Anna Marina*
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ANNA MARINA

Cigarro eletrônico, vício dos jovens, faz imenso mal para a saúde

Estudos apontam que certos modelos entregam carga de nicotina equivalente a mais de 100 cigarros tradicionais

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Fui a um casamento em Tiradentes no último fim de semana. Como é costume agora, a grande maioria dos convidados era formada por amigos dos noivos, pessoas mais jovens. Fiquei impressionada com o grande número deles que faziam uso do vape, o cigarro eletrônico.

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Nesse aparelho, um dispositivo eletrônico portátil aquece um líquido para gerar o vapor que o usuário inala. Foi criado originalmente para substituir o cigarro convencional, e os jovens gostam porque não tem o desagradável cheiro do tabaco. Porém, tornou-se um grande problema de saúde pública, pois vicia muito mais, causando graves danos ao organismo.

O aparelho funciona por meio da bateria que alimenta a resistência interna. Ela aquece o líquido (juice ou suco de vape), transformando-o em vapor. Diferentemente do que muitos pensam, o vapor não é apenas água. Geralmente, contém nicotina, propilenoglicol e glicerina vegetal, solventes que servem de base para gerar a fumaça visual e aromatizantes, além de metais pesados e toxinas, substâncias como níquel, chumbo, latão e formaldeído, liberadas pelo aquecimento dos componentes do aparelho.

O uso de sais de nicotina (juice nic salt) permite tragadas mais suaves com doses massivas da substância, acelerando o vício. Alguns estudos apontam que certos modelos entregam carga de nicotina equivalente a mais de 100 cigarros tradicionais.

Isso causa uma grave lesão pulmonar aguda, provocada especificamente pelas substâncias químicas presentes no vapor do cigarro eletrônico. Também traz problemas cardiovasculares e doenças respiratórias crônicas.

No Brasil, a Anvisa proíbe a comercialização, importação e propaganda de qualquer tipo de cigarro eletrônico.

Como sou intrometida, não aguentei e acabei “dando uma dura” em um jovem casal que eu conhecia mais. Falei sobre o vício e os perigos do vape. Ele me disse que havia parado por dois anos, mas até sonhava com o cigarro eletrônico. Voltou a fumar, está tentando parar, mas não consegue.

Vale destacar que o vape é um dos responsáveis pelo envelhecimento precoce. Estudos recentes associam o cigarro eletrônico ao aumento de estresse oxidativo e inflamação celular, mecanismos que impactam diretamente a qualidade do colágeno e a capacidade de reparo da pele.

Claro que o vape não é o único responsável. Dormir mal, viver sob estresse constante, exagerar no açúcar, consumir alimentos ultraprocessados e passar horas diante das telas preocupam os especialistas. Mas fato é que o cigarro eletrônico se tornou um dos grandes vilões do momento.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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