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Reciclar óleo é garantia de lucro na Grande BH Empresas que recolhem óleo de fritura na Região Metropolitana de BH descobrem um novo nicho e faturam alto com o reaproveitamento

Zulmira Furbino -

Pedro Rocha Franco -

Publicação: 27/08/2011 06:00 Atualização: 27/08/2011 11:23

Nívea Freitas diz que tem comprador para todo o produto que recolhe (Beto Novaes/EM/D.A Press)
Nívea Freitas diz que tem comprador para todo o produto que recolhe
Na onda ecologicamente correta, seguindo os ensinamentos do pai da química moderna Antoine Lavoisier, de que “nada se perde, tudo se transforma”, empresas têm faturado alto com o recolhimento e reciclagem de óleo de fritura usados nas cozinhas. Vale reaproveitar desde os residenciais até restaurantes, hotéis, supermercados e redes de fast food. Independentemente do local de recolhimento, a oportunidade é grande para se ganhar dinheiro com o que seria um produto inútil e de difícil descarte. De olho num mercado que usa como matéria-prima um rejeito que, se não for transformado, pode acabar por contaminar rios e cursos d’água, várias empresas aproveitam a brecha para lucrar com o serviço. O preço do óleo tratado chega a R$ 1,20, quatro vezes mais que o valor pago para quem o fornece o produto ainda contendo resíduos. A maior empresa do ramo na capital chega a faturar mais de R$ 160 mil por mês.

O processo é simples. A empresa recolhedora compra o óleo bruto de estabelecimentos comerciais, ou, em alguns casos, troca por produtos de limpeza e, depois de retirar as impurezas, revende-o para empresas de outros estados e da Grande BH. epois, o óleo é transformado em sabão em barra e até biocombustível.

Veja como é a transformação do óleo de cozinha em produtos que geram empregos

 

No mercado há oito anos, a Recóle o Coleta e Reciclagem de Óleos apanha 140 mil litros de óleo por mês em BH e região metropolitana. Quando começou, eram apenas 1,6 mil litros mensais. O litro do óleo é comprado por R$ 0,30 e, depois de tratado, revendido de R$ 1 a R$ 1,20 para empresas de São Paulo e Goiânia que atuam na produção de biocombustível.


Desde sua criação, a Recóleo, que funciona na Vila São José, no Bairro Jardim Alvorada, na Região Noroeste de BH, ampliou-se aproveitando a demanda do setor. Hoje tem 30 funcionários, dos quais 27 são contratados na própria comunidade. Além disso, são 14 franqueados em Minas e mais de 400 no Brasil. “Se eu conseguir coletar 1 milhão de litros, tem quem compre tudo”, sustenta a proprietária e criadora da empresa, Nívea Freitas.

Um grande filão está nas cadeias internacionais de fast-food, como McDonald’s, Burger King, Habib’s, Outback e Applebee’s. Usando diariamente milhões de litros de óleo para fritar batatas e hambúrgueres, as lanchonetes estão na lista de principais fornecedores das empresas do ramo. Em Belo Horizonte e outras quatro cidades mineiras (Contagem, Betim, Sete Lagoas e Ipatinga), a empresa contratada para recolher o óleo usado pela rede Arcos Dourados (McDonald’s, Outback e Applebee’s) é a MG Óleo, prestadora de serviços da Massa & Vidro. A empresa paga R$ 0,40 por litro recolhido. Segundo a Arcos Dourados, por mês, são recolhidos entre 5 mil e 6 mil litros de óleo das três redes e o total pago é repassado para o Instituto Ronaldo McDonald (que ajuda crianças com câncer).

As pastelarias também são grandes fornecedoras. Somente na unidade do Fujiyama da Savassi, mensalmente são recolhidos 160 litros de óleo usado na fritura. Uma vez por semana, segundo o gerente Elson dos Santos, a empresa contratada busca o material produzido e o troca por produtos de limpeza. “Não teríamos o que fazer com o óleo”, afirma o funcionário.

 

De frigideiras ara tanques de caminhões

 

Em São Paulo, desde o ano passado, os restaurantes do McDonald’s adaptaram um projeto de logística reversa para abastecer parte dos caminhões da empresa com o óleo de cozinha usado na fritura das batatinhas. Ao entregar os produtos numa unidade da rede de fast food, o motorista do caminhão recolhe vasilhame contendo o óleo e o encaminha para uma usina, em Osasco (SP), que transforma o produto em biodiesel.

O projeto ainda está em fase de testes. Cinco caminhões da empresa rodam pelo país com o combustível feito a partir do óleo de cozinha, num programa inédito no país. Quatro dos caminhões são abastecidos com B20, ou seja combustível que contém 20% de óleo reciclado, enquanto um veículo usa o B100, composto exclusivamente de óleo de cozinha transformado. Anualmente, a rede McDonald’s usa aproximadamente 3 milhões de litros de óleo de cozinha para fritura de batatas e empanados. A ideia é que o recolhimento e a transformação de todo esse volume seja capaz de abastecer com biodiesel B40 toda a frota de caminhões da rede de fast-food no pais.

Além de garantir economia para a empresa, a transformação do material em combustível contribui para a redução da emissão de gás carbônico, pois o biodiesel, de origem vegetal, não libera gases provocadores do efeito estufa, enquanto o diesel, derivado do petróleo, ao ser queimado nos veículos, libera partículas de CO2. (ZF e PRF)

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