Notícias

Gabriel Sammour: a tecnologia de fundação que viabiliza prédios mais altos

Publicidade
Carregando...

O Brasil está construindo mais alto do que nunca. Balneário Camboriú concentra sete dos dez edifícios mais altos do país, São Paulo entrou na disputa depois da revisão do Plano Diretor e projetos ultrapassam a marca dos 500 metros. A altura, porém, é menos uma proeza de engenharia e mais uma conta de viabilidade: terreno urbano escasso e caro, outorga onerosa e preço do metro quadrado empurram o empreendimento para cima. E toda essa altura precisa se apoiar em algo que o comprador nunca vê.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Quanto mais alto o prédio, mais exigente fica a fundação. As cargas crescem, as estacas precisam descer mais fundo até encontrar solo competente, e o número delas se multiplica. Um único empreendimento de grande porte hoje pode ter mais de mil estacas com dezenas de metros de profundidade, apoiadas em rocha. Nada disso seria executável sem uma evolução silenciosa embaixo da terra: a capacidade de perfurar estacas de hélice contínua na casa dos 40 metros é recente no país, com a primeira perfuratriz nacional desse alcance saindo da fábrica em 2021 e, em 2026, a chegada de um equipamento importado ainda maior. A altura visível depende dessa tecnologia invisível.

Há um agravante que raramente entra na conversa: essas obras acontecem em terrenos cada vez menores, espremidas entre vizinhos, sem a folga de canteiro que projetos horizontais tinham. Não basta ter a máquina certa; é preciso operar toda a fundação, execução e verificação, num espaço apertado e num cronograma pressionado.

"A verticalização não mudou apenas o que é visível aos olhos. Mudou o que precisa acontecer abaixo desses empreendimentos", diz Gabriel Sammour, engenheiro civil e responsável técnico da Sammour Engenharia Geotécnica. "São muitas mudanças: mais estacas, mais profundas, num espaço menor. A tecnologia de fundação, das máquinas que alcançam o solo competente, além da forma de verificação das estacas, é o que torna essas obras executáveis e seguras, apesar de arrojadas. É uma etapa que o mercado quase não enxerga, e que a altura pressiona cada vez mais".

A etapa invisível que a altura encarece

Toda fundação profunda precisa ser verificada. A norma técnica exige provas de carga conforme o número de estacas e as tensões de trabalho, e é uma etapa que libera a obra a seguir. O que poucos fora do canteiro sabem é de onde vem o custo desse ensaio. Ele não é puxado pelo teste em si, mas pelo sistema de reação: a estrutura provisória contra a qual a carga é aplicada para medir como a estaca responde.

No método tradicional, essa reação é feita com blocos de concreto sobre uma das estacas-teste e estacas de reação são executadas só para o ensaio. Estacas de reação significam perfuração, armação, concreto e espera pela cura, que pode levar cerca de dez dias, antes mesmo de começar a realizar os ensaios. Em uma obra alta, com muitas estacas a verificar e um cronograma pressionado por mão de obra cada vez mais cara, cada ensaio que trava a agenda tem um custo que vai muito além do preço do teste. Sendo a ociosidade muitas vezes até mais cara do que os ensaios em si.

Uma técnica que ataca o custo do ensaio

É nesse ponto que ganha espaço no país uma técnica que a Sammour executa com equipe própria: o sistema de reação com ancoragens helicoidais provisórias (SAP). Em vez de estacas de concreto, a reação é feita por elementos helicoidais metálicos cravados no solo por rotação, que resistem à tração enquanto o ensaio ocorre. Ao final, são extraídos e reaproveitados.

A diferença prática é de custo e de prazo. Não há concreto a perfurar, armar e curar, o que elimina os dias de espera antes do ensaio. Os elementos são recuperáveis, não permanecem no terreno e não viram material enterrado que não integra a fundação definitiva. E o equipamento de inserção das estacas provisórias é compacto, o que resolve um problema específico das obras verticais de hoje: cabe onde uma cargueira ou uma plataforma de blocos não caberia, no terreno apertado entre vizinhos.

"O custo de uma prova de carga é puxado, em boa parte, pelo sistema de reação", explica Sammour. "Quando a reação não exige concreto nem cura, o ensaio deixa de travar o cronograma por uma semana e meia e passa a ser questão de dias. Num empreendimento com dezenas de ensaios a fazer, isso deixa de ser detalhe técnico e vira prazo de obra".

Cada solução no seu lugar

Seria exagero, no entanto, dizer que uma única técnica resolve toda a verificação de um arranha-céu, e é importante ser preciso. O sistema de ancoragens helicoidais cobre a maior parte das situações de obra, mas ensaios de carga muito elevada, como os de algumas estacas de maior capacidade, ainda podem exigir estacas de reação dimensionadas especificamente ou outros métodos. É justamente aí que a tecnologia de fundação se mostra como um conjunto, e não como uma fórmula única: para cada carga, cada solo e cada canteiro, existe a solução de verificação adequada, e é o domínio desse conjunto que sustenta a execução da obra vertical.

"Prometer que uma técnica resolve tudo é o caminho mais rápido para perder a confiança de quem entende de obra", afirma o engenheiro. "O que viabiliza um empreendimento alto não é um truque, é dominar a tecnologia de fundação inteira e saber qual solução aplicar em cada situação. As ancoragens helicoidais são uma peça poderosa desse conjunto: barateiam e aceleram a verificação na maioria dos casos, e cabem onde o método tradicional não caberia".

Para quem incorpora ou constrói, a leitura é de gestão, não de engenharia. Num setor em que a mão de obra pressiona o custo e o terreno urbano só encarece, a fundação deixou de ser um detalhe no fim da planilha. Quanto mais alto o país constrói, mais a tecnologia que sustenta embaixo máquinas, ensaio, deixa de ser bastidor e passa a ser o que torna o empreendimento possível, no prazo e no caixa que ele precisa fechar.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Com sede em Belo Horizonte e unidades em Goiás e São Paulo, a Sammour Engenharia Geotécnica executa provas de carga estática e dinâmica, testes de integridade e ensaios de placa, além de projetos de fundação e contenção, com mais de dez mil estacas ensaiadas e mais de 600 obras em mais de uma dezena de estados, em setores como mineração, energia, saneamento e empreendimentos de grande porte.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay