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Deficiência visual: Dia Nacional do Braille expõe desafios da alfabetização

Especialista alerta para falta de materiais adaptados e profissionais qualificados no Brasil para alfabetizar alunos cegos e com baixa visão

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Lembrado nesta quarta-feira (8/4), o Dia Nacional do Braille chama atenção para a importância do sistema braille como recurso fundamental de leitura e escrita na rotina das pessoas cegas e com baixa visão. Além disso, a data evidencia desafios importantes no campo da escolarização, uma vez que nem todas as crianças com deficiência visual têm acesso ao processo de alfabetização em braille, o que compromete não apenas o desenvolvimento escolar, mas também a autonomia e a participação dessas crianças em diferentes contextos sociais.

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Apesar dos avanços nas políticas de inclusão educacional, a presença de alunos com deficiência visual em salas de aula regulares ainda não garante condições efetivas de aprendizagem e participação. A falta de materiais acessíveis disponibilizados em tempo adequado e de professores com formação específica para atuação com estudantes com deficiência visual segue como um dos principais desafios para a alfabetização.

No início do ano letivo de 2026, mais de 45 mil estudantes foram afetados pela ausência ou atraso na entrega de livros em braille e em formatos ampliados, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva (Abridef), evidenciando fragilidades no processo de garantia de acessibilidade educacional no sistema de ensino brasileiro.

Junia Carla Buzim, pedagoga na Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual Laramara, reforça que o braille continua sendo estruturante no processo de alfabetização de estudantes cegos. “O Dia Nacional do Braille é uma oportunidade de reforçar seu papel essencial na alfabetização de pessoas cegas. O contato com o braille desde a infância contribui não apenas para o aprendizado escolar, mas também para o desenvolvimento da linguagem, da organização do pensamento, da autonomia e do acesso ao currículo em condições de equidade”.

Ainda assim, a distribuição de livros e outros recursos adaptados permanece limitada em muitas escolas, especialmente fora das grandes capitais, o que amplia desigualdades no acesso ao conhecimento e nas oportunidades de aprendizagem.

Outro ponto a ser discutido é a formação de profissionais qualificados, considerando que muitos professores da educação básica ainda não tiveram acesso à formação sobre o sistema braille e sobre estratégias pedagógicas voltadas à escolarização de estudantes com deficiência visual, impactando diretamente o acompanhamento do conteúdo pedagógico e a participação desses alunos nas atividades escolares. "Sem o preparo adequado, algumas práticas em sala de aula acabam não suprindo as necessidades educacionais específicas dos estudantes com deficiência visual”, alerta Buzim.

O sistema braille foi criado no século XIX pelo francês Louis Braille, que perdeu a visão ainda na infância. Inspirado em um método militar de leitura no escuro, desenvolveu, aos 15 anos, um código baseado em combinações de seis pontos em relevo, permitindo que pessoas cegas pudessem acessar a leitura e a escrita com autonomia. Atualmente, crianças e adultos conseguem praticar a escrita de forma autônoma por meio da máquina braille, recurso fundamental no processo de alfabetização e produção escrita.

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Neste contexto, o Dia Nacional do Braille surge como um momento de reflexão e mobilização. Para a instituição, ampliar o acesso ao sistema é fundamental para garantir condições reais de aprendizagem, autonomia e participação social. “A alfabetização em braille é um direito fundamental. Investir em materiais e recursos acessíveis é assegurar autonomia, inclusão educacional qualificada e participação de pessoas cegas e com baixa visão na sociedade”, enfatiza a profissional.

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