um depoimento de 40 minutos. Para segurança da testemunha, segundo Ubirajara, a fita K-7 está sob sigilo total.
Na gravação, feita no último dia 16, em lugar não revelado, o militar relata a Pacaccini que as meninas realmente viram uma criatura, descrevendo-a exatamente como a encontraram. O militar argumenta que o ser tinha um zunido próximo ao barulho de uma abelha e que foi capturado pelo Corpo de Bombeiros e levado para a Escola de Sargentos das Armas (Esa) de Três Corações por um caminhão de tropa militar. A troca da condução da criatura, do caminhão dos Bombeiros para o do Exército, foi feita no local da captura, num lote do bairro Jardim Andere.
Segundo Ubirajara, o militar não viu a criatura, sendo que, possivelmente, alguém contou para ele como ela era. O ufólogo acredita que o ser capturado não teria passado imediatamente pelo Hospital Regional, como se pensava até agora. O militar afirma ainda, na entrevista a Pacaccini, que pessoas do bairro viram o Corpo de Bombeiros apanhando o ET.
Mistério
O ajudante de pedreiro Henrique José de Souza é outra testemunha que garante ter visto a viatura dos Bombeiros no local. Em depoimento gravado por Ubirajara, Souza afirma que “algumas pessoas me disseram que eles (os militares) teriam pego um animal, que chorava feito uma criança". Souza trabalhava numa construção próxima no local e afirmou que o fato teria acontecido entre 10h30 e 11h daquele sábado.
Ambos os depoimentos, do militar e do pedreiro, levaram o ufólogo Ubirajara a crer que havia realmente duas criaturas naquele dia em Varginha. Uma teria sido capturada de manhã e, a outra, vista pelas meninas às 14h. O paradeiro da segunda criatura ainda é um mistério. Ubirajara informou que estará investigando, esta semana, comentários de que outro militar afirmara que uma parte da enfermaria da Esa está isolada há dias.
O capitão Pedro Alvarenga, subcomandante da Cia de Corpo de Bombeiros de Varginha negou novamente que seus militares tenham capturado algo no Jardim Andere. Desta vez, Alvarenga disse ao ESTADO DE MINAS que, naquele dia, atendia a uma ocorrência do corte de árvore na rua Monte Cassino, na Vila Floresta, às 9h. Ele negou ainda que tenha sofrido qualquer tipo de represália, conforme foi divulgado pela imprensa, dizendo apenas ter feito um relatório expondo os fatos, a pedido do comando em Belo Horizonte.
ETs invadem as ruas de Varginha, por Evaldo Sérgio (10 de março de 1996)
Pelo menos em três lugares de Varginha, os ETs estão sendo vistos diariamente por centenas de pessoas. Nas avenidas Rui Barbosa e Rio Branco e na rua Deputado Ribeiro de Rezende, atrás da matriz do Divino Espírito Santo, eles estão lá, imóveis, sugestivos, engraçados. Oportunista - aproveita o aparecimento do ET na cidade, em 20 de janeiro, relatado por três moças -, mas criativo, o comércio de Varginha está apostando nos garotos-propaganda alienígenas como filão para aquecer as magras vendas desta época do ano.
Embora com ares de simpatia e de bom vendedor, sugerindo os melhores preços da Terra, o ET da rua Deputado Ribeiro de Rezende, na Papelaria Macári, está enclausurado na vitrine e algemado. Feito de jornal amassado, isopor e revestido por papel crepom e usando óculos escuros, bem ao sabor do verão, mostra a imaginação do autor, Alan Tempestra da Silva, de 17 anos, sobrinho do proprietário da loja. Se o ET ajuda a vender mais? Jose Maria da Silva, o dono, acredita que sim, graças ao aumento do movimento de curiosos, eventuais compradores.
Semelhança
Na avenida Rio Branco, com uma imagem mais próxima do retrato falado do “verdadeiro ET” feito por Venício Cunha e publicado na época pelo ESTADO DE MINAS, o extraterrestre aparece num outdoor com ares de interrogação, ao lado de uma jornalista, sem saber o que a repórter quer dizer com a frase: "Do you speak English? O outdoor é uma criação da Escola de Inglês Number One, através de seu Departamento de Marketing, em Belo Horizonte. Na campanha publicitária da escola, foram distribuídos 1.300 panfletos com o mesmo desenho, que ajudaram na manutenção da imagem do estabelecimento, com uma ponta de oportunismo e humor, segundo José Eustáquio Bueno, um dos proprietários.
Já o ET de Rui Barbosa, estampado numa faixa, é o garoto-propaganda da promoção de uma das sorveterias da cidade, a La Neve, que dará cinco viagens a Marte para quem responder: "Você acredita no ET de Varginha?”. Independente da resposta, serão sorteados alguns dos participantes, que terão como prêmio a "Viagem a Marte", que nada mais é do que uma taça de sorvete feita à moda da casa. “As pessoas estão achando engraçado e estranho os dizeres da faixa e muita gente acaba entrando na sorveteria para perguntar o que significa aquilo”, diz o proprietário, Ubirajara Nogueira.
Vacas magras
Se a intenção dos comerciantes é melhorar as vendas nesta época, utilizando a imagem da "criatura", e se a moda pegar na cidade, serão necessários muitos ETs para reverter o quadro do período desanimador que o comércio atravessa. Em relação a janeiro deste ano, as vendas caíram 23,12% em fevereiro, segundo Domingos Antônio de Almeida, gerente administrativo da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Varginha.
A previsão para este mês não é das mais animadoras, de acordo com Almeida. "Março apresenta uma tendência natural de manter o índice de fevereiro ou de cair ainda mais". Em março do ano passado, as vendas decresceram 31,44%, em relação ao mês anterior.
Sob o domínio dos OVNI’s (26 de março de 1996)
Há algo de estranho sobrevoando Varginha. Não precisa ser ufólogo para perceber o clima de perplexidade que domina seus moradores desde o dia 20 de janeiro, quando três jovens declararam ter visto um estranho ser em um lote vago da cidade. Luzes desconhecidas teriam sido avistadas por várias pessoas da região. A perplexidade atingiu o clímax na semana passada, quando a sensitiva Mãe Dinah declarou à imprensa que Varginha vai sofrer uma catástrofe em setembro deste ano. O motivo seria o aprisionamento de um alienígena pelas autoridades locais. No fim de semana, chegaram à cidade os ufólogos norte-americanos Bob Pratt e Cynthia Newby Luce, que irão aprofundar as investigações que estão sendo feitas desde o final de janeiro.
O advogado e ufólogo Ubirajara Franco Rodrigues, 40 anos, que vem estudando o caso do “ET de Varginha”, acredita que Mãe Dinah está querendo se promover. Mesmo sem afirmar que o ser visto pelas três jovens é de fato um extraterrestre, ele fez duas novas revelações. “Não era uma, mas duas criaturas estranhas”, sendo que a primeira delas foi capturada por militares do Corpo de Bombeiros e do Exército. Existem outras testemunhas, dentre elas um pedreiro e uma dona-de-casa, que não querem falar à imprensa.
Pânico
“Irresponsabilidade”, assim Ubirajara Rodrigues define a previsão feita por Mãe Dinah, na semana passada. Para ele, a paranormal que teria previsto a morte do Mamonas Assassinas está se aproveitando de um episódio que ganhou manchete para continuar no noticiário nacional. “Uma paranormal séria não faria uma declaração desse tipo, que pode gerar pânico entre pessoas com mais ansiedades, como já vem acontecendo em Varginha”.
Desde a semana passada, o pesquisador tem sido procurado por moradores de Varginha que anseiam por uma resposta. Muitos temem o fim do mundo. O pesquisador continua investigando e admite que se sente favorecido pela sorte. Há 30 anos, ele se dedica à ufologia e nunca imaginou que a cidade onde mora pudesse se tornar palco de tantos acontecimentos relacionados ao fenômeno.
Testemunhas estão apavoradas (26 de março de 1996)
A empregada doméstica Kátia Andrade Xavier, 22 anos, casada, e as irmãs Liliane Fátima Silva, 16, e Valquíria Aparecida Silva, 14, retornavam para casa por volta das 15h do dia 20 de janeiro depois de encerrar o trabalho. Elas passavam perto de um terreno baldio quando viram uma pequena criatura de pele oleosa, olhos avermelhados e três protuberâncias na cabeça, como pequenos chifres. O pânico as dominou e até hoje as três se dizem assustadas.
Na quinta-feira passada, a reportagem do ESTADO DE MINAS voltou a procurá-las. Valquíria continua com medo e diz que já está cansada de repetir a mesma história. Sua mãe, a doméstica Luíza Helena Silva, garante que a filha mais velha, Liliane, está traumatizada, sem dormir direito. “Ela sonha com aquilo até hoje e prefere não falar mais no assunto”, declarou.
Casada com um trocador de ônibus que também se mostra assustado com toda a história, Luíza lembra que no dia 20 de janeiro voltou com a amiga Kátia ao local da suposta aparição. “Eu vi duas pegadas enormes, arredondadas, com três dedos cada uma e senti um cheiro terrível que eu nem gosto de lembrar. Pouco depois caiu uma tempestade em Varginha e as marcas sumiram do chão”. Assediadas pela imprensa e ridicularizadas pelos vizinhos mais céticos, as quatro mulheres gostariam de esquecer o fato e rezam para que suas vidas voltem ao normal.
Estranhas histórias se repetem (26 de março de 1996)
“Pensei que era uma criança. Era um ser de baixa estatura, parecendo um feto agachado. O olho era grande e brilhante”. Assim o motorista da Rodovan Transportes, Élcio Pacheco, 50 anos, descreveu a criatura que teria aparecido à margem da BR-265, perto do trevo de Coqueiral, próximo à Varginha, há cerca de dez dias.
Ele garante que vem testemunhando fatos anormais antes mesmo de surgirem as notícias sobre “o ET de Varginha”. Há duas quintas-feiras, seu carro foi seguido durante horas por uma luz. Noutra ocasião, Pacheco viajava pela mesma rodovia pela manhã. Parou o carro para urinar e viu um clarão sair detrás de um barranco. Foi ver o que era e avistou 18 criaturas trajando macacões (ilegível). Como que por encanto, elas desapareceram quando um caminhão buzinou na estrada.
Histórias como as de Pacheco são comuns na região. Um profissional de marketing, que prefere não se identificar, lembra que há 12 anos jogava futebol perto do aeroporto de Varginha, na Associação Atlética Banco do Brasil. Em dado momento, viu um objeto voador flutuando sobre o campo. “Era uma coisa metálica e em forma de canoa. Não tinha hélices nem asas e ficou ali por alguns segundos. Éramos cerca de 30 rapazes. Interrompemos a pelada e ficamos de boca aberta, sem saber o que era aquilo. De repente, o objeto se moveu para cima e para baixo, tomou impulso e subiu sem fazer barulho, até sumir no céu”.
Augusto Cassimiro da Costa, 33 anos, dono de um restaurante em Cambuquira, diz que quando tinha 18 anos passou três dias numa fazenda perto dali e viu uma luz vermelha pouco acima do chão. O fazendeiro lhe disse que o fenômeno vinha acontecendo há muito tempo e que nunca se interessou em desvendá-lo. Na quinta-feira em que Élcio Pacheco diz ter sido seguido por uma estranha luz, Cassimiro também viu alguma coisa diferente no céu: “Era uma luz muito forte, brilhando lá para os lados de Varginha”.
Região escolhida
É um pássaro? Um avião? Uma estrela? Ou uma nave extraterrestre? Os céticos riem do assunto. As autoridades desconversam. Os mais humildes acreditam que possam ser os sinais do Apocalipse. Seja como for, o fato é que o Sul de Minas é rico em histórias desse tipo. 0 ufólogo Ubirajara Rodrigues salienta que o Circuito das Águas sempre se destacou entre as regiões de maior incidência de aparições de discos voadores em todo o mundo. O motivo seria o acúmulo de água na região. "Se os tripulantes desses objetos utilizam energia eletromagnética como combustível, como supõem alguns pesquisadores, então isso tudo se explica".
Ufólogo quer a verdade (26 de março de 1996)
Ubirajara Rodrigues revela em primeira mão que dois seres estranhos, e não apenas um, apareceram em Varginha no dia 20 de janeiro. "O depoimento de um militar, cujo nome, arma e patente não podemos revelar, garante que seis militares, sob o comando do Corpo de Bombeiros de Varginha, capturaram uma estranha criatura por volta das 10h30min. No entanto, as três moças viram o estranho ser por volta das 15h, ou seja, antes delas, os militares já haviam capturado a primeira criatura". O depoimento tem 40 minutos e foi gravado em fita de áudio pelo ufólogo Vitório Pacaccini, membro do Centro de Investigação Civil de Objetos Aéreos Não Identificados (Cioane), que está acompanhando os ufólogos norte-americanos em sua missão no Sul de Minas.
Onde estaria o suposto prisioneiro? Rodrigues sustenta a tese de que ele foi transportado por um caminhão de tropas para a Escola de Sargentos das Armas, que fica em Três Corações. Diz inclusive que a fonte não identificada descreveu o som emitido pela criatura como um forte zumbido. Claro que o Exército desmente tudo. Mas os ufólogos acreditam num tratado de cooperação entre organismos internacionais interessados no assunto. Para alguns, a criatura capturada já se encontra fora do Brasil.
O coronel da reserva do Exército Aníbal Albuquerque, ex-presidente da Academia Varginhense de Letras, Artes e Ciências dá risadas quando alguém fala de ETs em Varginha. No entanto, recorda que em 1959, quando estudava na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (Estado do Rio), oficiais da Força Aérea Francesa deram palestra para os cadetes brasileiros sobre UFO’s. Ele garante que, nos anos 80, a base aérea de Santa Cruz, subúrbio do Rio, recebeu ordens para identificar objetos aéreos que sobrevoavam São José dos Campos (SP). "Os pilotos voaram até acabar o combustível e não conseguiram sequer avistar os tais objetos”.
Ubirajara Rodrigues promete para breve novas revelações sobre o caso de Varginha e espera que até lá autoridades contribuam para o esclarecimento dos fatos. Ele teme que espertalhões como Mãe Dinah se apropriem do assunto. “A verdade é tudo que procuramos”, declara.
Ufólogos americanos pesquisam ET’s, por Evaldo Sérgio (29 de março de 1996)
Considerado o maior fenômeno da ufologia mundial dos últimos tempos, o aparecimento - ou possível captura - de extraterrestres em Varginha, no dia 20 de janeiro, continua despertando a atenção de especialistas brasileiros e estrangeiros, interessados em aprofundar investigações e, quem sabe, desvendar de vez o mistério, que já vai para mais de dois meses. Esta semana, chegaram a Varginha dois ufólogos norte-americanos, que dedicam todo o seu tempo em ouvir as três adolescentes que viram um dos ET’s e outras pessoas que, de uma maneira ou de outra, se envolveram neste e em outros fenômenos ocorridos de lá para cá.
Cynthia Newby Luce e Bob Bratt, pesquisadores de ufologia há cerca de 20 anos, disseram ao ESTADO DE MINAS que estão impressionados com as aparições de OVNI’s em Varginha e (ilegível) as criaturas avistadas e capturadas na cidade. Mestre em Antropologia e Psicologia pela Universidade da Pensilvânia, Cynthia mora há 12 anos em São José do Vale do Rio Preto, município do Rio de Janeiro.
Credibilidade Interessada em ufologia desde 76, Cynthia faz parte da Mufon - Mutual Ufo Network -, organização norte-americana que pesquisa OVNI's no mundo inteiro. "Viemos a Varginha por dois motivos: as informações são surpreendentes e o Ubirajara Rodrigues (que é quem revelou, pela primeira vez, a existência de não um, mas de dois ET's e a captura deles por forças policiais) é um ufólogo de trabalho renomado, que merece credibilidade", declarou.
Bob Pratt está no Brasil colhendo subsídios para seu segundo livro, que vai tratar de aparições de OVNI's e ETs no País e que será lançado, em setembro, nos Estados Unidos. O caso de Varginha, garante Bob, vai ganhar um capítulo especial. Jornalista há 46 anos formado em Washington, Bob começou a se interessar por ufologia em 1975, numa reportagem sobre o assunto no Estado de Winsconsin.
Segundo o escritor, ele ficou durante uma semana numa fazenda colhendo depoimentos de pessoas que teriam visto uma nave pousar no local. "Não cheguei à conclusão do que eles teriam visto", contou Bob que, após o fato, já esteve em dez países pesquisando sobre o assunto. A partir da década de 80, dirigiu seus trabalhos para o Brasil e, em 1987, lançou o seu livro sobre OVNI's.
A “criatura” de Varginha, em detalhes (29 de março de 1996)
"As coisas ainda estão por acontecer para que a gente possa provar tudo isso que estamos afirmando", desabafa o ufólogo Vitório Pacaccini, do Cicoani - Centro de Investigação Civil de Objetos Aéreos Não Identificados -, entidade com sede em Belo Horizonte, que há 47 anos apura casos de OVNIs. Ele prevê que dentro de pouco tempo aparecerão, inclusive, fotos e filmes dos dois ET's que, garante, foram capturados em Varginha pelo Corpo de Bombeiros; levados depois para a Escola de Sargentos das Armas de Três Corações e, agora, estão em local ainda desconhecido.
A captura de duas criaturas pelo Corpo de Bombeiros de Varginha é, segundo Vitório Pacaccini, o fato mais relevante da ufologia brasileira e mundial no momento e, por isso, o filé mignon para pesquisadores, que não param de chegar em Varginha. Pacaccini revelou ao ESTADO DE MINAS ricos detalhes, ainda não divulgados, embora já tenham se tornado um consenso entre os pesquisadores, inclusive os norte-americanos que estão na cidade.
A primeira criatura, capturada por volta das 10h30 do dia 20 de janeiro, não tinha pupila nem pálpebra, somente olhos vermelhos arredondados e grandes, com dois furos no lugar do nariz e um ligeiro rasgo onde seria a boca. Os braços eram ligeiramente mais compridos e finos do que os de uma pessoa com igual estatura (entre 60 e 90 centímetros). Com barriga inclinada para a frente, a criatura pesava de 18 a 25 quilos e foi facilmente capturada com redes pelo Corpo de Bombeiros, pois estava abobalhada. Para Pacaccini, que há 17 anos vive pesquisando ufologia pela Cicoani, a descrição minuciosa dos detalhes é a confirmação de que ele não está enganado sobre o caso.
O ufólogo garante que todas essas informações, que até agora têm como única prova o depoimento de militares que estão diretamente ligados com o caso, vão ser confirmadas em breve por fontes seguras, através de fotografias e filmagens. O ufólogo afirmou que sabe em detalhes como foi a operação de captura das criaturas, quantos militares participaram, a quais organizações pertencem e para onde elas foram levadas, depois de deixarem a Escola de Sargentos das Armas de Três Corações. “Sabemos, por exemplo, que a criatura capturada à tarde teve uma passagem pelo Hospital Regional, levada pelo Exército", afirma.
Pesadelo que vem do céu, por Jorge Fernando dos Santos (29 de março de 1996)
Aos 14 anos de idade, Valquíria Aparecida Silva viu-se elevada ao mesmo status de uma personagem de cinema. O dia 20 de janeiro, por volta das 15h, marcou a vida dela, sua irmã, Liliane Fátima Silva, 16, e a amiga Kátia Andrade Xavier, 22. Ao passarem por um terreno baldio em Varginha, as três teriam avisado um estranho ser, de baixa estatura, pele oleosa, olhos vermelhos e três protuberâncias na cabeça. O pânico as afugentou e logo o caso se tornou nacionalmente conhecido. O ufólogo Ubirajara Rodrigues acredita, inclusive, que um segundo alienígena foi capturado por militares e levado para a Escola de sargento das Armas, em Três Corações.
Quem vê Valquíria em sua modesta residência, na periferia de Varginha, não imagina o que ela e sua irmã estão passando. Pesadelos, entrevistas infindáveis, gozação dos amigos e vizinhos mais céticos... Enfim, tudo o que as duas irmãs e a amiga gostariam é que nada disso tivesse acontecido. A mãe das duas garotas, Luíza Helena Silva, declara que Valquíria ficou muito assustada, mas que Liliane é a que mais tem lhe dado trabalho: "No começo ela não dormia, só chorava e até sonhou com aquilo". Luíza lembra que, chegando ao local da aparição, ela sentiu um cheiro forte, enjoativo e viu duas estranhas pegadas que foram apagadas por uma forte chuva que caiu sobre Varginha na tarde do mesmo dia.
O caso não é o primeiro e nem será o último desse tipo. Todo o Sul de Minas tem sido palco de estranhas luzes que brilham no céu e a região está entre as de maior incidência de aparição de objetos voadores não identificados (OVNI’s) em todo o mundo. Esta semana, dois ufólogos americanos desembarcaram em Varginha para investigar o caso. Enquanto isso, a revista "Veja" trouxe uma entrevista com o astrônomo Carl Sagan, que afirma acreditar em vida inteligente em outros planetas, tudo leva a crer que alguma coisa está mesmo acontecendo, embora as autoridades se neguem a admitir ou a revelar os resultados de investigações sobre OVNIs que vêm sendo feitas há várias décadas.
Operação secreta resgatou ET, por Evaldo Sérgio (8 de maio de 1996)
Em novo encontro no Sul de Minas, ufólogos de todo o país tomaram conhecimento do nome de alguns militares do Exército que teriam transportado para Três Corações uma estranha criatura capturada em Varginha em 20 de janeiro, quando três moças disseram ter visto um extraterrestre. Segundo os pesquisadores Ubirajara Rodrigues e Vitório Pacaccini, três caminhões da Escola de Sargentos das Armas (ESA), de Três Corações, estiveram no Hospital Humânitas, em Varginha, em 22 de janeiro, dois dias depois da suposta captura de uma das criaturas pelo Corpo de Bombeiros,
Segundo os ufólogos, os motoristas dos caminhões camuflados seriam os soldados Sirilo e De Melo e o cabo Vassalo. A operação teria sido comandada pelo coronel Olimpio Vanderlei e contado com a participação do capitão Ramires e do tenente Tibério, além do sargento Pedrosa, da ESA. Os ufólogos acreditam que outros militares do Exército tenham participado da operação.
Trabalho discreto
Os ufólogos contaram que a operação secreta teria envolvido automóveis dos oficiais, além dos caminhões da ESA com caixas de madeira. Havia também policiais militares e do Corpo de Bombeiros. Na noite do dia 22 de janeiro eles teriam entrado pelo portão lateral do Hospital Humânitas, no bairro Jardim Petrópolis, onde estariam dois médicos e dois assistentes à sua espera. Segundo os ufólogos, eles teriam encontrado a criatura já morta, colocando-a numa das caixas, que foi lacrada. “Foi uma operação discreta e bem elaborada", lembrou Ubirajara. Um dos informantes dos ufólogos revelou que viu a criatura da cintura para baixo. descrevendo-a como de pernas finas, com pés grandes e bifurcados em "V" no lugar dos dedos.
Comboio militar O comboio teria rumado para a ESA e, no dia seguinte, seguido para o quartel do Exército em Campinas: "Os fatos estão embasados em absoluta convicção e tudo é absolutamente verdadeiro". informou o ufólogo. Ele disse contar com 12 testemunhas, que revelam dados concretos, desde a aparição das criaturas até a captura e transporte. Desses, quatro são militares, que participaram mais diretamente das operações.
As revelações foram feitas em reunião na sede do Instituto Ubirajara Rodrigues, em Varginha, que contou com a presença de mais de 30 ufólogos de todo o País, além de jornalistas.
Observação médica
Os ufólogos assinaram um manifesto, reafirmando não haver a menor dúvida de que o que ocorreu em Varginha foi uma complexa operação, “que resultou na captura de criaturas não classificadas biologicamente, mas paracientificamente chamadas de EBEs (Entidades Biologicamente Extraterrestres), as quais foram mantidas sob observação médica e posteriormente retiradas da cidade”.
Os ufólogos se referem ao caso como sendo o único do Brasil até hoje, cuja confirmação poderá trazer “incomensuráveis conhecimentos científicos”. Os pesquisadores de ufologia também reconhecem, no manifesto, que existe claramente um processo mundial de acobertamento e desinformação de fatos desse tipo.
Exército nega captura de ET, por Evaldo Sérgio (11 de maio de 1996)
O general Sérgio Pedro Coelho Lima, comandante da Escola de Sargentos das Armas, em Três Corações, convocou a imprensa para distribuir um comunicado sobre o suposto envolvimento de militares da EsSA na captura e transporte de extraterrestres. A denúncia dessa ação do Exército, que teria ocorrido em 20 de janeiro, em Varginha, inclusive citando nomes de soldados e oficiais, foi feita pelos ufólogos Ubirajara Rodrigues e Vitório Pacaccini, numa reunião que levou a Varginha, no último fim de semana, mais de 30 pesquisadores de todo o País.
Na nota, o general reitera que "a Escola e seus integrantes não tiveram qualquer relação com os fatos aludidos". Ele justificou o silêncio do Exército em relação ao caso afirmando que "nenhuma outra comunicação foi feita por entender-se que serviria apenas para estimular a polêmica”. Sobre os nomes de militares citados pelos ufólogos, o general frisou que “nenhum elemento ou material da Escola teve qualquer ligação com os aludidos acontecimentos".
Bom senso
No final da nota, o comandante da EsSA diz que tem certeza de que "nosso povo, com seu característico bom senso, saberá avaliar as circunstâncias desses episódios e que a verdade se estabelecerá por si mesma". O general não quis responder às perguntas, afirmando que era tudo o que ele tinha a dizer.
O ufólogo Ubirajara Rodrigues, por sua vez, diz ter recebido com naturalidade as informações contidas na nota lida pelo general Sérgio Pedro Coelho Lima. Garantindo que as pesquisas sobre os ETs vão continuar e que novos nomes de militares envolvidos vão vir à tona, Ubirajara afirma respeitar a opinião do comandante da EsSa. "Não temos nenhuma pretensão de causar um mal-estar entre nós, pesquisadores de ufologia, e o Exército", reforçou.
Os quase quatro meses em que já dura a polêmica sobre o aparecimento de criaturas extraterrestres em Varginha são, segundo Ubirajara, pouco tempo para se chegar à verdade dos fatos. "Os casos mais famosos costumam durar anos e muitas vezes ficam sem resposta”, alega. Ele considera como “tempo recorde” o fato de já se conseguir, através de testemunhas ainda secretas, os nomes dos militares envolvidos na operação de transporte de uma das “criaturas”.
Os segredos do ET de Varginha, por Evaldo Sérgio (14 de maio de 1996)
Os ufólogos do instituto Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais (Infa) e do Grupo Ufólogo do Guarujá acreditam que o cientista Badn Palhares, da Universidade de Campinas, teve alguma participação nos estudos do ET que teria sido capturado em Varginha dia 20 de janeiro e levado por militares da Escola de Sargentos das Armas, em Três Corações, até o campus da Unicamp. "Informações sigilosas garantem que o cientista poderia ter examinado o corpo da criatura", afirma Claudeir Covo, presidente do Infa.
Além de trazer até Varginha ilustrações aperfeiçoadas da criatura para que as meninas Liliane e Valquíria (as testemunhas que teriam visto o "extra-terrestre") pudessem fazer suas observações. Claudeir Covo garante ter novas informações de testemunhas que podem ajudar a elucidar o caso, conseguidas através de parentes de militares em São Paulo. Segundo os ufólogos, eles estão trabalhando o tempo todo e muitas vezes as pesquisas avançam pela madrugada. Eles insistem que os nomes das testemunhas têm que ser mantidos em segredo.
Repercussão mundial
No meio de diversos avistamentos de criaturas em todo o País, contados pelos ufólogos, o caso de Varginha vai ganhando notoriedade mundial. O último número da revista Año Cero, editada na Espanha, traz uma matéria extensa em que relata o caso em detalhes. Já a revista Ufo, a única do Brasil especializada em ufologia deu matéria de capa para o assunto, na edição de abril.
Claudeir Covo chegou a compará-lo, em grau de importância, ao Caso Roswell, que aconteceu em 2 de julho de 1947, nos Estados Unidos, quando um disco voador teria caído e quatro criaturas teriam sido capturadas e mantidas em cativeiro pelo governo norte-americano. Até hoje o assunto é polêmico, sem provas concretas.
A presença em Varginha, no fim de semana, do professor John Mack, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, para conhecer pessoalmente e estudar o fenômeno do ET, deu peso e maior credibilidade ao caso, segundo o ufólogo Vitório Pacaccini. Especialista em estudos de abdução, ou seja, supostos sequestros de seres humanos por extra-terrestres, John Mack é psiquiatra e tem pós-doutorado (PHD) na área, tendo lançado em 94 o livro “Abduction - Human Encounters With Aliens”.
Outros avistamentos
Embora tenha peculiaridades, como uma suposta captura de seres extraterrestres, o caso de Varginha não é o único que está ocorrendo no Brasil e até em outros países. Membros do Infa e do Grupo de Ufólogos de Guarujá estão pesquisando avistamentos recentes de seres em Joaçaba (SC), Peruíbe (SP), Prainha, próximo a Fortaleza (CE), e em Itapiranga, no interior do Amazonas.
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Nesses lugares e em outros países, como na Costa Rica, estão acontecendo fenômenos desde o começo deste ano, com grupos de pessoas afirmando terem visto e até mesmo terem tido contato com criaturas estranhas, segundo os ufólogos