Por que a passarela das Cataratas do Iguaçu não é levada pela água?
A estrutura em Foz do Iguaçu é presa diretamente na rocha do leito do rio e já aguentou cheias de 46 milhões de litros por segundo sem danos
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Quem caminha pela passarela das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, fica a poucos metros de uma das maiores massas de água em movimento do planeta. Mesmo nas cheias mais fortes do Rio Iguaçu, a estrutura continua de pé.
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Foi o que aconteceu nesta semana, quando a vazão chegou a dez vezes a média histórica, de 1,5 milhão de litros por segundo.
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Raízes de aço e cimento
A sustentação da passarela usa a técnica das estacas-raiz. A rocha do fundo do rio é perfurada, e cada furo recebe uma armação de aço. Depois, o cimento é injetado sob pressão e preenche o espaço, formando uma espécie de raiz que prende a base ao leito.
Esse sistema faz dois trabalhos ao mesmo tempo. Sustenta o peso dos milhares de visitantes que passam pelo mirante e resiste à pressão lateral da correnteza. Essa força da água é maior até do que o impacto de troncos e galhos arrastados pela cheia.
Uma obra feita com o rio desviado
A passarela atual começou a ser construída em 1992 e foi remontada em 1993. Ela substituiu o mirante de 1970, que foi levado por uma enchente nos anos 1980.
Para perfurar a rocha com segurança, foi preciso secar o trecho da obra. Uma equipe de 20 a 30 trabalhadores desviou temporariamente o curso do rio. A primeira barreira, montada perto das quedas, não resistiu a uma cheia e arrastou as máquinas, mas o concreto que já estava instalado ficou intacto. O desvio teve de ser refeito alguns quilômetros acima.
Pilares vigiados ao milímetro
Os pilares da passarela são monitorados com equipamentos topográficos e prismas que registram variações de milímetros. As medições são feitas todo ano e reforçadas depois de cada enchente. Até hoje, nenhum deslocamento foi identificado.
Quando o nível da água sobe, as grades de proteção são retiradas de forma preventiva. Sem elas, a correnteza encontra menos resistência e os galhos não se acumulam na estrutura.
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Os visitantes só voltam à passarela quando a vazão cai abaixo de 8 milhões de litros por segundo e um engenheiro estrutural assina um laudo liberando o acesso. Antes disso, as grades metálicas são recolocadas aos poucos.